Capítulo 10

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Mesmo com todo o sofrimento que carregava no peito, uma certeza queimava dentro de mim: eu precisava ir ao hotel. Precisava olhar nos olhos dela e falar, nem que fosse para colocar um ponto final naquela história torturante.

Saí antes mesmo do show terminar, como se cada minuto a mais fosse uma lâmina girando dentro de mim. Meu corpo tremia, mas minhas pernas me guiavam sozinhas, como se soubessem que, se eu hesitasse, eu nunca mais teria coragem.

Quando cheguei, o coração quase saiu pela boca. Só de pensar que talvez meu nome não estivesse mais na recepção, que ela pudesse ter trocado por o da outra garota, o ar me faltava.

Aproximei-me da recepção com a voz falhando.

— Boa noite... meu nome é Dulce. E-eu... eu vou no quarto da Anahí. Ela pediu para eu dizer o meu nome na recepção, que você informaria o número do quarto.

A funcionária me olhou com uma expressão desconfiada. Eu mesma percebi o quanto aquilo soava como desculpa esfarrapada de fã obcecada tentando arrancar informações. Por um instante, meu estômago revirou com o medo de parecer exatamente isso: uma louca.

Ela digitou no computador, e os segundos que se seguiram foram os mais longos da minha vida. Quando finalmente levantou os olhos e sorriu, meu coração disparou.

— Sim, senhorita Dulce. O quarto é o 1045.

Naquele instante, o mundo pareceu parar. Um alívio amargo percorreu minhas veias, tão forte que quase me fez chorar ali mesmo. Então... ela não tinha me apagado. Ainda não.

Segui pelo corredor indicado, cada passo mais pesado que o outro, como se eu estivesse caminhando em direção a um destino incerto: cura ou destruição, eu não sabia. Apenas sabia que precisava chegar até ela.

Esperei duas horas. Me escondi o máximo que pude dos outros fãs, que já me reconheciam pelo rosto. Afinal, depois do almoço, meu nome e minha imagem estavam "marcados" demais para passar despercebida.

E então, quando tive certeza de que ela estava no quarto, reuni o pouco de coragem que ainda me restava. Fui até a porta 1045. Minhas mãos tremiam quando bati.

Poucos segundos depois, a maçaneta girou.

Anahí abriu a porta com um sorriso pronto... mas, ao me ver, esse sorriso se desfez em segundos. O brilho de acolhimento deu lugar a uma sobrancelha arqueada, carregada de surpresa e talvez de incômodo.

— Você? — a palavra saiu quase como um desafio.

Engoli seco, sentindo minha garganta arder.

— Será que a gente pode conversar? Mas conversar de verdade... — pedi, com a voz falhando.

Ela desviou o olhar para o relógio no pulso, como se medisse o peso do meu pedido contra a pressa. Depois, voltou os olhos para mim.

— Você acha que consegue falar tudo o que tem pra me dizer em menos de meia hora? — perguntou, seca.

Meu coração afundou.

— Por que meia hora? — questionei, quase num sussurro.

— Porque eu tenho outro compromisso. — A frieza dela me cortou.

Abaixei o rosto, respirei fundo, buscando forças onde não havia, e a encarei de novo.

— Acho que eu errei feio quando decidi ser sua fã... — minha voz tremeu, mas não recuei. — Foi a pior escolha que fiz na vida.

Não sei se foram minhas palavras ou apenas o instinto dela em preservar a própria imagem, mas vi um relance de algo diferente em seu olhar. Um silêncio denso pairou entre nós, até que ela deu um passo para trás e abriu a porta, cedendo espaço.

Uma fã mais que especialHistórias para pegar e não largar. Descubra agora