da perda ao mistério

90 15 12
                                        

— Tem certeza que você não deixou em algum lugar? — perguntou Adrien, para Manon.

A morena estava sentada em uma das poltronas da sala de estar, olhando as mãos, nervosa. Era uma manhã de sábado e ela estava extremamente cansada, mas a mãe a acordou cedo, dizendo que Marinette e Adrien precisavam dela com urgência. Pensou que eles pediriam para ela cuidar da Emma por causa de alguma emergência, mas a chamaram para perguntar de um broche, o qual ela havia pegado e esquecido.

— Eu lembro de ter pegado e colocado no bolso da minha jaqueta. Eu ia devolver, mas eu esqueci — respondeu, sentindo-se culpada. Os olhos dela estavam marejados, com medo de ter perdido algo importante do casal.

— Tem certeza que não está na sua jaqueta ou você deixou cair? — o loiro continuou perguntando.

— O bolso tem zíper e tava fechado... 

— Já era, Adrien... O novo Hawk Moth já deve ter pegado — disse Marinette, falando algo pela primeira vez em bastante tempo de diálogo. Aquilo parecia mentira. Ela sabia que iria acontecer, mas no fundo esperava que não. Agora que havia acontecido, ela não sabia como reagir.

— Novo... Hawk Moth? Do que vocês estão falando? — questionou, Manon.

— Precisamos ser sinceros com você... — falou Adrien. — Nós somos a Ladybug e o Chat Noir.

— O QUÊ!? — A menina os olhou, surpresa. Marinette assentiu fraco, desviando o olhar. — E-então... VOCÊS CASARAM MESMO! VOCÊS ESTÃO JUNTOS! EU SEMPRE SHIPPEI VOCÊS!

— Obrigado — disse Adrien, sorrindo.

— Parece que vocês esqueceram que um caos está prestes a acontecer — falou a mestiça, desesperada.

— Não sabemos quem pegou... — pronunciou o loiro. — Pode ter sido qualquer um. E pode demorar para ela ou ele se manifestar.

Marinette se levantou, suspirando de cansaço. Subiu as escadas sem falar nada, deixando Manon e Adrien conversando na sala. O loiro a acompanhou com um olhar triste, antes de voltar a falar com a morena à sua frente. Já a mestiça, quando saiu da vista deles, contorceu o rosto em um sentimento de dor. A ficha estava caindo para ela. Ela realmente perdeu o miraculous da borboleta e não tinha o que fazer.

Entrou no banheiro do quarto deles, mordendo o lábio inferior com força, numa tentativa falha de reprimir o choro. Isso só fez a sua garganta doer e os olhos marejarem, com a ardência.

Olhou-se no espelho do cômodo, vendo seu reflexo acabado. Os olhos inchados, o rosto vermelho, as olheiras e as lágrimas. Fungou, olhando sua imagem por um tempo. Abriu a primeira gaveta da mesinha da pia, achando uma tesoura. Olhou-se no espelho outra vez, já chorando, só que baixinho. Inspirou fundo, antes de soltar seu cabelo do rabo de cavalo em que estava. Ele estava tão longo e demorou anos para crescer. Dava muito trabalho para cuidar e a maciez e tamanho eram motivos de orgulho para ela.

Sentindo-se consumida pela vontade de se livrar de qualquer peso, puxou uma mecha da frente e a cortou. Viu os fios caírem sobre a pia e se olhou no espelho. Fez o mesmo com outras mechas, enquanto chorava ainda mais. 

Depois de cortar todo o cabelo, apoiou as mãos na pia e chorou, externando toda a dor que estava sentindo.

Ela se considerava uma péssima guardiã, uma péssima heroína. Não importa que aquilo já estava destinado a acontecer. Só aconteceu por sua negligência, nessa ou na outra linha. A culpa toda era dela. Somente dela.

Ouviu umas batidas na porta e segurou o choro.

— Mari? Você tá bem? — perguntou Adrien, preocupado.

Ela colocou a mão na boca, chorando baixinho.

— A Manon foi embora. Ela prometeu que vai guardar o nosso segredo.

Ele não ouviu resposta da mestiça, mas conseguia escutar seu choro baixo. Encostou a testa na porta, triste com aquilo. Ele sabia que não seria fácil para ela. Desde sempre, a responsabilidade recaiu sobre a azulada, como guardiã, como heroína, como representante de classe ou como mãe. Ela tinha esse senso de querer fazer tudo certo e nunca errar, mesmo vendo várias vezes que aquilo era impossível.

— Amor, abre a porta... — pediu. — Vamos conversar?

Houve um momento de silêncio, antes dele ouvir ela destrancar a porta. Encarou a maçaneta, até ela ser virada pela azulada e a porta ser, finalmente, aberta. Levantou o olhar, esperançoso. Paralisou ao ver o que Marinette havia feito. Nunca havia visto ela com o cabelo tão curto. Tanto quanto o seu. Olhou para a pia, vendo as mechas escuras dela lá.

— Não precisa falar nada — ela falou, juntando o cabelo da pia, com as mãos.

Adrien se aproximou dela e a abraçou. Tocou o cabelo dela, acariciando sua raiz com os dedos, o que bagunçou as curtas mechas. Ele beijou o topo da cabeça dela, enquanto a mesma retribuía seu abraço fortemente, deixando-se chorar como antes. A tremedeira e as fungadas faziam o coração do loiro apertar. Ele odiava ver sua esposa assim.

Ele se afastou dela para encarar o rosto da mesma.

— Eu achei que você ficou linda — disse, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha dela. — E você sabe que eu nunca minto pra você, meu amor. — Juntou seus lábios aos dela, em um selinho lento, e tocou suas testas depois. Ficaram assim por um tempo.

— Eu tô tão cansada... — falou, ainda com os olhos fechados e sua testa apoiada na dele.

— Você precisa dormir — ele disse, afastando-se para olhá-la.  — Ficou acordada a noite inteira... Isso não vai te fazer bem. — Pegou nas mãos dela e começou a caminhar para trás, guiando-a para fora do banheiro.

Marinette o abraçou, caminhando em direção à cama junto ao loiro. Ele se deixou cair no colchão e a mestiça se pôs ao seu lado. Passou a mão pelo cabelo recém cortado, sentindo-se estranha.

— Quer fazer alguma coisa diferente mais tarde? — indagou, o loiro. — Podemos assistir um filme aqui no nosso quarto, com a Emma. Ela vai adorar — disse, esboçando um sorriso, ao pensar na pequena.

A esposa retribuiu o sorriso, pensando na possibilidade.

— Pode ser... Eu gosto de passar momentos com vocês — falou, virando seu corpo para o marido, deitando a cabeça sobre o ombro dele. Adrien a abraçou.

— São os meus favoritos — disse, acariciando o braço dela.

— MAMÃÃÃÃE!!! — Ouviram Emma chamar do quarto dela, junto a um choro matinal. Afinal, eram cerca de sete da manhã. O horário que a pequena acordava para tomar mamadeira.

— Eu vou — pronunciou Adrien, dando um beijo na testa da esposa, antes de se levantar. — Vê se dorme — falou, gesticulando um sinal de vigilância, antes de sair.

Marinette sorriu, cobrindo o corpo. Ajeitou-se na cama e fechou os olhos, pensando em coisas boas, até cair no sono.

FutureOnde histórias criam vida. Descubra agora