Capítulo 5

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Pensar no dia seguinte me apavorava. Eu não sabia o que esperar. Talvez acordasse e descobrisse que tudo não passara de um delírio da minha mente. Talvez ela saísse sem se despedir, e quando eu fosse procurá-la, negasse que me conhecia. Ou, pior ainda, que alguém da produção entrasse no quarto e me encontrasse ali, sozinha e nua, na cama de Anahí. A cada hipótese, meu estômago revirava.

Mas, por mais que eu lutasse contra, o cansaço me venceu. Acabei adormecendo, encolhida nos braços dela, como se me agarrar àquele corpo fosse a única forma de adiar o inevitável.

O sono, no entanto, não me trouxe descanso. Meus medos vinham disfarçados de pesadelos, me acordando de dez em dez minutos, deixando meu coração disparado. Num desses despertares, levantei com cuidado, tentando não acordá-la, e comecei a me vestir às pressas. Coloquei a calça, o sutiã, a blusa e o shorts. Era quase um instinto de defesa: se alguém entrasse no quarto pela manhã, pelo menos não me encontraria nua ao lado dela.

Deitei de novo, mas já sabia que não conseguiria dormir. Restava-me apenas abraçá-la, sentindo o calor do seu corpo, memorizando o cheiro de sua pele, gravando na mente cada detalhe do seu rosto adormecido. A cada minuto que passava, o relógio se tornava um inimigo implacável. Às sete da manhã, percebi o quanto o tempo era cruel. Eu nem sabia se tinha minutos, horas ou apenas segundos restantes ao lado dela. E, por mais que tivesse medo de como seria quando ela acordasse, eu só queria aproveitar. Nem que fosse para conversar sobre qualquer coisa, ouvir sua voz mais uma vez.

Deixei-a dormir mais um pouco, como se isso prolongasse a ilusão. Mas às oito horas, não aguentei. Inclinei-me para perto e, com a ponta dos dedos, acariciei de leve o seu rosto. Primeiro, sua bochecha quente. Depois, contornei seus lábios adormecidos, numa carícia tão delicada que até eu mesma me emocionei.

Ela demorou a abrir os olhos, lutando contra o sono. Mas quando finalmente me enxergou ali, acordada e atenta, forçou um sorriso preguiçoso, como se quisesse me devolver a tranquilidade que eu não tinha.

— Já acordou? — murmurou, com a voz rouca do sono, que soava como música para mim.

— Na verdade, eu nem dormi direito... — confessei, num suspiro.

Ela franziu o cenho, intrigada. — Não estava cansada?

— Estava... aliás, ainda estou. Mas... é o nervosismo. — Baixei o olhar, sem coragem de encarar aqueles olhos claros que pareciam ler minha alma.

Ela soltou uma risada curta, leve, como se todo aquele meu nervosismo fosse apenas uma invenção da minha cabeça.

— Que besteira! — murmurou, balançando a cabeça.

Então, sua mão deslizou pelo meu corpo e parou de repente.

— Está vestida? — perguntou surpresa. — Por que colocou a roupa?

— É... eu estava com frio. — soltei a primeira desculpa que veio à mente.

Um sorrisinho surgiu nos lábios dela.

— Então vai esquentar rapidinho...

Sem me dar tempo de responder, ela se debruçou sobre mim e começou a me beijar. Mais uma vez pude sentir o gosto dela: doce, viciante, impossível de não desejar mais. Minhas mãos foram instintivamente para sua cintura, mas o medo de apertá-la demais me fez conter a força. De tão próxima, Anahí parecia ainda menor, quase frágil demais para ser tocada.

O beijo foi diminuindo até cessar. Ela ficou me olhando em silêncio, seus olhos presos nos meus, e eu me senti exposta de um jeito que não sabia lidar. Incomodada com o peso daquele silêncio, soltei a primeira pergunta que me veio à mente.

Uma fã mais que especialHistórias para pegar e não largar. Descubra agora