Prólogo

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Algumas histórias começam pelo início, outras pelo fim. Já eu, bom, vou começar por aqui. Estava um dia lindo, digno de filme, o céu azul, o sol brilhando, as árvores balançando em total harmonia com o vento e a natureza dando seu espetáculo diário, fazendo qualquer um sorrir. Posso dizer que estava perfeito para algumas pessoas, mas para a nossa querida Julie, não estava. Ela não tinha motivos pra sorrir e muito menos para apreciar o dia, ela corria sem olhar para trás com os olhos embargados, sem chão, completamente sozinha. Ela não ligava se estava parecendo uma louca ou se esbarrava em pessoas pelo caminho, ela só, corria pelas ruas de Los Angeles. Corria como se não tivesse amanhã, completamente perdida, presa em seu mundo, sem nem pensar em sair dele. A cacheada ia ao encontro da única pessoa que lhe entendia, que lhe acalmava, que lhe dava colo e poderia lhe dizer que estava tudo bem. 

Correu e correu, não parou por um segundo até chegar ao seu destino. Parou em frente daquela enorme casa, suspirou. Observou o jardim, com todas aquelas flores e plantas que ela amava, respirou fundo mais uma vez, tentando absorver aquela energia boa do local, chegou perto das margaridas - suas flores favoritas - e com um leve toque, aproximou do seu rosto para sentir seu perfume, deu um sorriso, lembrando de coisas que lhe faziam bem. Levantou-se e foi em direção à entrada, se abaixou e pegou a chave reserva que tinha ali e abriu a porta logo em seguida. Entrou devagar, ela estava ciente de que aquela casa não era sua e que tinha que tomar cuidado, estava tudo em um silêncio total, observou pelos lados e não viu ninguém. Andou mais um pouco, indo até as escadas, subindo devagar, um passo de cada vez, e escutou conversas no andar de cima. Não se importou e continuou andando, chegando na porta do quarto de Luke. Bateu duas vezes e a porta foi aberta, revelando o garoto dos olhos mais hipnotizantes que ela já tinha visto e como em todas as vezes, o abraçou forte, enterrando seu rosto no pescoço do garoto e chorou sem parar por nenhum segundo. Levantou seu olhar e o encarou, ambos estavam perdidos no olhar do outro, ela estava assustada, com medo e ele estava receoso, sabendo que aquela conversa não teria um bom final.

Ao encará-la, ele não pode deixar de notar no quanto ela é linda, mesmo com olhos avermelhados e pouco inchados, pôde observar como os cachos caiam perfeitamente no seu rosto e a forma que ela mordia os lábios com a tensão. A garota mais linda do mundo estava na sua frente e ele só sabia admirá-la sem parar. Como tinha dito, eles estavam perdidos, mas logo se encontraram um no outro, onde queriam e deveriam estar. A troca de olhares mais profunda e silenciosa que você, caro leitor, já pode ter visto em qualquer lugar... eles tem isso, ou pelo menos tinham, pois acho que está prestes a acabar. 

— Precisamos conversar. — ambos disseram, com medo um do outro.

Foram até a cama do garoto e sentaram. Olhando nos olhos da sua amada, ele começou:

— Está tudo bem? — ela balançou a cabeça em forma de negação — O que aconteceu?

— Estou sozinha. — ela disse

— Não não está. Da onde tirou isso? — a encarou.

— Ela foi embora. — abaixou o olhar.

— Quem?

— A minha mãe Luke. Ela morreu — olhou no fundo dos seus olhos

E em um impulso, ele a abraçou. Um abraço intenso e protetor, ele só queria protegê-la de todo mal mesmo sabendo que não conseguiria. Dói até em mim saber que ele, não conseguiria. Ela se sentia segura a cada segundo, e mesmo aquela dor, se tornava mínima ao se comparar com esse abraço, o melhor do mundo. 

— Pelo menos eu tenho você — ele congelou — Não tenho?

Ele suspirou.

— Eu tenho, não tenho? — ela repetiu saindo do abraço

— Me dói dizer mas... — ele fita o chão — Não, não tem.

— Como assim? — ela o observa confusa

— Me desculpa. — seus olhos lacrimejaram — Eu amo você mas...

— Mas? — seu coração acelera

Não podemos ficar juntos. — finalmente ele volta a encará-la

Ela sente uma fincada no peito e fica paralisada, essas palavras lhe atingiram com força, foi como um soco no estômago. Seu coração se partiu e a lágrimas caíram com tanta força, que ela pôde ouvir o seu impacto com o chão, era indescritível a dor que ela sentira, ela foi destruída. Não conseguia encará-lo de forma alguma, ela sabia que encará-lo ia machucar seu coração, ela só sentia dor, dor e mais dor. Estava estática, mal conseguia se mexer, acredite caro leitor, até eu me senti assim.

Ele não estava diferente, mal conseguia acreditar no que acaba de dizer, mas ele não podia seguir seu coração, estava proibido disso. Estava destruído também, é como se seu coração acabasse de ser esmagado por um caminhão, ele não queria, mas não tinha escolha. Ele juntou todas as suas forças para terminar tudo com o amor da sua vida, isso também dói e é difícil. Mas como eu já disse, ele não tinha escolha, mas ao mesmo tempo, ele sabia que teria que dar um jeito de reverter o estrago que conseguiu fazer em apenas minutos de conversa.

Ela levantou o olhar lentamente na direção dele, e quando os olhares se encontraram, houve uma explosão interna em ambos, mundos se colidindo e se destruindo. Uma história de amor, acabou nisso tudo. Ambos choravam, sentindo a dor do momento tomar conta de seus corpos, até ela se levantar, e sem expressão alguma, ir embora. E ele ficou lá, remoendo tudo isso por um longo tempo, ela precisava dele e ele a deixou ir embora.

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