Raven

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Acordo com minha mãe me balançando.

Ela sempre me acorda porque eu ainda não me adaptei com o despertador vibratório. Acabo me levantando, se não ela vai continuar me balançando por um bom tempo.

Tomo meu banho, visto uma blusa branca colada e uma calça jeans com minha bota preta e claro, o casaco de couro.

Eu decido ir caminhando até a aula de luta quando passo por uma calçada apertada com uns 5 meninos encostados na parede e um deles era cadeirante.

É desconfortável ter que passar por eles, me pergunto se algum dia vou deixar de sentir esse receio, mas não deixo transparecer, passo pelos 5 garotos com a cabeça erguida, sem olhar para nenhum deles. De repente sinto a mão de alguém alisando meu traseiro.
Uma repulsa passa por todo meu corpo, vou socar o idiota que fez isso.

Estou fervendo de ódio e nojo agora. Mas ele quem começou. Viro e me aproximo do menino de cabelo raspado que passou a mão em mim e ponho minhas mãos na cintura dele, ele me lança um sorriso safado instantaneamente.

Noto que os amigos dele estão me encarando, ótimo. Hora do show. Volto minha atenção para o rosto do imbecil e vejo que tenho total controle sobre ele, babaca. Aproximo meu rosto do seu, o surpreendendo, uso a distração para por toda força na minha perna e dar um chute nas bolas dele.

Eu tenho certeza que o grito dele deveria ter sido a coisa mais satisfatória de se ouvir, uma pena que eu não pude ouvir. Mas ver ele caindo no chão e se contorcendo é incrível.

Justin

Estou no carro indo para o serviço depois de deixar Mel na escola quando vejo a cena.

Raven acabou de seduzir o cara e depois chutou as partes dele, só de olhar eu senti a dor.
Saio do carro com pressa, bato a porta com força e corro na direção deles.

-Ei, o que está rolando aqui? - grito para eles me responderem.

Olho para Raven e vejo que ela está me encarando com uma plenitude no rosto, acho que está até sorrindo um pouco. Essa garota é psicopata por acaso?

-Qual o problema dessa imbecil? Ela pareceu gostar quando passei a mão nela. – Diz o idiota se contorcendo no chão.

Eu explodo, pego o cara pelo pescoço o levantando e grudo na parede.

-Eu sou o problema dessa garota. Ela não precisa da minha ajuda, é evidente. Mas eu tenho certeza que você não quer se meter em encrenca comigo, não é?

-Eu não quero mais problema, me deixa cair fora. Pensei que ela não namorava, por isso toquei nela.

-Isso nunca foi pretexto ou afirmação para você assediar alguém, babaca. -Dou um soco no nariz dele e ele choraminga uma ameaça enquanto cai fora com os amigos, mas eu ignoro.

-Raven, você tá bem?- digo em libras. Pego seu rosto com minhas duas mãos, me certificando que não fizeram nenhum mal a ela.

Ela me olha com tanta raiva que fico confuso.

-Qual é a sua? Acha que eu sou quem? Não preciso da sua ajuda, não preciso de você se metendo na minha vida!

-Eu vi com meus próprios olhos que você não precisou de mim, mas aquele babaca te ofendeu e..."-ela me interrompe

-Não quero sua ajuda! Você agiu como um idiota possessivo. Eu sempre me virei sozinha, não vai ser agora que vou aceitar ajuda sua.

Ela vira de costas e segue o caminho dela. Penso em ir atrás, mas estou com raiva demais pra isso. Olho ao redor e vejo que só tem eu na rua, todos foram embora.

Entro no meu carro e bato a porta com força novamente, olho o relógio e vejo que estou atrasado. Inferno. Tem como esse dia piorar?

Raven

Machos escrotos. Justin achou mesmo que eu iria ficar agradecida por ele ter socado o babaca? Ah, por favor...

Acabei de ter meu corpo violado, a última coisa que preciso é de algum homem sendo "gentil" comigo.

Caminho apressada até a aula e sinto que tem alguém me seguindo. Perfeito, mais um homem pra chutar.

Olho para trás e vejo que é o menino na cadeira de rodas.
Ele tem o cabelo preto e liso, sua pele é tão branca que parece papel.

"Me desculpa por aquele cara, eu não sou amigo deles." - Diz em libras

Ele percebeu eu me comunicando com Justin pelo jeito. Agora com ele me acompanhando eu vejo seus olhos escuros.

"Se não é amigo, porque anda com eles então?" - Pergunto nada agradável.

"Você sabe, para não me sentir sozinho. Eu sou novo aqui. Nunca tinha visto nenhum deles fazer aquilo com nenhuma garota, hoje foi a primeira vez. Sinto muito pelo o que você teve que passar, não vou mais andar com eles."- Ele está sendo sincero.

"A pior parte é que eu não ouço ninguém chegando perto, só percebo quando é tarde demais e já... bom esquece, passou." Percebo a vulnerabilidade que transpareci por segundos e me arrependo imensamente.

"Meu nome é Marcos, aliás."- diz trocando de assunto.

"Bom para você."- Apresso o passo para não chegar atrasada. Não olho para trás.

Ouço as batidas do seu coraçãoOnde histórias criam vida. Descubra agora