Capítulo Doze

451 40 26
                                        

DEZ ANOS ATRÁS

Se duas pessoas são idênticas, o que realmente as diferencia?

Puxei o cinto de segurança assim que entramos no carro.

- Voce está sendo um grande e irritante pau! - Proferiu Ella revirando os olhos.

- Ah, qual é, ele estava flertando com você! Tem que ir pegar o número dele agora. - Eu praticamente exigo enquanto encaro minha irmã.

- E por que eu faria isso? - Ela me encara com inocência. - Se ele quisesse alguma coisa realmente, duh, ele teria vindo até mim. Eu não vou correr atrás de números de caras que eu mal conheço.

- Mas ele era um gato, - protesto, murchando.

- Você já está falando como se ele tivesse morrido por não ter tido um sinal verde da minha parte. - Seus olhos vieram até os meus. - Eu acho o Chad Michael Murray um gato também, mas não é por isso que irei até ele e serei uma louca procurando pelo telefone dele.

Suspirei, já derrotada. É inútil e, se ela não quer, tudo bem. Não vou insistir. Isso seria chato e Ella não muda de ideia facilmente. Coloco o carro em movimento e aceito que não venci essa batalha.

- Tá bom. Espero que ele aguente firme.

- Ele vai. Não é como se ele fosse se matar porque eu não devolvi o flerte das calças jeans. Aliás, aquilo foi horrível.

Ri enquanto observava como ela estava achando tudo isso muito divertido. O cara realmente gostou dela, mas a mesma não se importa. Não sei se admiro ou fico com dó por ele.

Ella não liga para a ideia da morte. Independente de como aconteça ou com quem, minha irmã não tem medo e não se importa. Aquele garoto era um show e a "secou" por, pelo menos, a tarde toda em que estivemos no shopping e ele nos encontrou "sem querer". Isso aconteceu umas cinco vezes e é lógico que não há coincidência nisso. Mas é bom ele disfarçar, porque qualquer tipo de stalker, pode ser um prejuízo.

Ella deu de ombros. - Não estou interessada em ninguém.

Sorri. - Ah, verdade. Só na companhia de Jake e nas cartas de amor do Chay.

- Não são cartas de amor, são e-mails de um amigo muito querido.

Olhei para ela rapidamente, me senti vitoriosa por um momento. - E mesmo assim, você só prestou atenção nessa parte da conversa.

Ella revirou os olhos outra vez e encarou seus dedos batendo contra o joelho. Imagino que ela esteja ansiosa ou pensativa.

Só não consigo desvendar o que é que está passando por sua mente agora enquanto o silêncio se estende. Antigamente, falávamos para todos que tínhamos o poder de ouvir o que a outra estava pensando. E como prova, combinavamos uma sequência de coisas para falar. Funcionava muito bem.

Lembro-me de algumas coisas:

Eu falava: Sempre.

Ella respondia: Penso.

Então, continuava: Em.

Como.

Deve.

BoyFriend | RosekookOnde histórias criam vida. Descubra agora