C A P Í T U L O 46

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Julie Molina

Ai minha cabeça...

É a primeira coisa que eu penso quando abro os olhos, ao acordar. A segunda coisa que eu penso é: quem trouxe a porra do sol para dentro do quarto? Tá muito claro aqui dentro, e isso faz minha dor de cabeça pulsar intensamente. Fecho os olhos com força, resmungando.

- Jules? - a voz de Luke vem alta, como se ele estivesse gritando no meu ouvido.

Estico o braço, virando de bruços enquanto procuro o rosto dele. Quando acho, enfim, encosto o dedo indicador sob seus lábios.

- Shhh! Fala baixinho. - peço. Minha voz está rouca, e minha garganta seca.

- Eu já tô falando baixinho. - dessa vez sua voz vem suave e baixa, me fazendo sorrir de canto.

- Agora apaga a luz...

Leva alguns segundos, mas sinto a cama se mexer, provavelmente porque Luke se levantou, e depois sinto a luz do quarto diminuir sob minhas pálpebras. Abro os olhos outra vez, demorando um pouquinho para me acostumar com o ambiente; é o meu quarto, só o meu quarto.

Passo os olhos ao redor, aproveitando o pouco de luz que meu abajur de lua cheia e os pisca-pisca nas barras da cama trazem. É menos intenso do que a luz do teto, é agradável aos meus olhos. Luke volta a deitar na cama comigo, e eu automaticamente me ajeito para mais perto de seus braços, deitando a cabeça em seu peito. Ouço seus batimentos cardíacos lentos; tudum-tudum-tudum-tudum.

- Como você tá? - ele me pergunta, envolvendo minhas costas com um braço e fazendo carinho na minha bochecha com a ponta dos dedos. Minha vontade é de dizer algo clichê como "melhor agora, que estou aqui com você", mas não estou com humor para brincar.

- Morrendo. - resmungo e fecho os olhos outra vez. - Minha cabeça tá explodindo, meu estômago ardendo e minha boca tá com um gosto ruim.

- É a ressaca.

Não gosto de ficar de ressaca, nem sei porque eu bebo então - na verdade, das últimas duas vezes que eu "enchi a cara", não foi algo que eu tenha planejado. Cansada, me sentindo inútil e explodindo em dor, eu me agarro ao corpo de Luke, escondendo o rosto em seu peitoral. Ele me aparta com mais força, puxando-me mais para cima para deitar a cabeça em cima da minha.

Apesar de estar na merda, tenho uma rápida epifania e percebo que Luke está aqui comigo. Luke Patterson, deitado na minha cama, - de novo - abraçado bem juntinho comigo. É muito melhor do que abraçar o travesseiro e fingir que é ele - não que eu já tenha feito isso. O corpo dele é grande e forte, mas muito macio e acolhedor. Ter seu braço nas minhas costas, sua mão fazendo carinho em mim... Isso é tudo, e ninguém pode tirar de mim essa sensação gostosa. Suspiro, abrindo um meio sorrisinho de canto.

- Você se lembra de tudo o que aconteceu? - Luke me pergunta, ainda mantendo o tom baixo.

- Mais ou menos... - as imagens são um borrão na minha memória, mas consigo pensar em tudo acontecendo até Luke chegar. Depois tudo é um apagão. - O que aconteceu depois que eu vomitei no vaso de plantas?

- Você apagou. - ele suspira. - Tirei você da casa, e trouxe você embora na mesma hora.

- Obrigada...

Parando para pensar agora em tudo o que aconteceu, eu me sinto uma idiota por realmente ter acreditado na vaca da Kayla. Acho que, mesmo depois desses 4 anos, eu ainda acredito que minha ex melhor amiga está dentro dela em algum lugar. Ou melhor, acreditava.

All For Us (JUKE)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora