Aquele fim de tarde tinha um sentimento pesado no ar. Com o céu dourado e as nuvens escuras se fechando, anunciando uma tempestade. As primeiras gotas caiam timidamente pelo céu, enquanto na casa de Massimo, Daniela e Lorenzo se abraçavam buscando conforto nos braços um do outro.
Giulia e Suzi chegam na casa, já um pouco molhadas pela chuva. Elas falam que não encontraram Alberto e Luca em nenhum local. Massimo diz o mesmo, Daniela também, e fica desesperada, com medo sobre onde estaria seu filho. Ela começa a falar com todos, em um desabafo.
- Eu sabia que esse dia iria chegar, uma hora ou outra, mas eu não pensei que seria assim. Como fui burra. Achei que as pessoas aqui de cima iriam aceitar meu filho. Que as pessoas tinham mudado... eu me enganei. - Diz ela, triste e zangada.
- As pessoas mudaram... so algumas que insistem no erro. - Diz Giulia, tentando confortar Daniela.
- Eles vão matar ele, como fizeram com os outros. - Diz Daniela, novamente abraçando Lorenzo, enquanto chora.
- Os outros? - Pergunta Giulia. Então Daniela enxuga suas lagrimas e começa a falar.
- Há muito tempo, quando eu era menor, vivíamos em muitos. Haviam outros como nós, cada um tinha suas casas, suas famílias. Até que um dia, invadiram nossas casas, usando armas, levaram um por um. Meus pais passaram a vida fugindo. Por onde passávamos, víamos outros fugindo também, seja pro mar, ou para a terra, tendo se escondendo nas profundezas, ou viver na terra, longe do mar, da água. Meus pais não queriam viver como humanos e abandonar o mar, então depois de muito procurar, nós conseguimos encontrar esse pequeno pedaço de mar, escondido o bastante dos humanos que nos caçavam, por ser próximo de outros humanos que nos temiam, com suas lendas e mitos. Eu cresci por aqui. Quando tive o Luca, prometi para mim que ele nunca iria sair para fora do mar, iria ficar sempre nesse lugar seguro, nossa casa. Mas as coisas aconteceram de outra forma, e encontramos vocês, pessoas que nos viram como amigos, mesmo depois de saber a verdade sobre o que somos. Eu pensei que... talvez, as pessoas tinham mudado, ao menos um pouco. O Luca foi pra escola, e eu esqueci, esqueci como eles mataram nosso povo, como nos caçavam... como pude esquecer?... E agora, levaram meu filho, levaram o Luca. E eles não voltam, eles nunca voltaram. - Conta Daniele, que volta a chorar nos braços de Lorenzo
Todos ficam em choque com o que ela conta.
- Isso nunca chegou na mídia, nas pessoas... não é uma informação pública a existência de vocês... eles não podem so ter matado o Alberto e o Luca... não encontramos nada... eles têm que estar em algum lugar! - Diz Giulia, pensando sobre onde estariam os meninos.
- Minha filha... - Diz Daniela, chegando perto de
Giulia, e colocando a mão em seu ombro. Então ela diz: - Eles se foram.
- Não, eu não acredito... eu só acredito vendo. - Diz Giulia, pensativa, triste, tentando ter ideias. Ela olha para Suzi, e continua: - Seu pai. Ele falou desse amigo do exército, disse que ele ia fazer alguma coisa, não foi isso?
- Sim. - Responde Suzi.
- Seja quem for, ele ainda deve ter o contato, e nós precisamos saber qual é. É uma pista! - Diz ela, motivada, tentando se segurar nesse fio de esperança. Contínua: - Vamos até sua casa, precisamos desse contato, precisamos saber quem é, de onde é, com o que trabalha... tudo! Se eles estão em perigo... não tem mais nenhuma outra opção para o que realmente aconteceu. Não foi a internet, não foi a TV, so resta isso.
- Pessoal, eu quero ver esses meninos a salvo, são como meus filhos também, mas eles ainda podem só... estar lá fora, fazendo alguma besteira adolescente. Eles devem aparecer a qualquer momento falando de alguma aventura maluca que tiveram. São crianças. - Diz Massimo.
- Não, eu sinto. Meu Luca, não está bem... algo horrível aconteceu. Eles devem ter sido levados...
- Vamos a casa do seu pai Suzi, lá deve ter o contato desse homem do exército. - Diz Giulia, pegando na mão de Suzi, e puxando ela para a porta.
- Minha filha... - Diz Daniela para Giulia, triste. Ela faz um sinal de "não" frustrado, com a cabeça.
- Não se preocupa, a gente vai descobrir o que aconteceu. - Diz Giulia, que abre um guarda-chuva e sai com Suzi.
Não tão longe, em Londres, Rubens, e um grupo de cientistas observam Alberto e Luca. Eles analisam os dois. Os meninos não conseguem escutar tão bem, mas entendem eles falando sobre como os dois eram perfeitos. Alberto escuta um cientista falando: "Esse se parece com aqueles outros dois. Deve ser da mesma..." não consegue escutar tão bem, mas fica intrigado.
A chefe da base, Doutora Agatha, entra na sala, e todos se calam quando notam sua presença. Ela chega perto dos tanques onde estão os meninos, olha bem para cada um deles, um de cada vez. Avalia bem cada um deles. Alberto é bem raivoso, e bate no vidro do tanque quando vê Agatha chegando perto. Apesar de Alberto ter sido bem agressivo, o rosto pálido da doutora nem mesmo mostra reação de medo com a batida dele no vidro. Na verdade, ela parece gostar da raiva de Alberto. Ela então segue e vai olhar o tanque de Luca. Ela diz: "É você". Então manda os seguranças, também presentes na sala, tirarem Luca do tanque e o colocar na mesa. Porém, antes que tirem Luca do tanque, um dos cientistas ativa um comando no tanque, que não é apenas um simples tanque de água, há uma tecnologia, e então das paredes do tanque, no lado de dentro, surgem agulhas, que furam a pele de Luca, e injetam algo nele, um soro que o deixa quase apagado, ele fica quase sem conseguir se mexer. Os seguranças abrem o tanque, tiram ele e o levam para uma maca de ferro no centro da sala. Além de ele estar tão medicado que nao consegue nem mover a boca, os seguranças ainda amarram Luca na maca. Alberto assiste tudo isso furioso.
Quando a água no corpo de Luca deixa de ser o bastante para p manter na forma hibrida, ele volta a sua forma humana. A doutora então usa seu Laptop para ver a imagem de uma criança, essa criança é Luca, na época da escola.
- Sim, é ele. - Confirma Agatha, que entrega seu laptop a Rubens. Ela então começa a falar com Luca: - Olha só, alguém foi para escola. Sabe, a anos atrás quando me falaram que em uma escola Italiana, uma criança havia se transformado em um hibrido de peixe e humano no meio da sala, eu pensei que fosse algum trote. E nós ficamos de olho em você por algum tempo, mas pelo jeito você soube esconder bem sua forma híbrida, porque não vimos nada, e deixamos para lá, mas quando eu te vi chegando aqui mais cedo, me fez lembrar desse menino... Luca. É seu nome, não é? - Diz ela. Luca tenta falar, mas não consegue mover sua boca. Ela contínua: - Não importa, agora você é meu, e imagina a minha felicidade de encontrar um hibrido que viveu tanto tempo entre humanos, foi para a escola, aprendeu, socializou... enfim, você é uma descoberta incrível. Quando o soro passar, nós vamos ter uma conversinha. - Diz ela, interessada, o que deixa Luca com medo.
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Luca, Alberto e Giulia
FanficOs conflitos entre qual faculdade seguir, e enfrentar seus sentimentos pelo seu amigo de infância, Alberto, perturbam a mente de Luca mais do que nunca, e enquanto vai passar o fim de ano, junto com sua amiga, também desde a infância, Giulia, na peq...
