Estava escuro.
Não podia ver nada.
Mas de repente ouvi passos de alguém correndo. Muitas pessoas correndo. Uma delas era eu.
Uma respiração descompassada e uma mão me puxando.
Quando minha visão clareou pude ver.
Novamente aquele dia.
Nick me puxa a enquanto nós dois corríamos fugindo dos gigantes sanguinários. Meu peito subia e descia rapidamente com a respiração forte. Meus olhos estavam embaçados com as lágrimas.
Ao longe avistei a silhueta de minha mãe.
Seus olhos desesperados olhavam para mim como se quisesse me puxar para perto dela a qualquer custo. Meu pai logo atrás machucado chamava por mim e Nick.
E novamente.
Como toda vez, lá estava ele.
O terrível gigante de 15 metros. Correndo loucamente com um sorriso diabólico em seu rosto. Esmagando tudo e todos em seu caminho. Os olhos fixos na figura de minha mãe.
Novamente, a cena se repetia à minha frente.
Um inferno sem fim.
Uma tortura pior do que a morte.
Ver as pessoas que você ama serem esmagadas e devoradas bem diante de seus olhos. Dessa vez não foi diferente.
O gigante pisou em meu pai tirando-lhe a vida como em um flash. Logo pegou minha mãe com suas mãos deformadas e grandes.
A boca molhada de saliva. Faminto. Ele a levou para ela. Mordeu-a. Despedaçou-a.
O sangue espirrou em mim.
O líquido quente pairava sobre meu rosto e descia pela minha pele manchando minhas roupas e minha alma.
Eu nunca pude esquecer. Nem sequer uma vez.
Isso me acompanhou desde aquele dia.
Essa cena se repetiu inúmeras vezes.
Eu rezava para que o final mudasse.
Mas era inevitável.
Nunca mudou.
Minha mãe e meu pai se foram, para nunca mais estarem neste mundo.
Diferente de outras vezes, eu não acordei.
Permaneci na ilusão enquanto tudo ao meu redor desmoronava.
Caí de joelhos e chorei.
Não consegui ouvir minha própria voz. Mas tudo doía dentro de mim.
Meu peito ardia e queimava como uma fogueira. Doía. Tudo doía.
Minha cabeça cheia de memórias antes felizes, mas que agora eram como mil facas perfurando todo o meu ser.
O que antes era fonte de risadas, se transformou em uma fonte de dor e sofrimento. Um gatilho de uma arma sobre o qual eu não tinha controle.
Alguém disparava loucamente, r eu só podia aguentar os tiros e a dor.
As lágrimas escorriam como sangue escorre de uma ferida recém aberta.
Eu queria acordar.
Mas não conseguia.
Meu corpo não obedecia. Era como se eu estivesse fora de mim.
Eu finalmente morri?
Achei que tudo ia acabar se eu morresse. Mas parece que não.
Pelo visto eu estava destinada a sofrer desde o dia em que eu nasci.
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Caos | Levi Ackerman
FanficA humanidade vivia em paz dentro das muralhas. Até que um dia, um misterioso titã aparece e destrói tudo em um piscar de olhos. As criaturas, que, para muitos, não passavam de lendas ou histórias de terror contadas a crianças, invadiram o lugar que...
