Julie Molina
Luke para o jipe de frente para o apartamento da minha mãe. Em silêncio, eu pego minhas coisas dentro da bolsa da Carrie, que ainda está desmaiada de sono, e até ronca às vezes. Minha mente ainda está um pouco nublada, e eu tenho a impressão de que se eu sair do carro, vou estar tonta e cambaleante; preciso de um café puro.
Abro a porta do jipe, para sair, mas Luke me impede antes.
- Espera aí. - ele diz, apoiando o braço no outro banco enquanto se vira para olhar para mim. É a primeira vez que fala comigo desde que saímos da festa da Kayla.
- Hã... O que foi? - a porta do carro está aberta e eu já até botei um pé para fora, apenas esperando Luke.
- Você tá... Tá menos bêbada agora?
Vamos ver; minha cabeça dói, mas não estou mais pensando em alcaçuz como um pau murcho de velhinho; estou meio tonta e com certeza molenga e deprimente. É, eu tô bêbada. No estágio final da pessoa bebum.
- É... Mais ou menos. - olho para Luke e mordo o lábio inferior. Há um estranho ar vergonhoso pairando entre nós, e isso me deixa muito aflita, de certa forma.
- Tudo bem. Boa noite!
Balanço a cabeça, mas não digo nada enquanto saio do jipe, quase caindo da altura entre o banco e a calçada, além da embriaguez não ajudar. Finjo que isso não aconteceu, e caminho rapidamente para a portaria do prédio, onde o parteiro assiste a gravação de algum jogo qualquer da NBA. Da onde ficam os dois únicos elevadores, posso ver o jipe de Luke dar partida e ir embora.
Solto um suspiro e entro no elevador que eu chamei, apertando o botão do andar da minha mãe.
Enquanto caminho pelo corredor, indo em direção ao apartamento, a velhinha do 30E me espia por uma fresta da porta, provavelmente me ouviu chegando - o fabuloso som da chegada de Julie Molina. Como está tudo muito silencioso, qualquer movimento ecoa pelos apartamentos desse andar, e não só eu faço barulho, como também posso ouvir a velhinha resmungar enquanto me espia descaradamente.
- Olha só, essa pouca vergonha... Chegando essa hora da noite, bêbada e quase sem roupa. - a ouço dizer e reviro os olhos.
Enfio a chave na abertura da maçaneta. Ou melhor, eu tento. Não estou enxergando direito, apesar das luzes do corredor, e minha cabeça gira tanto que meu corpo quer acompanhar. Tento outra vez, mas acerto a bochecha na madeira, fazendo a dor de cabeça pulsar intensamente.
- Olha só... Onde essa geração vai parar, meu pai?
Olho para a velhinha do 30E e levanto o dedo do meio para ela, fazendo cara feia.
- Vai a merda! - grito, e logo depois ela entra, batendo a porta enquanto cita Deus e um monte de outros nomes bíblicos.
Quando enfim consigo acertar o buraco da maçaneta e entrar em casa, tento não fazer muito barulho, porque não quero chamar a atenção da minha mãe. Tínhamos combinado meia-noite, então tecnicamente eu cheguei bem antes do horário, mas não quero que ela me veja bêbada dessa jeito; eu ficaria muito encrencada...
Acendo a luz do abajur e levo um susto ao ver minha mãe saindo do corredor só de roupão, e carregando um taco de hóquei de gelo na mão - ela é canadense de sangue e, como uma canadense, adora hóquei de gelo. Quando vê que sou eu, ela abaixa o taco e apoia uma mão no coração, suspirando.
- Meu Deus, Julie, você me assustou! - ela diz e eu estreito os olhos, sentindo dor de cabeça.
- Shhhh! Fala baixo! - peço em um sussurro.
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All For Us (JUKE)
FanfictionAdaptação Juke (história original de @Netu_no no wattpad) [OS ACONTECIMENTOS DESSE LIVRO SE PASSAM NO FINAL DE 2019] [ESTE LIVRO NÃO ABORDA UMA HISTÓRIA COM APOSTAS] Livro 1 Julie Molina é invisível. Não literalmente, mas, para os grupos sociais da...
