Capítulo Trinta e Cinco

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JUNGKOOK

— Pense bem, faz todo o sentido bar e car rimarem em inglês.

— Rose, não existem bares com estrutura de carro, — rebati, mantendo os olhos na estrada. — Não há absolutamente nenhuma semelhança entre essas duas palavras que justifique uma rima. Não foi assim que a língua foi criada.

Ela segurou a risada por quase cinco minutos inteiros, o que era um recorde pessoal. Mas, assim que estacionamos em frente à casa dos Park's, desistiu.

— Mas flower e shower fazem sentido, — insistiu, já abrindo a porta. — Então por que bar e car não?

Balancei a cabeça, derrotado. — Você cansa as palavras, loirinha.

Ela saiu andando na minha frente, e foi aí que perdi qualquer argumento restante. Tudo o que consegui reparar foi na curva perfeita da bunda dela dentro do jeans. Redonda e provocante, familiar demais para ser segura. Eu conhecia cada versão dela: a engraçada, a caótica, a quebrada e a que fugia quando sentia demais. E ainda assim, nenhuma delas me preparou para o efeito que ela tinha sobre mim agora. Talvez porque, pela primeira vez, eu não estivesse fingindo que era só amizade.

Combinamos de tomar banho e depois nos encontrar no meu quarto para... bem, vocês sabem.

E só de pensar nisso, meu corpo reagiu imediatamente. BoyFriend foi, sem dúvida, uma das decisões mais perigosas — e melhores — que já tomamos. 

— Você tem que admitir que chuveiro fez sentido, — ela disse, distraída, mexendo nas pontas do cabelo e caminhando em direção ao barulho na sala.

Franzi o cenho, puxando minha atenção de volta. — Não fez. Nem um pouco.

A sala estava cheia demais, como se todos estivessem esperando por nós.

Taehyung conversava com Jimin, que bebia — como se isso fosse novidade. Julie e Thomas ocupavam o outro sofá, rindo de algo que só eles pareciam entender. Momo fingia ler uma revista, mas ninguém ali estava realmente focado em outra coisa que não fosse a tensão pairando no ar.

E então Jimin nos viu.

O copo em sua mão rangeu sob a força dos dedos. Olhei de volta, sustentando o olhar, quase sorrindo. Vai dizer alguma coisa ou só engolir o próprio veneno hoje?

— Aí estão vocês! — Julie se levantou de um pulo. — Meu Deus, onde vocês estavam? Sumiram por dois dias!

Passei o braço pelo ombro de Rose, puxando-a para perto de mim. Um gesto simples, mas íntimo demais para quem observa e comum demais para quem nos conhece. 

O acordo era uma mentira confortável. Um jeito covarde de tocar o que eu queria sem assumir o risco de perder. Eu dizia para mim mesmo que era temporário, mas cada segundo perto dela me fazia desejar algo que não cabia em regras.

— Estávamos ocupados, — respondi, sorrindo.

— Decidimos aproveitar a cidade antes de voltar pra Nova Iorque, — Rose completou, animada.

Julie arqueou a sobrancelha. — Por dois dias?

— Levamos esse mesmo tempo quando viemos, — Thomas lembrou.

— Sim, mas porque paramos pra várias rapidinhas, — Julie rebateu, sem pudor algum. Depois nos encarou. — O que claramente não é o caso desses dois. Certo?

O ar ficou pesado.

— O quê? — Rose riu, nervosa.

— Estou perguntando se vocês estão fodendo.

BoyFriend | RosekookOnde histórias criam vida. Descubra agora