C A P Í T U L O 1

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Julie Molina

Eu me arrependo de ter entrado na sala de aula assim que vejo o que está escrito no quadro negro:

AULA DE ESTUDOS SOCIAIS (ACHE UM PARCEIRO)

Geralmente, esse período é exclusivo - e somente exclusivo - para a boa e velha biologia. Mas não é a Srta. Todd, nossa professora de biologia, que eu vejo sentada na mesa, é o treinador Harper. Faço uma careta e me sento na minha mesma mesa compartilhada de sempre, mas dessa vez sem a Carrie Patterson, minha melhor amiga - ela teve que mudar todos os períodos de aula em sua grade depois que entrou para a equipe de torcida, e agora fico sozinha em metade das aulas que tínhamos juntas.

O segundo sinal ecoa para todos os lados, e basta apenas segundos para que todos estejam sentados em seus respectivos lugares. E isso inclui Nick Jones como meu parceiro de laboratório, sentado do meu lado. Com Carrie mudando as grades, alguém teria que ter mudado também como consequência, caso contrário eu ficaria sem parceiro até o fim do nosso ano letivo.

- E, aí? - ele diz sorridente e fofo como sempre foi. - Como foi o final de semana?

- O de sempre. - sorrio de volta e dou de ombros.

Com "o de sempre", eu quis dizer que passei meu sábado e meu domingo com o rabo sentado no meu sofá, maratonando todas as séries possíveis da Netflix. Também me empanturrei de chocolates, hambúrgueres e um monte de outras besteiras que poderiam me matar, considerando meu estado de saúde desde minha infância.

- E o seu? Como foi? - pergunto.

- Hum... Bom, a única coisa "emocionante" do meu final de semana, foi ter ido pescar com o meu avô no lago Woods Pond.

Ele solta uma risadinha sem graça, e eu faço o mesmo.

Nick é, de fato, um cara muito bonito. Ele fica andando por aí com seu par de olhos azuis escuros, como se fossem vidro de uma garrafa, encantando todo mundo ao nosso redor. E ele está sempre com os cabelos loiros escuros penteados em um topete que ele faz desde que o conheço por gente. E, apesar de não ser tão musculoso, ele tem um gominho ou outro em formação, por causa do time de futebol americano. Sim, ele é bonito, mas não é o tipo de cara que atraí garotas como Kayla Armstrong, que é bonita, inteligente e popular. Ele é o tipo de cara que é amigo dessas garotas, mesmo que não seja gay. E eu sei disso porque ele tinha uma quedinha por mim no sétimo ano, e eu também sei disso porque ele me contou, e eu sei disso porque éramos melhores amigos naquela época.

Eu, Nick e Kayla éramos melhores amigos inseparáveis no sétimo ano, por incrível que pareça. Quando se tem 12 anos, ninguém liga pra qual grupo de amigos você pertence; não existe esse lance de panelinha. Todo mundo é amigo de todo mundo, às vezes mais do que alguns. Só que o lance é que isso muda quando fazemos 13 anos, que é a idade em que desejamos ser como os adolescente que vemos nos filmes. Não foi diferente com a gente.

Kayla foi a primeira a se afastar, porque mudou primeiro. Seus peitos, que antes eram pequenos demais até para usar sutiã de bojo, cresceram e ficaram enormes misteriosamente. Sua cintura afinou e seus quadris alargaram o suficiente para ela ter curvas na calça skinny que costumava usar todos os dias. A mãe dela a levou no salão e, de repente, ela tinha lindos e sedosos cabelos pretos, com ondas perfeitamente brilhantes. Ela passou a usar lentes de contato e, depois de quatro longos anos usando aparelho ortodôntico, ela finalmente tinha os dentes branquinhos e perfeitos. Kayla agora era garota mais gostosa do colégio, segundo os garotos. Sendo bonita e "gostoso", logo virou popular.

Eu fui a segunda a me afastar, o que não foi nada legal com o Nick. Eu simplesmente comecei a sentir uma vibe diferente da dele, como se nossa amizade não combinasse mais. Só que logo depois ele fez amigos novos, e eu fiquei um tanto solitária até conhecer Carrie no mesmo ano, que foi quando ela se mudou de Seattle para Bridgton, nossa pequena cidade aqui no Maine.

All For Us (JUKE)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora