Capítulo 14

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Quando finalmente foi liberado, entramos no restaurante. O ambiente estava cheio de vozes ansiosas, mesas longas já arrumadas e o burburinho das fãs que mal conseguiam conter a animação. Eu, por outro lado, tinha os olhos fixos em um alvo: de cara reconheci a "fã especial" daquela cidade.

Ela não precisava nem se apresentar. O destaque era automático. A menina parecia saída de uma capa de revista, tão linda que quase doía de olhar. Rose. Loira, alta, pele impecável, traços marcantes... e um vestido branco tão curto e colado que mais parecia feito para provocar do que para vestir. As costas completamente nuas deixavam claro que havia mais pele do que pano.

Rose não trocou uma única palavra comigo. Mas não precisava: o olhar dela dizia tudo. Havia desprezo escancarado em cada vez que seus olhos me atravessavam, como se eu fosse uma intrusa que estava ocupando um lugar que deveria ser dela.

E então, o caos se instalou: Anahí entrou.

O restaurante quase veio abaixo. Gritos, palmas, celulares levantados... um alvoroço coletivo que fazia o ar tremer. E lá estava ela, sorrindo, iluminando tudo, distribuindo abraços um a um. Eu acompanhava cada passo, o coração batendo rápido, esperando pelo momento que mais temia: o abraço em Rose.

Quando finalmente chegou a vez, Anahí a viu e o sorriso dela mudou. Não era apenas simpatia, havia reconhecimento. Rose, por sua vez, pareceu florescer inteira naquele instante, abriu um sorriso largo, quase de triunfo, e se lançou nos braços dela.

Elas ficaram abraçadas por longos vinte e sete segundos. Sim, eu contei. E cada segundo foi como uma lâmina me cortando por dentro. Vinte e sete segundos são uma eternidade quando se trata da pessoa que você ama nos braços de outra.

Rose aproveitou cada milésimo: eu vi seus lábios se moverem, sussurrando algo no ouvido de Anahí, e, antes mesmo da resposta, ela recebeu um beijo no rosto. Um beijo demorado, firme, que fez meu estômago revirar.

Quando finalmente Anahí seguiu para abraçar a próxima fã, Rose virou-se para mim já me fuzilando. O olhar dela era um disparo direto, frio e venenoso, como se me lembrasse de que a presença dela não era à toa.

E então chegou a minha vez. O meu abraço com Anahí era o mais esperado por todas, eu sentia isso no ar. O salão inteiro pareceu segurar a respiração, numa expectativa quase palpável de como seria o nosso encontro diante de tantas testemunhas.

Ela me viu e sorriu de um jeito que dissolveu, por um segundo, todo o veneno de Rose. Eu não resisti e sorri de volta antes de me lançar em seus braços.

Um coro imediato explodiu:

— Huuuuum! — eufórico, em uníssono.

Algumas fãs suspiraram em alto e bom som:

— Que lindas!

— Elas são fofas juntas!

Anahí se inclinou e murmurou no meu ouvido, a voz baixa só para mim:

— Já temos algumas fãs...

— Portiñons — respondi, entre riso e carinho.

Ela soltou uma risadinha.

— Ótimo.

Nosso abraço foi rápido demais para o que eu queria, mas intenso o bastante para arrancar gritos. E então veio o coro:

— Beijo! Beijo!

Anahí levantou as mãos, rindo, tentando conter o alvoroço:

— Gente! Toda hora?

Uma fã mais que especialHistórias para pegar e não largar. Descubra agora