Izuku andava pelos corredores do grande hospital, que agora não estava tão caótico e movimentado. Ele parecia se arrastar para conseguir andar, o cansaço já se fazendo presente no corpo do homem de cabelos esverdeados, já eram 05:30 da madrugada e ele não tinha parado um minuto sequer, ele teve que entrar em algumas cirurgias para auxiliar, além das suas próprias que estavam marcadas. Agora Izuku andava até o quarto que o herói White estava repousando da cirurgia, ele andava calmamente, ninguém se importava muito com o que acontecia ao redor ou quem passava por ali. Muito menos se os olhos jade de Midoriya estavam brancos.
Izuku tentava usar a escuridão embaixo do leito do quarto, para que assim, ele conseguisse fazer algumas cordas para que o prendesse na cama e o asfixiasse até a morte. Ele andava devagar enquanto tentava fazer as coisas serem feitas, e assim que chegou um pouco mais perto do quarto ele ouviu o alarme do quarto 201 tocar. Izuku sorriu e suas íris voltaram a ser o verde de antes.
Agora ele corria e tinha uma expressão de preocupação do que poderia estar acontecendo, claramente atuação. Dois médicos e três enfermeiros seguiam Izuku para que assim pudessem ver o que acontecia no quarto.
Uma enfermeira que ali estava gritou alto chamando mais ajuda e que policiais rondassem ao redor do local pois um vilão havia entrado no hospital.
White estava preso na cama, era como se fossem vários tentáculos saindo embaixo da cama. Os braços e pernas presos e sendo fortemente apertados quando mais ele se debatia. Já seu pescoço era fortemente apertado pelas cordas negras, os médicos tentavam a todo custo retirá-las e diziam que iam conseguir tirar o que aquilo fosse dele. Izuku procurava um jeito de retirar aquelas cordas do pescoço do homem, fingindo na verdade, seria um jeito melhor de dizer. O esverdeado para tentar dar uma segurança de que ele sairia vivo dessa colocou uma máscara de ar no rosto de White.
- E-eu nã-não quero mo-morrer. - o herói forçava para conseguir falar, o pulmão dele implorava por ar, por mais que a máscara de ar em seu rosto tentava o dar uma segurança de todo aquele caos, seu pulmão e narinas pareciam queimar e sua visão embaçar.
"Mamãe, e-eu não quero morrer! E n-não quero que você se vá. M-mamãe?"
As memórias daquela maldita noite se fez presente na mente de Midoriya. Os barulhos de tiros o amedrontava, mas ele não saiu até que eles parassem, assim como sua mãe havia dito. O sangue dela espalhado por toda aquela sala. Ela foi morta brutalmente com socos e tiros, era como se sua querida mãe não fosse importante a ninguém, como se ela fosse uma escória na sociedade que precisava ser imediatamente retirada, como um lixo que já estava há tempo demais em casa.
A cabeça de Midoriya começou a girar, sua mente parecia voltar para aquela noite, como se ao invés de White deitado morrendo naquela cama, fosse a sua querida mãe. Sua cabeça estava uma bagunça, nada ao seu redor parecia mais sentido, o enfermeiro que segurou seus ombros e chamou sua atenção para entender isso que acontecia com o esverdeado. Izuku não conseguia entender o que o enfermeiro a sua frente falava, eram apenas palavras desconexas.
"Mamãe? Isso não é hora de b-brincar, está tarde, você di-disse".
Isso foi o estopim para o homem, as cordas que antes estavam no pescoço, mãos e pés de White perfuraram o coração, pulmão, pernas, braços e por fim a cabeça do herói. Antes das cordas desaparecerem elas marcaram algumas partes do corpo com "DN". Devil's nurse.
- Ele esteve por aqui. - Jian disse o óbvio enquanto limpava o sangue que estava em seu rosto.
- O que aconteceu aqui? - o diretor do hospital chegou até o quarto junto com alguns policiais.
Midoriya tentou entender o que acontecia a sua volta, sua cabeça parecia explodir, e ao olhar para baixo, viu que o sangue que escorria pela cama já chegava até o chão rapidamente.
"O pequeno Izuku olhava para todo o lugar, as marcas de sangue em tudo quanto era canto. Ele segurava delicadamente a cabeça de sua mãe e fazia um cafuné nos cabelos, antes verdes agora tingidos com o carmim, enquanto chorava desesperado. Até a porta ser brutalmente aberta pelos policiais e heróis".
A visão de Izuku ainda mais embaçada, seus olhos agora pesavam, seu corpo parecia prestes a cair. Ele desmaiou, e se não fosse o enfermeiro que estava ao seu lado, ele teria ido de encontro ao chão que antes branco e limpo, agora vermelho e o piso parecia se manchar ainda mais.
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Izuku estava tomando mais um copo de água, tentando se acalmar, suas memórias insistiam em voltar para aquela noite. Ele e as pessoas que viram a cena e tentaram salvar o herói, estavam em uma sala e respondiam algumas perguntas feitas pelos policiais.
- O que aconteceu naquele quarto? - o detetive perguntou.
- O alarme do quarto foi acionado, então nós que estávamos perto fomos até o quarto. White estava sendo sufocado por um tipo de corda, eu acho. Ele também estava preso á cama. Tentamos tirar aquelas cordas, fazíamos o possível para que ele pudesse respirar. Até que ele foi perfurado em vários lugares, e ele foi marcado com as siglas de devil's nurse. - Jian, o enfermeiro explicou.
- Algum de vocês viu ele entrar? As câmeras ainda não foram vistas, mas já estamos fazendo isso, então não mintam. - agora, um policial tomou conta da situação, o detetive pareceu não gostar da atitude do outro.
- Ninguém viu nada, mas o Midoriya era o que estava mais perto do quarto, talvez ele tenha deixado o vilão entrar. - a enfermeira que antes estava quieta, resolveu falar.
- Aang o que você fala nem faz sentido. Eu passei horas em diversas cirurgias seguidas, não tive nem tempo de descansar. E você? Ficou cuidando de alguns ferimentos dos civis e depois ficou perambulando pelo hospital, o que te impede de ter compactuado com o vilão? - Izuku a olhou, o sorisso que estava no rosto da mulher vacilou.
- Midoriya é um dos melhores médicos que temos, senão o melhor! Ele é a pessoa que eu mais confio, eu sei que ele não compactuaria com um vilão, principalmente devil's nurse. - Watanabe disse.
- Concordo com o diretor, Midoriya nunca faria isso. - Yoshida disse e tocou no ombro do mais novo.
- Caso precisarmos de mais algo nós ligaremos. - o detetive levantou após a fala e seguiu até a porta.
- Meu turno acabou, eu vou ir para casa. - Izuku disse, e Watanabe mandou-o descançar.
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Midoriya não estava mais com aquele jaleco ou com as vestimentas cirúrgicas. Midoriya usava uma blusa de mangas longas e gola alta preta, o sobretudo preto, a calça de alfaiataria caqui que realçava o cinto preto e prateado, e os sapatos pretos. Izuku estava na entrada do hospital conversando com Linn.
- Suas crianças ficaram comportadas, mas amanhã você vai pagar meu almoço por ter ficado com elas. - a loira disse, e riu logo após.
- Ok, eu disse que pagaria. - Izuku acompanhou ela na risada, mas logo seu celular tocou. - Bem eu já vou indo, até amanhã Linn!
Midoriya saiu andando e atendeu a ligação.
- Oi? Com quem estou falando?
"Nedzu, diretor da UA. Estou falando com Izuku Midoriya?"
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O que acharam do capítulo? Como vocês estão? Dessa vez eu não demorei tanto com a atualização.
(Poderíamos fingir que este amor é verdadadeiro,
Que cada eu te amo,
E as palavras calorosas,
Não passaram de textos ensaiados.
Vamos fingir que isto não é um teatro,
Que não somos atores fajutos,
Que não estamos a fingir um sentir,
Que realmente há algo ali em nossos corações,
Vamos fingir que nosso amor não é barato,
Assim como as bebidas daquele bar que nos conhecemos,
Vamos fingir que não temos um outro alguém,
Vamos fingir que não passamos de uma mentira.
Diga ao público que nosso amor é tão falso quanto nós,
Eles vão aplaudir,
Afinal teria uma atuação melhor que a nossa?
- Vamos pegar os papéis principais, vamos fingir que nos amamos, e que sentiremos algo se perdemos isto que temos. Eu adoro este fingimento, adoro os aplausos, adoro a plateia deste amor de fachada).
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Devil's Nurse
FanfictionEm um mundo onde 80% da população possui uma individualidade, poder ou como queira chamar, se tornou comum com o passar dos anos, também se tornou um lugar onde os heróis puderam surgir para salvar as pessoas dos vilões que começaram a surgir com o...
