Uma música suave tocava pelas ruas quietas, os moradores e turistas de Verona parecendo cansados demais naquela noite para vaguearem pela cidade.
Luca bocejou, apoiando a parte de trás da cabeça no ombro de Alberto, piscando lentamente para as luzinhas brilhantes do céu. E Alberto os levou para a cama, para que pudessem ter uma boa noite de descanso.
Eles se deitaram da mesma maneira que faziam desde que Luca havia voltado para Portorosso: com o rosto dele sobre o coração de Alberto e suas pernas entrelaçadas, os braços rodeando um ao outro.
Luca se esticou para um beijo de boa noite, suave e gentil, mas algo na forma com que Alberto o segurava o fez ir um pouco além, entreabrindo os lábios. Alberto copiou o movimento automaticamente, e em seguida as línguas se tocaram tímidas, hesitantes.
Quando eles se beijaram dessa maneira mais profunda, dias atrás, havia sido algo tão espontâneo e intuitivo que eles mal pareceram perceber o que faziam. Mas, agora, de alguma forma, parecia diferente. Eles estavam conscientes e queriam isso.
E ganharam confiança depois da segunda ou terceira vez, não que estivessem contando, perdidos demais naquela nova sensação que os trazia tantos sentimentos diferentes. Cardumes se agitaram em seus estômagos e as peles arrepiaram, e os lábios se separaram apenas para que desta vez fossem os olhos a se conectarem.
E eles sorriram, quase tímidos, com as bochechas rosadas e olhos brilhantes. E riram baixinho enquanto se abraçavam, se apertando um no outro.
— Isso é bom — Luca sussurrou, como um segredo, e Alberto soltou mais uma risadinha.
— Sim, é.
— Me beija assim outra vez?
E Alberto o fez, porque ele sempre faria tudo o que Luca pedisse.
Sua mão envolveu a bochecha de Luca e puxou seu rosto para cima com suavidade enquanto se inclinava, capturando os lábios macios e os separando gentilmente com a ponta da língua. E sua mão desceu do rosto de Luca para tocar com a ponta dos dedos a pele do pescoço, dos ombros e do braço, até que entrelaçasse seus dedos.
E Luca suspirou baixinho, deixando que seus próprios dígitos percorressem a pele morena e quente de Alberto, dos ombros e das costas, subindo até a nuca e então se embrenhando nos cachos macios do topete que ele tanto amava.
Cada movimento que eles faziam era lento, gentil, de pura apreciação e exploração. Às vezes, os lábios se separavam para soltarem risadinhas e suspiros baixinhos, para então voltarem a se encontrar, estalando selinhos que eram quebrados por sorrisos.
Alberto então beijou as bochechas de Luca, a linha de seu maxilar e arrastou o nariz pela pele do pescoço, sentindo-a se arrepiar.
— Você está com cheiro de gelato de morango — sussurrou no ouvido dele, sorrindo ao senti-lo estremecer.
— Devem ser os sais de banho da pousada — Luca respondeu, acariciando o meio das costas de Alberto com movimentos circulares. — E você está com cheiro de peixe.
— Luca, eu sou um peixe.
Ele levantou o rosto do pescoço cheiroso e, assim que seus olhos se encontraram, eles riram. E se abraçaram outra vez, com Alberto enterrando ainda mais o rosto no pescoço de Luca, porque o cheiro dele misturado com sua sobremesa favorita era tão único e maravilhoso quanto o próprio Luca.
Sua mão encontrou caminho pela cintura dele, acariciando devagar por cima da roupa, a de Luca ainda massageando suas costas, e aquelas sensações e a atmosfera que haviam criado era algo perfeito. No momento, tudo o que conseguiam sentir era a calmaria gostosa daquele pequeno pedaço de infinito, da companhia um do outro, do calor que dividiam e seus cheiros se misturando assim como suas respirações.
E era incrível, sublime, e qualquer outra palavra que pudesse descrever aquele momento, mesmo que eles pensassem que não havia nenhuma. Era uma daquelas coisas que não se podiam colocar em palavras. E, secretamente, essas eram as melhores.
Eles adormeceram agarrados, meio abraçados, tão confortáveis que seria cruel ter de levantar na manhã seguinte.
Mas eles se levantaram, e tomaram café da manhã no quarto antes de se arrumarem e saírem para mais um dia de exploração. Visitaram a ponte Pietra, a Basílica de São Zeno e a Torre de Lamberti, e então um almoço delicioso revigorou seus corpos cansados de tanto andar.
Luca contava a história de todos aqueles lugares e, se fosse qualquer outra pessoa no lugar dele, Alberto sabia que ficaria exaustivamente entediado. Mas não com Luca. Ele só conseguia sorrir e fazer perguntas, porque adorava a maneira como Luca se empolgava com elas e lhe contava tudo o que ele queria saber.
Eles passaram duas semanas em Verona. Além dos pontos turísticos, fizeram passeios calmos como ir a cinemas, peças, concertos musicais – que haviam simplesmente amado – e então, na última noite, depois de Luca ter comprado um novo livro para si e uma adaga ornamentada para Alberto, eles foram até um parque de diversões.
— Vamos no Trem do Medo! — gritou Alberto, puxando Luca pela mão em direção a casinha de aparência abandonada e mal assombrada.
Luca fincou os pés no chão.
— Ahn... Eu acho melhor a gente ir no...
— ... No carrossel? Luca, nós já fomos duas vezes. Se eu for outra vez vou vomitar o algodão doce em você.
— Mas... Alberto, eu não...
— Ei, silenzio Bruno! Relaxa, eu vou estar com você. Pode segurar minha mão se achar que vai se borrar nas calças — ele provocou, o sorriso debochado, e Luca fechou o rosto.
— Vamos então!
Eles se sentaram no trenzinho, que não demorou muito até estar se movendo para dentro do vão escuro que era a porta de entrada.
Por longos segundos não aconteceu nada, o silêncio sendo quase endurecedor, e a mão de Luca procurou a de Alberto na escuridão.
— Está tudo bem, Luca — ele sussurrou, a voz doce. — Eu estou... Para de me cutucar, eu já disse que está tudo bem.
— Isso não tem graça, Alberto.
— Mas eu não estou brincando. Luca, para com isso!
— Mas... M-Mas eu não estou te cutucando...
— O quê?
Naquele momento, uma luz vermelha se acendeu e uma figura escura pulou sobre eles, gritando enquanto uma nota aguda soava pelos alto falantes, e eles gritaram alto antes que o trem disparasse para frente e novos sustos se seguissem.
Minutos depois, eles desembarcaram no fim do percurso com as mãos dadas com força, os corpos bem juntos e os rostos pálidos.
— Nós nunca mais vamos entrar nessa coisa — Alberto murmurou, e Luca concordou freneticamente com a cabeça.
— De acordo.
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N/A: A música do início desse capítulo é definitivamente Kiss Me – Ed Sheeran.
E eu espero que tenham gostado 💖
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Sob as Anchovas
Fanfic{Luca x Alberto} ...e eles voltavam para ela todos os anos quando Luca voltava para casa. E se deitavam lado a lado na plataforma de madeira do topo, olhando para as anchovas brilhantes acima deles enquanto Luca contava tudo o que havia para ser co...
