Julie Molina
É a quarta quinta-feira de novembro, o que significa que é Dia de Ação de Graças. Geralmente eu gosto da ideia de me empanturrar de pato ou peru assado, junto com uma tigela enorme de purê de batatas e suco de abóbora, enquanto assisto aos Giants na TV, mas infelizmente não é isso que eu vou fazer esse ano.
Esse é o primeiro feriado de Ação de Graças que eu comemoro com meus pais divorciados. No ano passado, ficamos em casa e fizemos um jantar entre nós apenas. Apesar de que o casamento deles já estivesse uma merda muito antes de descobrimos sobre a Sofia, foi um jantar divertido, e os dois estavam até conversando e se dando muito bem, coisa que não acontecia mais com frequência. E agora, minha mãe escolheu fazer plantão extra no hospital infantil e meu pai quer que eu vá com ele e com a Sofia para o jantar que os Patterson estão oferecendo.
É o pior Dia de Ação de Graças que eu já tive, e olha que ele ainda nem começou.
Depois do longo e aconchegante banho quente, eu vou para meu quarto me vestir. Para essa noite nada especial, eu escolhi um vestido marrom claro, com uma estampa cheia de bolinhas brancas. Ele é de um tecido leve e fino, e eu preciso amarra-lo com uma cordinha da cor do vestido para fecha-lo ao redor do meu corpo. Há babados nas bordas, inclusive nas mangas longas, mas é tão simples que nem percebemos quando olhamos pela primeira vez - esse é um dos motivos por eu ter comprado o vestido. No cabelo, eu faço um coque simples, puxado para baixo e deixando dois fios de franja soltos ao redor do meu rosto. Nos pés, ponho meu único par de sapatilhas brancas. Por fim, passo um pouco de gloss nos lábios, porque com esse tempinho frio de outono meus lábios estão começando a ressecar muito.
Quando estou pronta, finalmente, eu me observo no espelho com o look completo e suspiro. Nada mal para um jantar.
- Julie? - Sofia chama e depois bate três vezes na porta, esperando que eu a deixe entrar. Reviro os olhos.
- O quê? - grito.
- Já está pronta? Seu pai tá querendo ir...
- Já desço!
Posso ouvir o som de seus saltos se afastando da minha porta, até mesmo quando está descendo as escadas. Como que uma mulher grávida de oito meses consegue andar de salto alto, pra cima e pra baixo, com tanta facilidade?
Enfim, sento na ponta da minha cama e entro no contato da Carrie. Hoje vai ser o mais perto que eu vou chegar dela desde a terrível noite do Peter K, e admito que estou com um pouco de esperança que ela fale pelo menos um "oi" comigo. Não podemos ficar brigadas pra sempre, uma hora vamos conversar.
Antes de descer, eu mando uma mensagem para ela e depois jogo o celular na minha bolsinha.
Espero ver você hoje...
...
A casa no lago dos Patterson não é muito diferente da casa no lago da família da Kayla. É uma casa grande, rústica e moderna ao mesmo tempo, com uma varanda coberta de vasos de plantas e trepadeiras nas colunas. Há um tapete vitoriano enorme logo na entrada, e eu tenho até pena de pisar nele, mesmo que ainda esteja subindo as escadinhas da varanda, na pequena fila de "homens de terno" que se forma para entrar na casa.
O sr. Patterson - ou melhor dizendo, Hank - está na porta, junto com a esposa e os dois filhos. Todos os quatros estão muito bem vestidos, como se fossem a família americana perfeita. Carrie parece desconfortável no vestido azul todo engomadinho que está usando, porque fica passando o dedo na gola o tempo inteiro. Sorrio, me esquecendo por um momento de que ela não vai reclamar comigo, e então paro de sorrir.
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All For Us (JUKE)
FanfictionAdaptação Juke (história original de @Netu_no no wattpad) [OS ACONTECIMENTOS DESSE LIVRO SE PASSAM NO FINAL DE 2019] [ESTE LIVRO NÃO ABORDA UMA HISTÓRIA COM APOSTAS] Livro 1 Julie Molina é invisível. Não literalmente, mas, para os grupos sociais da...
