Capítulo 19

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Nossas passagens foram trocadas, e nós fomos para minha cidade buscar minhas coisas e falar com os meus pais, antes de seguir viagem para o México. Eu estava tão feliz!

Quando chegamos, meu coração batia acelerado, como se tentasse acompanhar a montanha-russa de emoções que eu sentia. Abri a porta devagar, e, assim que entrei, me deparei com o olhar assustado dos meus pais. Minha mãe estava de pé, pálida, com as sobrancelhas arqueadas e os olhos marejados. Já meu pai tinha o rosto rígido, a mandíbula travada e as mãos cruzadas no peito, como quem se esforçava para conter a raiva e o alívio ao mesmo tempo.

— FILHA!!! — minha mãe, Blanca, avançou na minha direção com a voz desesperada. — VOCÊ É LOUCA DE SUMIR ASSIM??

— POR ONDE VOCÊ ANDOU??? — a voz do meu pai Fernando saiu firme, mas tremida, denunciando a tensão que ele tentava esconder.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Anahí surgiu atrás de mim, com aquele sorriso doce e o olhar tranquilo, como se estivéssemos apenas voltando de um passeio qualquer. O contraste entre a serenidade dela e o caos dos meus pais era quase cômico.

— Ai, a culpa foi minha! — disse ela, com um tom leve e divertido. — Fui eu que sequestrei a Dulce por uns dias!

O silêncio que se seguiu foi quase palpável. Meus pais a encaravam boquiabertos, como se tivessem visto um fantasma... ou, talvez, uma Diva pop internacional descendo do altar da televisão direto para a sala da nossa casa, que era exatamente o que estava acontecendo

— Desculpa por não ter avisado... — murmurei, sentindo meu rosto esquentar. — Eu estava tão aérea que esqueci de tudo...

Minha mãe piscou devagar, ainda tentando processar. Já meu pai alternava o olhar entre mim e Anahí, completamente perdido entre a bronca e o espanto.

Eles continuaram nos encarando, completamente paralisados. A tensão na sala era até engraçada, se não fosse o medo real que eu sentia de ver meu pai desmaiar ou minha mãe desabar em lágrimas a qualquer momento.

Anahí, tentando quebrar o gelo, soltou um sorriso tímido.

— É... foi tudo tão rápido! — disse, com aquele tom leve que ela usava quando queria aliviar o clima, mas que só deixava a situação ainda mais surreal.

— Pai, mãe... será que podemos sentar e conversar... nós quatro? — sugeri, a voz saindo meio trêmula.

— É, filha... a gente precisa conversar. — respondeu meu pai, com a expressão séria e o olhar ainda fixo em mim.

Eles pareciam inseguros, quase hesitantes em falar qualquer coisa na frente da Anahí. Talvez fosse o impacto de ter uma celebridade na sala da nossa casa, ou talvez o medo do que eu estava prestes a contar. De qualquer forma, dava pra ver que não se sentiam à vontade.

Eu também estava constrangida. Não tinha coragem de pedir para Anahí sair, e ela, por sua vez, permanecia sentada ao meu lado, serena e firme.

— Filha, você acha certo o que fez com a gente? — meu pai começou, tentando manter a calma, mas a tensão era visível no rosto dele. — Existe celular, internet... tantas formas de contato, e você não deu nenhum sinal de vida!

— A gente só soube que você estava viva pelas notícias e pelas suas amigas que me mandavam fotos suas, dizendo onde você estava. — completou minha mãe, cruzando os braços e balançando a cabeça, decepcionada. — Mas não sabíamos de quase nada, porque nem com elas você falou.

Suspirei, sentindo a culpa pesar no peito.
— Eu errei feio, eu sei... — admiti. — Mas é que eu fui na onda, levada pela emoção! Quando a Anahí me chamou pra ir com ela, eu não pensei em mais nada... vocês sabem o quanto eu sempre fui fã!

Uma fã mais que especialHistórias para pegar e não largar. Descubra agora