Capítulo 16

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Assim que a porta se fechou atrás da Rose, um silêncio pesado caiu no quarto. Meu coração batia tão forte que parecia querer escapar do peito. Anahí se afastou lentamente, cruzou os braços e se sentou na beira da cama. O rosto dela continuava sério, cada traço marcado pela tensão do que tinha acabado de acontecer.

Com um suspiro nervoso, eu me aproximei e também me sentei, tentando manter a voz firme.

— Any, me conta tudo o que te disseram, por favor! — minha súplica saiu carregada de desespero.

Anahí virou o rosto em sua direção, os olhos azuis faiscando de mágoa.

— Você vai fingir que não aconteceu nada. — disse com amargura, quase cuspindo as palavras.

Respirei fundo, engolindo seco, e respondi com firmeza:

— Tudo o que for mentira, farei questão de desmentir! Agora... se tiver alguma verdade, eu vou te falar também! Não faço questão de que você acredite em mim, mas quero ir embora sabendo tudo o que aconteceu!

Houve uma pausa. O ar parecia denso, como se a qualquer momento pudesse explodir em mais uma briga. Anahí passou a mão nervosamente pelos cabelos, respirou fundo e, ainda irritada, começou:

— Certo! Bom... — o tom dela era duro — primeiro: você dando em cima daquele cara no avião!

Arregalei os olhos, surpresa. Como assim ela ainda acreditava nessa ideia?

— Dando em cima???

— É! — Anahí rebateu sem hesitar, olhando direto nos meus olhos, como se procurasse uma mínima hesitação que confirmasse a culpa.

Balancei a cabeça, confusa e com uma raiva quente subindo pela garganta em uma mistura de indignação e um medo que apertava o peito como um nó.

— O que o Guillermo te disse? — perguntei, já com a voz trêmula, um fio de desespero escapando.

Ela me olhou como quem não tolera mais desculpas frouxas.

— Ele não disse nada!!! Eu vi!!! — cortou, seca.

A frase caiu como uma pedra. Eu respirei rápido, tentando organizar as palavras que se embaralhavam na minha cabeça.

— Tá, você viu. Mas o que ele disse? — insisti, tentando manter uma calma que eu não sentia.

Anahí não desgrudou os olhos de mim, e a ira que eu via neles era real, perigosa.

— Ele disse que você estava toda felizinha com ele. E eu vi isso. Você estava adorando. — falou, e havia no "adorando" um desprezo que eu senti até na pele.

Uma raiva cega me veio. Queria levantar, ir até o quarto do Guillermo e arrancar cada sílaba que ele tivesse proferido. Senti a vontade de gritar, de quebrar algo.

— Ai, não acredito! — soltei, a voz saindo como farpa. — Eu juro, Any, eu não fiz nada!

Mas o golpe não parou ali. Ela continuou, com o olhar que me perfurava.

— O pior foi você e a aquela mulher — disse, como se jogasse mais gasolina no fogo.

Meu coração bateu mais rápido. Já sabia pra quem ela olhava.

— A Natasha? — falei, controlando o tremor nas mãos.

— Como você pode fazer isso??? — a pergunta veio tão cortante que me fez recuar um passo.

Meu rosto queimou. Eu precisava de ar.

— Isso o quê, Any? — rebati, sem entender onde ela queria chegar.

Uma fã mais que especialHistórias para pegar e não largar. Descubra agora