Quando finalmente chegou a minha vez, minhas pernas quase falharam. Eu tremia tanto que mal conseguia dar um passo à frente. O coração martelava descontrolado, as mãos suavam, e por um instante pensei que fosse desmaiar ali, na frente de todo mundo.
Então ela me olhou. Dos pés à cabeça, com aquele olhar naturalmente sedutor, sem o menor esforço. Os olhos azuis dela eram tão intensos que pareciam atravessar a minha pele e ler tudo o que eu tentava esconder. Eu não sabia se sorria, se chorava ou se simplesmente fugia dali.
O sorriso dela surgiu lento, cheio de charme, e foi como se todo o ambiente tivesse desaparecido. Eu só enxergava ela. A cada segundo que aquele olhar permanecia sobre mim, eu me sentia ainda menor, ainda mais exposta, como se não houvesse nada no mundo capaz de me proteger daquela avalanche de sentimentos.
Era impressionante como ela mexia comigo. Uma mistura de medo, desejo e rendição, tudo de uma vez só. E era mais impressionante ainda como na frente dela eu simplesmente me esquecia de toda a raiva que tinha sentido ou toda humilhação que ela me fez passar.
— Mais linda do que eu lembrava! — disse com aquele sorriso irresistível.
— Any!!! Que saudade! — consegui murmurar, mesmo com a voz embargada.
— Eu também estava, querida! — respondeu antes de me envolver num abraço.
Foram apenas três segundos, mas para mim pareceram duas horas inteiras, um tempo suspenso em que nada mais existia além do calor do corpo dela e o perfume doce que me envolvia por completo.
— Não vejo a hora de chegar a noite! — sussurrou perto do meu ouvido antes de se afastar.
Meu coração apertou tanto que fiquei sem ar. Eu queria responder, dizer qualquer coisa, mas as palavras simplesmente não saíram. Vi ela seguir para abraçar as outras meninas e senti minhas pernas tremerem ainda mais. Era uma mistura cruel: uma alegria quase insuportável por ter vivido aquele instante, e uma dor lancinante por saber que não era só minha, que cada uma ali também receberia aquele mesmo olhar, aquele mesmo abraço, aquele mesmo sorriso. E pior... que outras meninas receberia um tratamento especial pós-show.
Diferente daquela vez, sentamos bem longe da Anahí. De qualquer modo, já estava tudo organizado, e cada uma tinha seu número de cadeira. A minha era a 8. Na hora, confesso que não gostei... eu queria estar perto dela... mas ao mesmo tempo agradeci por essa distância. Se ela tentasse repetir o que havia feito da outra vez, aquela mão ousada embaixo da mesa, eu não teria condições de disfarçar o quanto meu corpo reagia. Eu estava nervosa demais.
Durante as primeiras três perguntas, eu simplesmente não ouvi nada. As vozes chegavam aos meus ouvidos como se viessem debaixo d'água, abafadas, distantes. Meu coração batia tão forte que parecia ocupar todo o espaço dentro de mim. Só despertei quando a quarta menina fez uma pergunta inesperada:
— Anahí, você pode explicar pra gente como é beijo técnico?
— Explicar? Como eu vou explicar? — ela respondeu rindo, aquele riso que arrepiava cada pedaço da minha pele.
— Ah, dá uma dica, eu quero ser atriz também. Sempre fiquei na dúvida de como é o beijo técnico! — insistiu a fã.
Anahí apoiou o cotovelo na mesa e sorriu maliciosa:
— Bom, não tem muito segredo! Mas é difícil explicar só falando... vou fazer melhor: vou mostrar pra vocês o que é um beijo técnico.
O salão inteiro reagiu num coro surpreso de "quê???" misturado com risadinhas nervosas.
— É, vou mostrar... vamos ver... — ela disse, e em seguida deixou o olhar passear por cada uma de nós, como se estivesse contando, escolhendo, decidindo quem seria a modelo daquele experimento.
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Uma fã mais que especial
RomansaAnahí é uma artista conhecida internacionalmente, faz sucesso cantando, atuando e arrastando multidões de fãs por onde passa. Entre seus fãs está Dulce Maria, que sonha em conhecer sua grande ídola e acaba sendo surpreendida pelo acaso. O que você f...
