Capítulo Trinta e Um

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JUNGKOOK

Nunca entendi esse quadro.

Havia um chalé enorme no centro, uma única luz acesa, repleto de neve por todos os lados e um vento forte, em uma noite escura, iluminada apenas pelas estrelas brilhantes no topo da arte. No fundo, haviam montanhas, uma aurora boreal e uma pessoa caminhando.

— Por que a luz acesa se a pessoa não estava em casa? – Indaguei olhando para os detalhes da obra.

— Hã? – Meu pai se virou para mim, seguindo meu olhar em direção ao quadro.  — E quem disse que não há uma pessoa em casa? De repente, alguém no inverno terrível só gostaria de voltar para uma casa aquecida, iluminada... para a pessoa amada.

Coloquei as mãos nos bolsos e me virei para ele. — Quem é Tessa? 

Depois que ele mencionou, demorou um tempo até ele perceber que chamou a esposa pelo nome errado. Eu entrei no escritório e fiquei aqui por um tempo até Glen me fazer companhia.

Rose estava conversando com Jane na sala de estar. Percebi que ela estava um pouco abalada desde o que meu pai disse. Não sei se isso irá afetá-la de maneira positiva ou negativa.

Glen estava na sua cadeira do outro lado da sala, balançando-a. Ele olhou para as mãos, mas sua mente estava viajando. — Sua mãe. O nome dela era Teresa. Eu a chamava de Tessa.

— Pensei que você não sabia o nome dela.

— Essa foi a mentira que carreguei por toda a minha vida. Sempre disse isso para Jane, então mantive a mesma coisa para você, também. 

— Você a conhecia. 

— É claro que sim. Eu… – Ele levantou a cabeça na minha direção. — Eu amava a sua mãe. Teresa era tudo para mim. Éramos os melhores amigos um do outro. 

— Então por que você a abandonou? 

Seu olhar caiu outra vez, a vergonha tomando conta de sua expressão. Ele tossiu um pouco e começou: — Como eu disse, éramos apenas melhores amigos. Ela não morava aqui, então nos encontrávamos às vezes. Em uma noite, aconteceu. No dia seguinte, ela pediu para que nós nos afastássemos. Eu compreendi e fui embora. Depois, fui estudar fora, nunca mais a vi. Até em uma manhã. A amiga dela foi me procurar no meu trabalho e disse que tinha um assunto importante para me dizer. – Ele olhou para mim com o semblante brilhando. — Você estava no banco de trás. Pequeno e com os mesmos olhos de Tessa. A amiga, que tentou me achar durante meses, me disse que ela não resistiu e perguntou se eu tomaria uma atitude sobre isso.

Me sentei na outra cadeira, em frente a sua. — E? 

— E eu fiz o que tinha que ser feito. Eu dei um jeito. Porque você era meu filho. Era o meu filho com Tessa, fruto do amor que eu sentia imensamente por ela.

Apontei para mim mesmo. — Então por que o senhor me tratou daquela maneira durante todos esses anos?

Meu pai me observou, o remorso cobrindo suas expressões. Uma ruga profunda marcava sua testa e os olhos lacrimejavam, como se estivesse prestes a chorar.

— Olhar para você, para seus olhos... – Sua voz falhou e ficou um tom mais baixa. — Era como olhar para a mulher que eu deixei para trás. Eu não lutei por Tessa, não lutei por nós e nem pelo amor que sentia por ela. Eu pensei que não era recíproco, mas estava enganado. A amiga me disse que o sentimento era mútuo e que Teresa pediu para que nos afastássemos para que ambos não saíssem machucados. 

— E como isso aconteceria? Vocês se gostavam de verdade, pai.

Eu considerava Jane como minha mãe  e é claro que a história entre Glen e Tessa acabaria em algum momento, mas para mim não fazia sentido alguém não lutar pela mulher que ama. Eu fiz isso por anos e, mesmo derrotado, eu não sai do seu lado.

BoyFriend | RosekookOnde histórias criam vida. Descubra agora