Eu estava tão encantada com ela que sentia meu sorriso escapar, quase bobo, sem que eu conseguisse controlar. Anahí estendeu a mão devagar e passou a ponta do dedo pela minha bochecha, num gesto suave que fez minha pele arrepiar. Sorriu para mim, mas logo recuou, entrelaçando seus dedos nos meus e acariciando o dorso da minha mão com delicadeza.
— Eu já te confessei isso, que sou uma ninfomaníaca. — disse em tom baixo, como se admitir aquilo fosse um fardo. Seus olhos caíram por um instante, e ela sorriu de canto antes de erguer novamente o olhar para mim. — Obcecada por sexo, esse sempre foi o meu jeito. Mas, mesmo com seu corpo sendo... irresistivelmente tentador, eu não senti falta de sexo essa noite.
— Sério? — perguntei, sorrindo de volta, sentindo o coração acelerar como se tivesse recebido o maior presente do mundo.
— Sim. Você me fez me sentir completa de outra forma. — ela respondeu com uma sinceridade que atravessou meu peito.
Eu queria abraçá-la, pular, comemorar em voz alta. Mas fiquei quieta, absorvendo cada palavra, porque não era só por mim que eu vibrava, era por ela também. Afinal, tudo o que uma fã deseja é ver sua ídola feliz de verdade.
— Essa noite eu pensei muito em tudo que você me disse... — ela continuou, a voz embargada por uma reflexão rara de se ouvir dela. — Eu nunca tinha me dado conta de como usava as pessoas, do quanto desvalorizava os outros... e a mim mesma. Meu corpo parecia ser de todo mundo, e eu não estava me valorizando.
Segurei mais firme suas mãos e a encarei.
— Any, ontem, a gente conversou e foi tão bom! É dessa Anahí que eu sou fã. Se eu aceitei ir pra cama com você aquela vez, foi por causa dessa Anahí que apareceu ontem, não daquela que só me queria para sexo.
Ela suspirou, pensativa, deixando a sinceridade pesar no ar.
— É... — murmurou, refletindo. — A facilidade da fama me fez querer todas, mas... pertencer a alguém faz tanta falta.
Eu sorri, acariciando seu braço.
— E você é tão linda, Any! Não tem por que se maltratar desse jeito.
Anahí abaixou a cabeça, como se estivesse absorvendo minhas palavras. Um sorrisinho tímido surgiu em seus lábios, diferente de todos os outros que eu já tinha visto dela no palco ou nas entrevistas.
— Você não faz ideia do quanto eu precisava ouvir isso... — disse baixinho, erguendo os olhos azuis para os meus. — Eu sempre tive tanta gente ao meu redor... e, ao mesmo tempo, sempre me senti tão sozinha. Todo mundo sempre me vê como perfeita, como a estrela, como alguém que não sente nada além de força. Mas você... você me enxerga de verdade.
Ela apertou de leve minhas mãos, quase num pedido silencioso para eu não soltar.
— Obrigada por me lembrar que eu ainda sou só a Anahí. E que, mesmo assim, posso ser... amada.
Tenho certeza que meus olhos brilharam ao ouvir aquilo. Porque foi ali que eu percebi que ela conseguia de verdade entender que o que eu oferecia era amor. Sem conseguir me conter, eu a abracei.
— Eu amo você! Muito! E cada vez mais!
Ela me apertou em seu abraço em silêncio. Mas eu não levei esse silêncio como algo ruim. Pelo contrário, senti que ela estava absorvendo cada palavra, como se precisasse deixar aquilo se encaixar dentro dela antes de responder. Não havia desprezo, não havia indiferença... havia acolhimento.
O jeito como ela me segurava dizia mais do que qualquer frase poderia dizer. Seu abraço não era só físico; era como se fosse um agradecimento silencioso, uma forma de me mostrar que minhas palavras tinham encontrado um espaço dentro dela.
Eu fechei os olhos e deixei meu rosto encostar em seu ombro, sentindo a respiração calma que contrastava com a avalanche de emoções que me atravessava. Era nesse silêncio compartilhado que eu percebia: eu estava conseguindo alcançar a Anahí de verdade.
Depois de alguns segundos naquele silêncio pesado de sentimentos não ditos, ela soltou o ar devagar, como se estivesse se libertando de algo que a prendia por dentro. Então afastou o rosto, apenas o suficiente para que seus olhos encontrassem os meus de um jeito profundo e sinceros, quase pedindo uma resposta que não fosse apenas uma palavra, mas uma entrega. Suas mãos continuavam firmes nas minhas, quentes, transmitindo uma segurança que me desarmava por completo.
— Você vai comigo? — ela perguntou, a voz doce, mas carregada de expectativa.
Meu coração disparou, mas não hesitei.
— Vou.
O sorriso que se abriu em seu rosto foi tão lindo que parecia iluminar todo o quarto.
— Oba! — ela vibrou e me puxou de volta para dentro de seu abraço.
Ficamos assim por alguns instantes, grudadas, ouvindo apenas nossas respirações e os batimentos acelerados que se confundiam. Quando, enfim, nos afastamos do abraço, algo simplesmente aconteceu. Foi inevitável. Nossos olhares permaneceram presos, e eu não consegui resistir. Fui eu quem tomou a iniciativa, me inclinando devagar e encostando meus lábios nos dela.
Mas não foi um beijo apressado, nem tomado pela urgência. Foi um beijo suave, carinhoso, cheio de mimo, cuidado e uma doçura que parecia nos envolver por inteiro. Era como se cada segundo fosse precioso demais para ser desperdiçado com pressa.
A sensação era indescritível. Eu nunca tinha beijado assim, nunca tinha sentido meu corpo inteiro vibrar em sintonia com outra pessoa. Apertei a cintura dela com força, querendo gravar aquele momento em mim, enquanto ela, como resposta, me puxou ainda mais contra seu corpo, como se quisesse nos fundir em um só.
Entre um beijo e outro, trocamos vários selinhos, leves, quase infantis, e rimos juntas: cúmplices, encantadas, como se estivéssemos descobrindo o amor pela primeira vez.
Voltamos a nos beijar, e dessa vez ela não conseguiu se segurar. Suas mãos deslizaram pelo meu corpo com uma intensidade que me fez arrepiar inteira. Cada aperto, cada toque, parecia incendiar minha pele. Era impossível não me sentir excitada, impossível não corresponder... mas dentro de mim algo gritava: se eu ceder agora, tudo pode voltar a ser como antes. E eu não queria perder o que estávamos construindo.
Reuni forças, interrompi o beijo e a afastei levemente.
— Ai! — ela riu, ofegante, mordendo o lábio. — Eu já estava me empolgando!
— Percebi. — respondi, tentando soar firme, mesmo com meu coração em chamas.
— É que... seu beijo me fez lembrar da gente juntas. — ela confessou, olhando nos meus olhos com desejo escancarado. — E me fez morrer de vontade!
Meu olhar caiu para o chão. Sim, eu também estava com vontade, mas tinha medo de me decepcionar novamente. Foi então que senti seus dedos delicados tocarem meu queixo, erguendo-o de volta. Ela me deu um selinho leve.
— Pode ficar tranquila que eu não vou estragar tudo, tá bom? — garantiu, com um sorriso. — Bom, vamos arrumar as coisas para irmos? Vem, quero que você escolha uma roupa minha pra usar.
Ela segurou minha mão e me puxou até a mala aberta no chão. Peguei algumas roupas para experimentar. Apesar de termos praticamente a mesma altura, ela era bem mais magra que eu, o que deixava as roupas um pouco justas em mim... justas e inevitavelmente mais ousadas.
Quando saí do banheiro vestindo uma delas, vi seus olhos percorrerem meu corpo devagar, de cima a baixo. Ela riu baixinho, mordendo o canto da boca.
— Espero que meu autocontrole continue firme... — provocou, em tom de brincadeira, mas seus olhos diziam tudo.
De verdade? Eu também esperava...
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Uma fã mais que especial
RomanceAnahí é uma artista conhecida internacionalmente, faz sucesso cantando, atuando e arrastando multidões de fãs por onde passa. Entre seus fãs está Dulce Maria, que sonha em conhecer sua grande ídola e acaba sendo surpreendida pelo acaso. O que você f...
