Naquela noite em Veneza, as luzes das casas brilhavam imponentes, mesmo que tudo estivesse silencioso.
Exceto, é claro, por alguma vitrola tocando em algum lugar. Luca pensou que, não importasse aonde ele fosse, a música sempre estaria presente, e aquele era um pensamento reconfortante. Ele adorava música. E a maioria delas o lembrava Alberto.
A pousada onde eles estavam hospedados ficava bem em frente a um dos muitos canais da cidade, e ele e Alberto estavam na varanda observando as luzes refletirem na água, apreciando o silêncio bom que sempre havia entre eles.
Luca suspirou em contentamento, deitando a cabeça no ombro forte de Alberto, sentindo o braço dele envolver sua cintura com carinho. Então se moveu até que estivesse de frente para ele, suas costas pressionadas contra a pedra da sacada, e se esticou nas pontas dos pés para poder beijá-lo com delicadeza.
Alberto apertou os dedos em sua cintura e aprofundou o beijo, deixando suas línguas se tocarem e abraçarem uma a outra. E era tão bom... Tão bom beijar Luca daquela maneira, e Alberto sabia que jamais se cansaria.
Luca se afastou minimamente e lhe deu mais um selinho, suas respirações intensas soando juntas. Então Luca mordeu o lábio inferior, parecendo indeciso entre dizer ou não alguma coisa, e Alberto o ofereceu um sorriso suave.
— Está tudo bem?
— Erm, bem... Sabe, hm...
Alberto riu baixinho, deixando um beijo na ponta do nariz de Luca.
— Isso é vergonha? Você sabe que não precisa ter vergonha de mim, não é?
Luca sorriu, respirando fundo e tentando outra vez.
— Sobre o momento que nós tivemos na nossa primeira noite em Verona, eu... Eu gostei. Muito. Me senti bem com você me beijando e me tocando daquela maneira. E...
— E...?
— Só estava me perguntando porque não tivemos outros momentos como aquele desde então.
Alberto piscou surpreso, como se somente naquele momento houvesse se dado conta daquele fato.
— Eu acho que... Acho que estava esperando que você tomasse a iniciativa, como daquela vez. Porque então eu saberia que não estou ultrapassando nenhum limite com você ou te forçando a nada.
Luca sorriu docemente, apoiando sua testa na de Alberto.
— Você não precisa temer ultrapassar limites comigo, Alberto. Eu quero tudo o que você tiver para me presentear.
Eles riram baixinho, ficando em silêncio por um momento.
— Eu... Eu quero que me toque daquela maneira outra vez — Luca sussurrou contra os lábios do moreno, que se partiram para deixar que um suspiro escapasse. — Mas... Eu quero mais.
Seus olhos se encontraram, o esmeralda no caramelo, e Luca não precisou explicar sua frase ou adicionar qualquer palavra para que Alberto entendesse perfeitamente o que ele queria dizer. Seu corpo se arrepiou e esquentou, e os lábios roubaram um beijo de Luca.
— Você tem certeza? — sussurrou, apertando o corpo de Luca no seu, sentindo-o estremecer levemente.
— Tenho.
— E você confia em mim? — continuou sussurrando, arrastando a ponta do nariz pela bochecha macia. — Confia em mim para tocar você e te amar com tudo o que tenho e sou?
— Confio. Porque eu só quero dizer que te amo, Alberto. Com a minha voz, meus lábios, minhas mãos, meu corpo e minha alma. Só quero... Amar você.
“Amar você de uma maneira diferente da que tenho feito até agora. Amar você hoje à noite de uma maneira única e que não poderia fazer na luz do dia, porque eu quero que seja sob a luz das anchovas que brilham por nós quando o sol se põe.”
Eles sorriram um para o outro, trocando mais um beijo que era calmo e singelo ao mesmo tempo que era profundo e dizia coisas que palavras não poderiam expressar.
Porque quando a linguagem, as palavras e tudo o mais falha, o toque jamais irá falhar. O mundo pode ser dividido em línguas e culturas e milhares de diferenças, mas a única coisa que o une é o toque. Um gesto de ódio e tristeza sempre será reconhecido, assim como um de carinho e amor, independentemente de qualquer coisa. O toque une porque é uma linguagem universal que todos são capazes de entender.
E aquele compartilhado entre duas pessoas que se amam tão intensamente é ainda mais poderoso.
Alberto fechou as portas da varanda e cerrou as cortinas, levando Luca pela mão até a cama macia, deitando-os nela e olhando em seus olhos.
E, se havia algo ainda mais universal que o toque, era a conexão entre dois olhares. Porque os olhos são a janela da alma, lê-los significa descobrir coisas que as palavras e nem mesmo o contato de pele com pele pode desvendar.
Naquele momento, tudo o que refletia nos olhos um do outro era a mesma felicidade, carinho, amor e doçura que seus corações palpitantes cantavam em cada batida.
Alberto se inclinou sobre Luca e o beijou outra vez, e a sensação do corpo do moreno sobre ele era tão nova e boa e parecia tão certa, que Luca ergueu a mão e o puxou ainda mais, aprofundando o beijo ao mesmo tempo que fincava as unhas curtas na pele quente do pescoço de Alberto.
E as mãos começaram a explorar os corpos, lentas e gentis, mesmo que a sensação que causassem fosse completamente oposta. Elas eram como eletricidade, arrepiando a pele e a tornando sensível, fazendo crescer dentro deles uma necessidade que não sabiam nomear ou descrever quando pontos sensíveis eram descobertos e explorados, fazendo murmúrios de apreciação escaparem dos lábios de ambos.
Foi entre toques das mãos e dos lábios que cada peça de roupa que vestiam deixou seus corpos, indo parar em um lugar que eles não se preocupavam em saber onde era, e o toque direto de suas peles quentes o fizeram suspirar juntos.
E quando Alberto mordiscou pela primeira vez um ponto quente logo abaixo da orelha de Luca e ouviu o som melodioso que deixou a garganta dele, sentiu que sua linha de sanidade estava ficando comprometida.
E quando eles se uniram como um só, ela deixou de existir completamente, perdida em um mar inteiro de tudo e nada ao mesmo tempo.
Porque era diferente de qualquer coisa que ele já havia sentido em sua vida, e eram tantas sensações ao mesmo tempo que era difícil se concentrar em todas elas. Haviam as mãos de Luca segurando seus cabelos e ombros, haviam as pernas dele firmemente enroladas ao redor de seu quadril, e haviam suas vozes e respirações e movimentos todos soando juntos, como um só, como eles eram e sempre deveriam ser.
E ainda era doce e apaixonado como sempre havia sido.
Na manhã seguinte, Alberto tinha um sorriso permanente nos lábios enquanto bebericava uma xícara de café.
Seus olhos verdes estavam pousados na figura preguiçosa ainda adormecida na cama, o corpo nu coberto na cintura apenas por um pedaço do edredom colorido. Sua boca estava entreaberta, deixando escapar alguns roncos suaves, e os cílios longos tocavam as bochechas rosadas. O cabelo ondulado era uma completa desordem.
Mas Alberto jamais o achara tão lindo.
O dia do lado de fora estava brilhante e parecia que tudo e todos estavam cantando, como se cada pequena coisinha estivesse em seu devido lugar. Ou era assim que parecia para Alberto, porque era daquela maneira que ele se sentia.
E o dia estava bonito o bastante para diversos passeios por Veneza, explorações e brincadeiras, e se fosse qualquer outra circunstância ele acordaria Luca para que pudessem sair e se divertir.
Mas, ao invés disso, ele pousou a xícara vazia na mesinha ao lado da poltrona onde estava sentado e se levantou, caminhando até a cama novamente e se enfiando debaixo do edredom, puxando o corpo quente de Luca para se aconchegar ao seu da mesma maneira que fizera na noite anterior antes de dormir. Eles poderiam ter um dia de preguiça se quisessem.
E adormeceu outra vez.
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Sob as Anchovas
Fanfiction{Luca x Alberto} ...e eles voltavam para ela todos os anos quando Luca voltava para casa. E se deitavam lado a lado na plataforma de madeira do topo, olhando para as anchovas brilhantes acima deles enquanto Luca contava tudo o que havia para ser co...
