Manhattan, New York, 2025.
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Minha vida nunca foi lá a mais incrível de todas. Sou filha única de um casal separado, criada apenas pela minha mãe enquanto o meu pai eu nem sei se ainda está vivo. Sempre estudei em escolas privadas, embora a minha família não tivesse uma condição financeira muito boa. Sempre fui rodeada de amigos mas nunca confiei muito neles, a única na qual ponho a mão no fogo é a minha amiga do colegial e agora assistente, Tessa Levinson. Ambas fomos contratadas pelo The New York Times há uns anos atrás, somos mestrandas em literatura e jornalismo e esse era o emprego dos nossos sonhos. Após muita luta, experiência e puxação de saco, fui promovida a editora chefe, ganhando de brinde um puta escritório de vidro no 50° andar, com uma visão incrível para "a cidade que nunca dorme".
Não tenho namorado, ficante ou qualquer coisa que seja. Na verdade, sou péssima com homens. Não sei flertar e nem manter uma conversa, por isso, acho que espanto todos eles sem querer. Tessa vive empenhada em sua missão de me arrastar para boates todo final de semana, mas ou eu furo, ou não faço nada lá. Geralmente, me sento à beira do bar e faço amizade com a atendente. Conversamos durante todo o baile e na hora de ir embora, ainda tenho que carregar a minha melhor amiga bêbada. Vida social atraente, não é? Eu sei. Pelo menos tenho um bom apartamento na Fifteenth Avenue, junto dos burgueses mas não fazendo parte deles. Dirijo uma BMW que, na verdade é meu primeiro carro, e infrinjo todas as leis de trânsito possíveis. Moro sozinha. Quer dizer, não tão sozinha. Tenho uma espécie de biblioteca só para mim em casa e um cãozinho chamado Jordy. Gosto de me sentar de frente para a janela todas as noites, observar o mundo lá embaixo e me perguntar a onde exatamente eu pertenço. Vinte e oito anos de idade e ainda não descobri. Meu nome? Emily Sullivan.
Aqui estou eu em mais uma rotina de trabalho, com pilhas e mais pilhas de papéis transbordando a minha mesa. No rosto, um óculos de vista, nos dedos, minha caneta folheada a ouro favorita. Tudo parecia me estressar, até o menor detalhe. Não conseguia me concentrar por mais que precisasse muito, afinal, estava editando uma matéria importantíssima e se não conseguisse entregá-la a tempo, seria jogada aos porcos pelo meu chefe.
一Inferno! 一exclamo quando percebo que as coisas não estão saindo do jeito que quero, largando a caneta de lado e esfregando as duas mãos no rosto.
Tessa adentra com uma bandeja de café nas mãos.
一Calma, princesa, por que tanto estresse?
Ela caminha até o outro lado da sala, pondo a bandeja prateada sobre uma pequena mesa de mármore. Pega uma xícara e traz até mim, posicionando-a ao meu lado.
一Se você soubesse o quanto isso aqui tá insuportável, não me faria essa pergunta.
一Ei ei ei, nada de me dar fora, eu te trouxe cafezinho 一se senta na cadeira de frente para mim.
Bufo, pegando a xícara delicada nos dedos e a levando à boca cuidadosamente para não queimar.
一Eu preciso de umas férias! Minha cabeça qualquer hora dessa vai explodir.
一Eu sei, mas infelizmente ainda faltam seis meses para isso, então, aguente firme.
一Por favor, não me lembra...
一Não sei porquê reclama tanto, esse era o seu sonho. Muitos jornalistas literários dariam a vida pra estarem no seu lugar, sabia?
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Com amor, Emily.
Romance1857. O ano em que Emily Dickinson (Hailee Steinfeld), uma poetisa na qual o mundo nunca viu igual, se encontra em um particular dilema: encontrar um marido ideal para enfim sair da casa de seus pais. É claro que a mesma nunca quis nada disso, óbvi...
