Capítulo Quatro

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Era uma recepcionista nova. 

Eu não estava maluca nem nada, sem dúvidas, eu nunca tinha visto ela aqui antes. O que houve com Diana? E a quanto tempo eu não venho aqui? Jeon não me contou sobre nenhuma mudança nos cargos ou problemas com alguns de seus funcionários. 

Assim que cheguei na recepção e a garota do outro lado do balcão que aparentava ter uns vinte e poucos anos me olhou de cima a baixo demorando na minha bolsa da Channel que, bom, eu não me gabava por isso, pois eu não sou a tia Soraya, mas ficava feliz de ter pelo menos uma coisa reconhecida por quem quer que passasse por mim. Não estava com uma condição financeira muito ruim, pois os quatro livros da saga que criei – "Seven Evils" – foi muito bem recebida pelos fãs e abriu espaço para diversos outros livros de sucesso. Agora, eu teria que voltar a ativa e me livrar do maldito bloqueio existente em mim que é preenchido por doses diárias de vinho e marshmallow. 

Isso é ridículo. 

Sou uma escritora de livros de suspense e terror, mas sofri dentro do meu apartamento por um cara babaca.  Eu chorei pelo cara babaca. Porque eu sou uma escritora de livros de terror que chora no banho mais do que se escrevesse histórias trágicas e dramáticas demais. Pode-se chamar de hipocrisia, já eu chamo de diversão do universo. Embora, não é divertido me ver chorar. Posso parecer um monstro em dois segundos e tenho total conhecimento sobre isso.

Bom, voltando a garota que aparentemente quer fazer alguma pergunta para mim, mas nunca fez, no momento ela se inclinou no balcão e olhou na minha direção com uma gentileza automaticamente fingida, pois se lembrou que deveria tratar as pessoas bem. Ela me examinou mais um pouco antes de fornecer um sorriso simpático.

— Bom dia, senhorita. Em que posso ajudá-la? 

Meu sorriso era igualmente gentil. Só que uma gentileza de verdade. Meu humor estava bom demais para ser estragado por qualquer falta de educação de alguém. Era a primeira vez que saia para valer do meu apartamento sem ser para comprar algo que preenchesse minha vida da maneira certa (ou não, pois depende se você considera que refrigerantes preenchem sua vida da maneira certa. Para mim, não, mas eu ainda fazia). 

Eu estava voltando ao meu normal aos poucos e a visita ao trabalho do meu melhor amigo fazia parte deste 'normal'. Assim como minha ida à editora, meu café da manhã com Lisa, minha conversa com Jack, o porteiro, e Robert, o carteiro. Este com certeza não tinha encomenda para mim, mas o vi na  portaria e não pude deixar de perguntar como estavam seus quatro filhos. Todos que vi me perguntavam se eu estava bem e o motivo do meu isolamento, mas tudo o que pude fazer era contar algo legal e descontraído e torcer para esquecerem o que perguntaram. Funcionou até então. De uma certa maneira, foi uma manhã do caralho. Eu estava feliz com isso. 

— Eu gostaria de falar com o Sr. Jeon, por favor. 

— A senhorita tem um horário marcado?

Balancei a cabeça. — Não é necessário. Acho que ele já está me esperando. 

Ela pareceu levemente duvidosa. —  Desculpe, mas o Sr. Jeon só atende com hora marcada. Ele está em reunião, no momento. 

Desde quando Jeon só recebe com horário marcado? Minha bunda que ele liga para isso. Merda, e agora? Eu espero aqui? Diana só me mandava uma piscadela e eu entendia como a autorização de ir ver o meu amigo. Só estava eu na recepção, então eu não passaria na frente de ninguém com "hora marcada". Mas, respeitando minha paz de espírito, apenas suspirei. 

— Tudo bem, eu vou esperar. Pode avisá-lo que estou aqui depois que a reunião do mesmo acabar? 

Ela assentiu educadamente. — Claro. A senhorita gostaria de uma água, um suco, talvez um café? 

BoyFriend | RosekookOnde histórias criam vida. Descubra agora