— Puta merda! - Gritei assim que adentrei o meu quarto e uma mulher inteira de branco estava sentada na cama.
Relaxem.
Era a minha mãe, felizmente.
Ou 'infelizmente'? Porque pela expressão em seu rosto... saibam que uma briga vem por aí.
E eu estou tão cansada que sou capaz de deitar no chão e fingir desmaio, só para o assunto vir a ser algo como: "Oh, então você não comeu o dia todo? Que falta de cuidado consigo mesma, Rose"; ao invés de: "Você se prestou a um papel ridículo vindo até aqui, estou profundamente decepcionada com você e com as suas decisões. O que, logicamente, não é novidade alguma". É... minha mãe pode ser bem dura, as vezes.
Voltando ao susto, este foi tão grande e real quanto se tivesse sido um momento inesperado em um filme de terror.
Só faltou a música de suspense e a luz estar apagada, como se eu fosse a principal tapada que enxerga no escuro e ainda se surpreende por ver um espírito. Sinceramente.
- Não foi esse o linguajar que lhe ensinamos, - proferiu secamente.
Hailey possui uma maneira seca e muito peculiar de lidar com tudo à sua volta. Sua personalidade é forte e não vou negar que é bastante soberba e esbanja luxo em tudo que pode. Ela é uma típica versão mais leve e tolerável da Tia Soraya. As duas não se dão bem, justamente por serem tão parecidas. A diferença é que eu amo a minha mãe e não suporto a tia Soraya.
Hailey Park é uma mulher que busca o máximo para o bem da família e ama interferir na minha vida quando se trata de casar-me com alguém que vale a pena. Não no sentido de boa conduta, mas em questão de valores financeiros, pois a mesma adora pensar que está em uma classe alta, por isso as roupas luxuosas e a maioria em cores claras para trazer a paz espiritual que, quando eu lembro a ela que sou apenas uma escritora que não possui um marido ou filhos, faz ela perder todo o ânimo que tanto busca.
Ela não queria que eu me tornasse uma escritora pela demora de reconhecimento e pelas grandes chances de fracasso. Fracasso este que, até hoje, ela ainda acha que atingi sem ter lido um livro sequer ou ter acompanhado a divulgação e o sucesso que estes fazem em redes sociais ou em uma simples livraria em si. É triste não ter um apoio de alguém que nem liga se você trabalha por algo ou não.
Hailey nunca leu um livro meu e ainda acha que eu não escrevo bem e jamais serei capaz de atingir patamares altos, uma vez que poderia ter conseguido isso facilmente se tivesse seguido seus conselhos e me tornado presidente da empresa Park como meu avô havia falado um dia, já que os demais não estavam interessados. Ela não compreende que todo esse papo de despotismo não estava na minha lista de segmentos.
Assim como não estava na lista seguir quem com quem ela queria que eu me casasse ou não. É, hoje estou solteira e meio que na metade do fundo do poço, mas ainda estou melhor do que se tivesse seguido tudo que ela planejou para mim e que eu, ferozmente, neguei.
- Desculpe. - Suspirei com a mão no peito. - Pensei que o quarto estava vazio.
Hailey fitou sua aliança enquanto falava, sempre foi extrovertida para lidar com as pessoas, mas desde que minha irmã morreu, ela lida diferente comigo. - Seu pai e eu fomos conversar com o Sr. Lee, mas vi você saindo um pouco desnorteada da biblioteca, então subi rapidamente para esperá-la.
É, eu estava extremamente fora de mim e a melhor opção foi contar a segunda escada de acesso no fundo da casa. Sim, contar.
Contei cada degrau da segunda escada que me trazia ao terceiro andar, onde realmente é o meu quarto. Enquanto fiz a contagem de cada um, respirei um pouco para tentar organizar tudo.
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BoyFriend | Rosekook
RomansaO que você faria se recebesse um convite de casamento do seu ex noivo com sua prima no dia do seu aniversário? Ou pior, fosse convidada para ser a MADRINHA? Eu, certamente, sentaria e choraria por mais cinco meses, como fiz quando ele me deixou. M...
