Quando chegou a hora de se despedir, todas começaram a perguntar sobre a tal surpresa. Naquele momento, eu já havia até esquecido o que era.
— Verdade! — disse Anahí, com aquele sorriso travesso — Bom, a surpresa é que eu vou contar um segredo para cada uma, no ouvido de vocês!
— Um segredo diferente para cada uma? — perguntou uma das meninas, os olhos brilhando de curiosidade.
— É! — respondeu Anahí, rindo — Vai ser diferente! Mas não pode contar depois! Bom, vamos lá! — Ela pegou a mão da menina que estava em seu outro lado e se levantou com ela. — Vamos nos afastar um pouco, para ninguém ouvir.
Ela se afastou com a menina e sussurrou algo no ouvido dela. Só o fato de Anahí chamar alguém e cochichar perto delas já era motivo de delírio para todas. Você precisava ver como estavam eufóricas, os olhares brilhando, os sorrisos de felicidade Parecia que cada segredo era uma faísca acendendo a animação de todas.
Anahí chamava "próxima", e cada menina que voltava dizia coisas como "Nossa, eu imaginava!", "Sempre soube!", "Eu sabia!".
Confesso que, por um momento, senti medo e até quis que minha vez nunca chegasse. Mas, inevitavelmente, chegou. Meu coração disparou como sempre, e eu me senti exposta, vulnerável... e ao mesmo tempo, impossível não estar curiosa sobre o que ela tinha para me contar.
Aproximei-me dela, e ela sorriu, pegou minha mão e me puxou para mais perto. Aquilo ela não tinha feito com ninguém. Seus dedos deslizaram até minha cintura, e ela se inclinou, sussurrando baixinho no meu ouvido:
— Estou hospedada no quarto 311, dá uma passadinha lá depois do show!
Fiquei em choque. Meus olhos se arregalaram, e ela me puxou novamente, com um sorriso travesso.
— Não precisa ficar assustada! — disse, ainda baixinho. — Passa lá só pra gente conversar... você quase não falou aqui.
Ela se afastou, piscando para mim, como se me pedisse para guardar segredo. Depois disso... não me pergunte, porque eu realmente não lembro de mais nada. Estava tão confusa que nem percebi quando ela se despediu do pessoal. Fiquei parada, sem abraçá-la, e ela apenas acenou de longe, dando tchau.
Quando saímos, todas as meninas comentavam sobre o tal segredo que, para todas, era o mesmo: "É verdade, eu já namorei com Alfonso Herrera". Perguntaram se esse também tinha sido o meu, e eu confirmei, mesmo ainda em choque, com o coração acelerado e a mente em turbilhão.
Mas a verdade é que aquilo não saiu da minha cabeça o dia inteiro. A dúvida me consumia: eu deveria ir ou não ao quarto do hotel? Ela tinha deixado claro, muito claro, quais eram suas intenções comigo.
Por horas, fiquei dividida. Em alguns momentos pensava em ir embora e fingir que nada havia acontecido, como se fosse apenas um delírio da minha imaginação. Em outros, sentia que deveria aproveitar cada segundo, me deixar levar pela oportunidade única de viver algo que parecia impossível.
Não tive coragem de comentar nada com as minhas amigas. Se soubessem, espalhariam a notícia, e quem poderia prever a reação de Anahí se isso chegasse aos ouvidos dela?
Fiquei na porta do meet até a última pessoa entrar, tentando criar coragem. Finalmente respirei fundo e decidi vê-la. O meet era rápido, com Guillermo, seu empresário, estava despejando milhares de instruções sobre o que não podíamos fazer. Mas eu mal escutava. No fundo, sabia que não faria nada além do que já estava planejado: chegar perto dela, encostar, tirar a foto... e sair.
Quando chegou a minha vez, ela me viu de imediato. Seus olhos brilharam, e um sorriso lento e cheio de segundas intenções surgiu em seus lábios.
— Aqui também? Que bom... — disse, a voz suave, quase um sussurro só para mim. — Achei que só te veria de noite.
Meu corpo travou. Dei um sorriso tímido e permaneci parada, mas ela não hesitou. Puxou-me para um abraço forte, pressionando sua mão firme na minha cintura.
— Lembra o apartamento, não é? — murmurou em meu ouvido, tão perto que sua respiração quente fez minha pele arrepiar.
— 311... — respondi quase sem ar, sentindo meu coração disparar de novo.
— Ótimo! — sussurrou, apertando-me ainda mais contra ela. — Não vejo a hora de te apertar direito... sem ninguém olhando.
Um arrepio insano percorreu meu corpo, e eu estremeci nos braços dela. O abraço já estava longo demais, e Guillermo teve que nos separar, colocando-nos de frente para a câmera.
Sorri? Não. A foto escancarava meu nervosismo. Eu simplesmente não conseguia. Minha mente estava dominada por ela, pela promessa perigosa e tentadora que ecoava sem parar nos meus pensamentos.
— Qual o seu nome mesmo? — ela me perguntou.
— Dulce Maria...
— Certo, vou deixar avisado na recepção!
Ela me deu um beijo no rosto, e eu saí tremendo, com medo real de ter uma convulsão a qualquer momento.
Saí do meet mais transtornada do que entrei! Aquilo estava me matando. Nunca tinha pensado em ficar com uma mulher, muito menos em ser tocada por uma.
E agora olha só o dilema: essa mulher era a Anahí!
A mesma Anahí que cobria as minhas paredes com pôsteres, que eu tinha em milhões de fotos, que sempre sonhei em conhecer.
Ironia cruel do destino: eu sonhava em abraçá-la, e agora ela queria muito mais comigo. E eu? Eu estava em choque, tentando fugir. Vamos ser realistas: essa história era surreal demais. Eu nunca me preparei para algo assim.
Fui para o show, mas não vi nada. Só pensava se deveria ou não ir ao hotel.
O show voou, rápido demais. Deveria ter durado dias, para que eu tivesse tempo de me decidir.
Sem saber o que fazer, fui parar na porta do hotel. Para qualquer um, minha dúvida pareceria mentira, afinal, lá estava eu, correndo atrás dela outra vez.
Mas como não ir? Era minha chance de vê-la de novo. Que fã recusaria isso?
Foi então que decidi: eu iria sim ao quarto dela, mas apenas como fã. Bateria na porta, conversaria, pediria autógrafo, tiraria mais uma foto e pronto. Quando ela tentasse ultrapassar qualquer limite, eu diria com clareza: "não quero". Simples assim.
Respirei fundo e tentei me acalmar. Mais uma vez. Em vão.
Minha mente era um campo de batalha: de repente, me via nua, deitada, esperando Anahí na cama... ou imaginava uma noite quente com ela, suas mãos percorrendo meu corpo. E, no segundo seguinte, eu mesma apagava essas imagens, como quem apaga fogo com um balde de água gelada.
Cheguei à recepção e falei meu nome. Havia várias fãs tentando entrar no hotel, inclusive amigas minhas, que gritavam meu nome, chamando por mim. Eu fingi que não as ouvia, como se meu corpo tivesse entrado em modo automático.
Apertei o botão do elevador. Enquanto subia, eu repetia mentalmente: "Sou apenas uma fã indo abraçar meu ídolo. Apenas isso."
Mas, quando o elevador parou, meu coração disparou como se fosse explodir dentro do peito. Ah, se eu pudesse controlar meu corpo!
Corri os olhos pelos números nas portas até encontrar o 311. Ali estava. Uma simples porta de madeira que, para mim, parecia o portal de outro mundo. Fiquei parada diante dela por longos minutos. Dez? Talvez mais. O tempo se distorcia junto com a coragem que eu não encontrava.
Por fim, levantei a mão e bati tão fraco que, no fundo, torci para que ela não escutasse.
Mas escutou.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Uma fã mais que especial
RomanceAnahí é uma artista conhecida internacionalmente, faz sucesso cantando, atuando e arrastando multidões de fãs por onde passa. Entre seus fãs está Dulce Maria, que sonha em conhecer sua grande ídola e acaba sendo surpreendida pelo acaso. O que você f...
