25. O Chá

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ARVEM:

- Eu tô aqui com você Arvem, do Início dessa vida Até o fim deste mundo- Alry falou em palavras suaves, palavras simples para qualquer um, até considerado um trecho poético, mas para mim, aquelas palavras foi o motivo do meu desmoronamento.- Eu tô aqui- ela repetiu e eu não conseguia mais engolir tudo.

As lágrimas desceram pelo meu rosto sem a permissão, a tristeza e a frustração foram que amarras meu coração em pedaços. A imagem dele veio a minha mente, seus cabelos negros sem vida, seus olhos que sempre eram atentos olhos de Águia para me vigiar se estava aprontando, agora nem se abriam mais. Por que não abriam? Sempre que tinha um pesadelo ele sempre abriu os olhos, não importa o quanto profundo fosse o seu sono ou o quanto cansado estivesse, ele sempre abriu os seu olhos negros. Eu quero acordar desse pesadelo, eu preciso do abraço dele, eu preciso... Eu necessito dele, necessito que acorde, eu necessito que ele venha até mim, menso que me xingue, eu necessito dele. Ele não acorda essa vez, estou nesse pesadelo e essa foi a única fez, que ele não acordou. Por que ele não acordou? Por que? A mágoa se alastrava em minha garganta e eu mal conseguia respirar, o soluço saia de mim e meu corpo tremia. Essa dúvida, essa dor, a saudades, a culpa, tudo me corroendo por dentro.

- Por que ele não abre os olhos?- Eu perguntei, mesmo sabendo que não teria essa resposta, mesmo assim eu perguntei, por que aflição era tanta que mal se Continha em lágrimas, que eu mal continha minha própria palavra- por que ele não fala nada?- Eu perguntei e os soluços vinheram, cada uma das minhas berreiras caiam a cada pergunta, cada pergunta eu me aproximava daquele poço de dor-  por que ele não grita mais comigo como antes?- eu caí de joelhos no chão sem forças, a Alry foi junto comigo, firme me abraçando e me segurando em meio ao desespero se fazia minha mente sucumbir a tristeza que dilacerva meu peito.

  Nunca pensei que as coisas que mais me irritava, os gritos, as chineladas, a correria, agonia dele, seriam as coisas que eu mais imploraria para sentir novamente. Nunca pensei que a saudade transformaria até os erros da pessoa em qualidades. O dia mais louco da minha vida foi o dia em que ele me sequestrou de um orfanato, esse foi o dia mais louco e o dia mais feliz da minha vida.... Me perdoa pai... Me perdoa por ter brincado com isso dizendo que foi o dia louco, mas esse foi o dia em que encontrei minha família de verdade. Foi o dia em que encontrei a minha casa, meu lar, foi o dia em que eu conheci meu pai Karvem, foi o dia em que conheci os melhores pais do mundo..... Por favor, por favor, me faz acordar, eu não suporto mais isso, me trás minha família de volta... Trás a minha mãe.... Me devolve meu pai... Me devolve a minha felicidade..

  Eu sentia essa dor e era de esmagar todo meu ser, tudo o que era, era capaz de me reduzir a nada e não parava, sempre doía, toda manhã doía. Toda manhã em minha mente ficha voltando a imagem em minha cabeça como se me autopunindo por o ter deixado ir. Seu rosto estava tão pálido, seu corpo estava tão frágil naquela maca que nem parecia ele, não parecia o homem que me criou, não parecia nem um pouco o homem que me ensinou o certo do errado, que me explicou tudo o que precisava saber, o homem de pulso firme e forte. A cada segundo esmagava meu ser e o sorriso ficava cada vez mais difícil de estampar, cada vez mais difícil de abrir e cada manhã, eu sabia que ele não viria até mim, ele não iria me acordar, nenhum dos dois iria.

  A dúvida e a incerteza de que meu pai estaria vivo ou não me massacrava por dentro, de uma forma cruel que mal dava para respirar. Eu sentia minha vida totalmente destruída em quando eu tinha que me manter estável quando eu já tinha desmontado tudo, mas ignorava a dor, ignorava a realidade que acabava comigo. Os soluços siam e a cada eu o ar faltava e eu tentava respirar de alguma forma.

- Alry- falei gaguejando entre os soluços- faz ele acordar- eu implorei mesmo sabendo que não estava mais em nossas mãos- Eu aceito, eu aceito os gritos dele de novo, aceito as brigas, aceito os puxões de orelha, mas faz ele acordar- Eu pedia soluçando me agarrando a Alry fechando os olhos e desejando que tudo fosse um sonho ruim, ele iria acordar agora, Iriam ligar e dizer que ele acordou, ia acordar com o não humor de sempre, com seus estresses  e doidices que só ele sabe fazer.- Alry, cadê o meu pai?

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