Em um universo onde a paz reina suprema, um Ser emerge das sombras, manipulando eventos para semear o caos e a destruição, utilizando uma força sinistra ligada a uma presença celestial anômala.
Incapaz de ressurgir diretamente, ele recruta um ajudan...
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(2680 palavras)
Logo, eles foram liberados e puderam sair da ala quatorze, porém, as palavras daquele príncipe ainda estavam impregnadas em suas mentes e os seguiram até chegarem na estação final. Lá, os trabalhadores haviam acabado de chegar — que se solidarizaram com o Emua e Em'zo, ao verem tudo o que aconteceu no julgamento.
Em'zo meio inseguro (e um pouco atordoado com o ocorrido), pediu para Emua organizá-los, enquanto ele, disponibilizava um transporte — porém, antes que ele saísse, foram ovacionados, de pé, por todos na estação, envolvidos em abraços e cumprimentos, por um longo tempo.
Se desvencilhando da multidão, Em'zo subiu a trilha de serviço pela periferia da estação. A solidão naquele momento o abraçou e forçou sair o que ainda estava entalado. Caiu de joelhos no chão chorando e gritando a plenos pulmões.
– O que eu fiz... merecer... o que? – Chorou até a dor passar. Queria demorar-se um pouco, mas já tinha demorado demais, não queria que Emua e Eliata o vissem daquela forma.
O crepúsculo ja se arrastava, morcegos e rãs, compunham a melodia noturna. Em'zo limpou as lágrimas, respirou profundamente, pondo-se de pé. Imaginou o rapaz rindo dele, por ter se permitido vitimizar-se tanto e de alguma forma isso lhe arrancou um sorriso e proporcionou forças para continuar.
Abriu a omla e retirou a última peça de roupa que deveria usar, vestindo-se ali mesmo, graciosamente limpou os resquícios do seu choro na manga daquele tecido fino e caro. Em'zo não sabia se era por causa da cor ou do que representava, mas aquela roupa despertou nele uma sensação de força e poder, mais do que as vestes reais e jurídicas, era como se pudesse ordenar à Lua partir e nunca mais voltar. Riu com a ideia da lua fugindo com o rabo entre as pernas, animandoainda mais seu espirito abatido.
Com a roupa ajustada, e sentidos renovados, estava pronto para seus deveres. Ele retirou um dos globos da omla e colocou em cima de uma trilha. Apontou a luva para ela e se afastou, uma luz roxa brilhou da luva estendendo sua influência, envolvendo completamente o globo. A melodia noturna, ressoava com vibrar do roxo, que se misturava ao vermelho crepuscular.
Um som de algo rachando, apareceu tímido, o gelo que envolvia a bolha se quebrava. Banhada pelo envolvente roxo, a bolha crescia se estendendo sobre os trilhos. Seu interior estava nublado, mas a bolha tomava a forma de um via-trem. Em'zo olhava absorto aquela cena. Não esboçava reação alguma, era como se fosse outra pessoa. O roxo foi se apagando, dando lugar a luz das estrelas da madrugada. Nesse momento, a bolha estourou revelando o via-trem pronto para partir.
– Espera, como eu fiz isso? – Ele despertou, como de um sonho, porém ele tinha feito aquilo, ele se lembrava. Era como se não houvesse estranheza nenhuma naquilo. – Quando eu calçei a luva? Eu... eu estava esse tempo todo com ela? Por que ninguém percebeu? Porque eu não percebi? – E olhava para a luva como se ela pudesse responder-lhe. Era lhe parecia natural, como se fizesse parte dele, como se sempre estivesse ali para ele. Quanto mais pensava, mas acreditava que estava perdendo a razão, levando-o a realmente crer que sua mente lhe pregava peças.