Nobre Egoísmo

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Erwin dormia ao lado da pequena cama em que o Ackerman se encontrava, na noite anterior, quando Mikasa abriu a porta, sendo seguida por Sasha e Armin, que tinha as mãos sujas de sangue, assim como os tecidos das roupas das  mulheres. O príncipe ouviu sobre o ocorrido, estava feliz que ninguém do seu povo estava gravemente machucado.

Contudo, culpava-se pelos ferimentos do anjo na sua frente, que agora, repousava calmamente, enquanto o sol batia contra seu rosto sereno.

Só estava ele e Levi ali, a médica cuidou das outras duas presentes ali, e pela manhã, a recuperação das mesmas estava quase por completa, o nobre se perguntou por que o moreno estava demorando tanto para curar a si próprio...Ele viraria humano? Mikasa havia relatado que isso poderia ocorrer se o arcanjo cometesse um grande pecado.

Ele havia matado pessoas, contudo, elas estavam possuídas, e tinha permissão  para matar demônios.

Sua mão passou calmamente pela pele pálida de Levi, acariciando a bochecha com o polegar, o rosto dele era lindo, não cotinha defeitos ali, os fios de cabelo estavam maiores que de costume, cobrindo um pouco dos olhos do mesmo.

Foi um carinho singelo, os dedos do príncipe subiram pelo rosto e se envolveram nos fios macios e lisos, afastando sua mão quando o anjo suspirou.

— Por que parou?

A voz do menor invadiu o cômodo que abrigava ambos, e Erwin sorriu, aliviado que ele estava melhor.

— Quando foi que acordou, anjo? — Perguntou, retirando sua palma de perto da pele do moreno.

— Antes de começar a me tocar...— O mais baixo se moveu sobre o colchão, frazindo a sobrancelhas quando sentiu o incômodo nas costas, ele tornou a suas falas quando virou-se completamente, para encarar o nobre. — Você passou a noite nessa cadeira? Deveria estar descansando, irei me recuperar em breve.

— Hange também me alertou sobre, porém, era só uma noite, e você disse coisas durante todo seu sono, como se estivesse com dor, só estava me certificando que ficaria bem.

O príncipe era do tipo paciente, contudo, o moreno tinha certeza de que ele não iria o ouvir naquela situação.

— Quando me tornei seu soldado,  até recuperar minhas asas, tinha a intenção de o proteger. No início, era apenas minha parte de arcanjo demostrando gratidão, contudo, sinto algo estranho...E não é minha alma de anjo, sou eu.

O menor se sentou na cama após a fala, o loiro o guiou segurando-o para que não fizesse muito esforço, e sua mão continuo sobre a cintura do mesmo após seu ato, já que o Ackerman colocou sua própria contra a dele, a mantendo ali.

— Levi...

— Estou apaixonado. — Revelou o mais baixo, seu semblante era preocupado e sincero.

O príncipe se sentia egoísta, talvez por sentir o mesmo, não conseguia obter  remorso algum em seu coração, nunca sentiu, desde que o viu pela primeira vez, todos os seus atos, tudo, era tentando esconder que não queria que Levi retornasse ao céu.

Erwin sabia.

Que ele era o pecado de Levi Ackerman.

Ambos, naquele momento, só enxergavam a si mesmos, o menor tinha conhecimento que Mikasa odiaria o ver com um humano, e que a mãe do príncipe e nem seu povo aprovaria qualquer envolvimento com outro homem, porém, agora, isso não passava pela mente dos mesmos.

O príncipe se inclinou para tocar o lábios do anjo, no entanto, o menor o impediu, e mesmo que o ato tivesse o deixando confuso, já que Levi havia se declarado, o maior entendeu quando ele tornou a falar.

— Estamos sujos. E eu acabei de acordar...Não devo estar com um bom hálito. 

O príncipe riu fraco quando notou o rosto ruborizado do outro, que tentava esconder o a vergonha com a expressão séria que sempre usava.

Uma das janelas bateu, provavelmente por conta do vento, e o nobre se levantou, inclinado-se para tocar os lábios na testa do anjo, em um selar gentil.

— Tenho uma reunião para ir, mandarei Hange o observar com frequência. — Ditou ao se afastar.

Um sorriso pequeno foi dado a si, pelo arcanjo, para que pudesse finalmente sair dali.

Quando as portas se fecharam o menor ouviu um som a mais, e não eram o passos dados pelo príncipe, e sim fora do Palácio, provavelmente do lado de fora da janela, havia alguém que estava os observando, talvez Levi teria notado antes, mas seus sentidos estavam cada vez mais fracos.

***

Os fios longos e loiros da mulher eram penteados com frequência pela escova, a rainha estava muito estressada aquele dia, em frente ao espelho, ela fitava a si mesma, tinha despachado todas as empregadas, as fofocas corriam pelos corredores.

Algo havia chateado a nobre. Ela sequer foi visitar Erwin pela manhã, ou Armin, mesmo sabendo que o menino estava chorando muito devido ao trauma que passou na noite.

Um baque enorme foi ouvido pela mais velha, e ela virou-se, ainda com o corpo sobre sua cadeira, suas orbes azuis focaram na pessoa na porta.

— Mikasa...— A Smith disse, encarando a mulher que se aproximava. — O que a trás aqui?

— Afaste o Príncipe do meu irmão.

Os olhos da morena estavam avermelhados, como se tivesse chorado durante o caminho que percorreu até o quarto, que era o mais afastado possível dos demais.

— Por que isso do nada? — Ela indagou mais uma vez o anjo, que a respondeu rapidamente.

— Eu ouvi da boca deles, Levi gosta do príncipe, e isso pode fazer com que ele não possa retomar as asas.

A morena sentia ódio, ela conseguiu ouvir a conversa quando escondida embaixo da janela, e faria de tudo para que o loiro não tirasse toda a Luz divina que ainda sobrava em seu irmão.

— Asas? Do que você está falando?

— Acha que sou idiota? Foi você que ordenou que os outros demônios tentassem nós matar não é? Pude sentir sua áurea neles. — Relatou com raiva, apertando os punhos fortemente.

— Dever amar muito o seu irmão...Você vai se aliar a alguém como eu? Um demônio, só para o salvar? Que coisa mais...Admirável.

Quando a Ackerman perguntou a Armin sobre como o acharam, ele ditou que não tinha contado a ninguém o esconderijo que a maior havia arrumado para si, exceto para sua mãe.

Foi fácil para a mesma ligar os pontos a rainha, ela estava tentado matar, não apenas ela e Levi, mas também Erwin e Armin.

— Mas sabe anjo, eu não tenho nada a ganhar com isso, seria bem melhor para mim, se apenas me livrasse de vocês dois. — A mais velha novamente disse, tornando a desembaraçar seus fios.

— Se não me ajudar, perderá o seu posto como rainha, e farei todos desse reino, saberem que você não é mãe do príncipe, afinal, só tem direito ao trono por que pensam que seu sangue está no sucessor.

Behind A Warrior - Eruri Histórias para pegar e não largar. Descubra agora