Não sei exatamente quanto tempo se passou. Mas algumas horas após eu ter me curado milagrosamente o chefe da Polícia Militar veio até mim e me contou uma história bem bizarra.
- Você deve saber que é a última da sua "raça", não é mesmo? - ele me perguntou. Eu nada disse. - Há muito tempo havia um território chamado América Latina. Dizem que as pessoas de lá eram muito fortes e tolerantes a doenças e males.
Contudo, com a extinção de quase 90% dos seres humanos por conta dos titãs, alguns cientistas e médicos tiveram a ideia de conduzir experimentos usando células de titãs.
Ele andava ao meu redor enquanto falava. Estava sorridente.
- Eles selecionaram sobreviventes latinos e japoneses e fizeram experimentos com essas pessoas. Estes são os Ackermans e os Santos.
Inesperadamente, resultados diferentes foram obtidos graças aos experimentos. Os Ackerman's obtiveram um aumento considerável em suas habilidades físicas. Já os Santos, adquiriram a habilidade de cura dos titãs.
Quanto mais ele falava, mais parecia algo inacreditável.
Habilidade de cura?
- Os experimentos eram feitos em sigilo e de modo ilegal, então quando foram descobertos todos os envolvidos foram presos e os documentos das cobaias arquivados.
Até este momento.
Por muito tempo as células de titã ficaram inativas nos Santos, pela falta do desenvolvimento completo dos experimentos. Mas nós, após centenas de anos, conseguimos restaurar alguns documentos antigos e trabalhar em um método de desbloquear essa inatividade.
Foi o que aplicamos em você ontem. Ainda não demos um nome. Chamamos por enquanto de "soro mutável".
Ele se abaixou à minha frente e sorriu para mim enquanto falava.
- Você é a primeira a testar nossa invenção. E será a última, já que é a única sobrevivente dentre os Santos.
- O que pretendem fazer comigo? Me usar como isca de titã? - perguntei em tom sarcástico. - Vocês não têm permissão para fazer isso, tem? Senão não estariam aqui nesse fim de mundo. - respondi e ele apenas fez uma expressão pensativa.
- Quando tivermos resultados, ninguém nos negará permissão alguma. - disse e deu uma gargalhada em seguida. - Aposto que nem sentirão sua falta. Uma recruta qualquer que mal se formou na academia e entrou na tropa.
Eu quis de alguma forma revidar suas palavras, mas era inegável.
Eu não era ninguém.
Passei poucos dias na Tropa e já fui sequestrada.
Causei incômodo ao capitão Levi com minha crise e ainda ignorei Eren.
Eles devem estar aliviados com a minha ausência. Ou nem sequer notaram ainda.
- Por que está calada? Ainda está tão fraca assim? Ou eu estou certo? - ele falava em tom de deboche. Isso me deu uma raiva tão grande, mas eu não podia fazer nada.
Fiquei em silêncio até ele se retirar do local.
Assim que ele passou pela porta, mandou alguém aplicar mais uma dose do tal soro em mim e eu apaguei novamente.
Eu tive um sonho.
Estava tudo muito escuro e frio. Um vento gelado soprava e tocava minha pele descoberta fazendo-me tremer.
Eu estava caminhando por um campo enorme e gramado.
Fora das muralhas.
Era onde eu estava. Mas eu estava sozinha.
Nem titãs, nem pessoas. Apenas eu e o escuro da noite.
Caminhei por um tempo até que vi uma luz ao longe. Como uma explosão, veio também um barulho e de repente um titã imenso de 15 metros estava à minha frente.
Eu não conseguia ver seu rosto. Não conseguia correr também.
Ele veio até mim e me agarrou com sua mão gigante. Me levantou até a altura de seu rosto e eu pude ver.
Era eu.
Eu era um monstro.
Senti meus olhos se encherem de lágrimas e meu peito arder.
Deixei escapar um grito desesperado. Em seguida vieram soluços e eu estava chorando.
Minha pele queimava e meu peito não parava de arder.
Eu sou um monstro.
Não mereço viver.
Tentei fazer alguma coisa. Mas eu estava incapacitada. Inútil. Era como eu me sentia.
Acordei entre soluços e lágrimas.
Meu peito ardia mais do que nunca e minha pele parecia pegar fogo.
O formigamento evoluiu para dor pura e eu não pude evitar gritar.
Eu não conseguia me contorcer pois meus braços estavam presos às correntes. Uma de cada lado do quarto. Deixando-me com os braços abertos e ajoelhada diante da imensa porta de ferro.
Puxei as correntes o máximo que pude para tentar escapar da agonia, mas não adiantou.
Apenas consegui mais ferimentos nos pulsos.
Passei muito tempo assim.
Parecia que ninguém podia ouvir meus gritos.
Gritei até perder o fôlego e cair no chão sem forças. A dor não parou em minuto algum.
Mas eu não conseguia mais reagir.
Minha cabeça estava prestes a explodir e eu sentia meus olhos revirarem em um quase delírio.
O rosto do capitão Levi veio à minha mente por um momento.
"Se houver algo errado, pode vir até mim"
Foi o que ele disse.
Mas agora eu preciso que você venha ao meu encontro, capitão...
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Caos | Levi Ackerman
FanfictieA humanidade vivia em paz dentro das muralhas. Até que um dia, um misterioso titã aparece e destrói tudo em um piscar de olhos. As criaturas, que, para muitos, não passavam de lendas ou histórias de terror contadas a crianças, invadiram o lugar que...
