Capítulo Seis

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Eu cometi um erro. 

Eu cometi um grave erro.

Ter vindo até aqui foi uma ideia estúpida.

Onde eu estava com a cabeça?

Retornando a minha cidade natal para vir a um casamento que obviamente não fui realmente convidada por livre e espontânea vontade. Como madrinha, inclusive!

Merda.

Tudo isso foi um erro que agora, pensando bem, não sei se conseguirei lidar. 

— Acho melhor irmos para um hotel, – proferi dando meia volta. 

Jeon me segurou e me trouxe de volta. Não avisei a ninguém que viria, mas estava ciente que a família toda estava reunida na enorme casa da residência Park. É um lugar mais afastado da cidade, com um grande lago do outro lado da propriedade que provavelmente está congelado agora, devido a baixa temperatura capaz de fazer meus pés congelarem. Ou talvez isso só seja pelo meu nervosismo mesmo, fazendo tudo ficar travado.

Não me dou tão bem com a minha família como antes. Para ser mais específica, não me dou bem desde o que aconteceu com Ella. Eles não me culpam, mas sei quando o brilho nostálgico torna ao olhar do meu pai ou da minha tia Vivian quando olham para mim e veem Ella.

E isso só me faz lembrar da culpa que carrego dentro de mim pelo o que fiz a minha irmã.

Voltar vai trazer tudo isso dez vezes mais forte, isto é, vai me lembrar do que quero esquecer. Eu não deveria estar aqui.

Não sou eu mesma quando estou com eles e eu adoro ser eu mesma. Amo minhas anormalidades interiores, mesmo elas sendo tão peculiares; adoro poder rir, falar loucuras e chorar sem me preocupar com quem está assistindo o show de horrores. Aqui eu não terei nada disso, então, mais uma vez, não deveria ter vindo.

Mamãe provavelmente vai me comer viva pela decisão que tomei e por, principalmente, não ter trago um pretendente. Ainda assim, eu, com certeza, senti falta dela, assim como do meu pai, e claro, da vovó Harper. Mas tudo é diferente. Será diferente. Alguém está prestes a se casar e uau! Não é a que manteve um relacionamento por sete anos e foi pedida em casamento, de fato. Eu teria que ser muito cara de pau para entrar e participar do jantar que obviamente está sendo preparado neste exato momento. 

Mas eu não sou. Não sou essa pessoa corajosa.

Não acredito que pensei que fosse. 

Suspirei e voltei minha atenção para os pinheiros cobertos de neve. Eu só queria me esconder. Quem sabe por algumas horas, às vezes por dias ou… para sempre. Eu sairia para ajudar a enfeitar a árvore de Natal e depois, voltaria para meu mundo solitário, mas confortável. 

Jungkook se aproximou de mim e colocou uma mão no meu ombro. — Ei. Não podemos ficar aqui, Rosinha. Vamos congelar. 

Balancei a cabeça. — Acho que essa é a melhor escolha, – virei para encará-lo. — Você e Lisa estavam certos. Eu não deveria ter feito isso. Eu não posso, eu… não sou essa pessoa afrontosa o suficiente para seguir com essa humilhação. Rose Park não é assim. Sou uma mulher que chora por tudo, incluindo se vejo um casal de idosos tentando pegar uma pipoca na prateleira do supermercado, aquela que eles provavelmente comerão vendo algum filme romântico. Sou uma mulher que passou meses trancada no apartamento, sofrendo por um imbecil e que decidiu, mesmo com tudo arquitetado, que vir até aqui era uma boa escolha. Mas não é, Jeon! Eu estava enganada. 

Eu, indubitavelmente, estava.

Meu amigo ficou em silêncio por um tempo. Suportamos oito horas de voo, uma oferta de sexo barata, humilhante e confusa, um casal que com certeza alertara seus filhos para ficarem longe, caso nos veja pela rua; e mais uma travessia pela cidade até a propriedade para chegar aqui e eu falar que estava errada em pensar que fiz bem na minha escolha.

BoyFriend | RosekookOnde histórias criam vida. Descubra agora