Capítulo 18

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EDA

Eu não podia acreditar o quanto  tinha mudado nas últimas semanas. Escolher fazer terapia foi sem dúvida a melhor coisa que me aconteceu. Agradecia todos os dias a minha amiga Gisele por ter insistido para que eu procurasse ajuda psicológica.

Os dias foram passando eu me sentia mais feliz e confiante em relação a gestação. Passei de uma pessoa que mal conseguia tocar na barriga, para uma que além de tocar também conversava. Era ainda muito louco  para mim saber que ali no meu ventre crescia uma vida.

Olho para espelho a minha frente admirando minha barriga, eu tinha esse hábito de parar completamente nua ali e ficar me admirando por um bom tempo. Olhar para minha barriga arredodada, que nas últimas duas semanas  deu uma crescida absurda, deixava tudo real.

Eu estava com 20 semanas e 4 dias de gestação e em pouco mais de 2 horas saberia o sexo do bebê.

- Espero que você esteja de perna aberta. A mamãe aqui já não aguenta mais de ansiedade.  - Digo acariciando minha barriga.

Termino de me arrumar para esperar o Serkan. Pensar nele, ou estar com ele era sempre uma provação. Mantínhamos uma relação polida pelo e bebê e nada mais.

Por dias me culpei por ter sido a causadora do seu sofrimento e até chegava a entender a  raiva que ele direcionou a mim no hospital. Mas isso não me impedia de ficar magoada, era muito difícil receber tanto desprezo da pessoa que se amava.

Mas então o terapeuta me fez entender que eu não devia me culpar por algo que fugia do meu controle, e que devia me sentir orgulhosa do que eu havia me tornado apesar de todas as adversidades  que passei na vida.

O meu único objetivo  na vida agora era garantir que meu bebê tivesse uma vida feliz, e que nunca na vida passasse pelo que eu passei.

****

O caminho até o hospital com Serkan foi naquele silêncio de sempre, só falávamos o indispensável.

Assim que chegamos ao hospital somos encaminhados para a sala da ultrassonografia.

- Boa tarde a todos. Como vocês estão? - Dra. Dilek entra nos cumprimentando.

- Estou bem, mas ansiosa para saber o sexo do bebê. - Respondo.

- Vamos torcer para que ele esteja disposto as nos mostrar. - Diz

Após nos explicar que o crescimento do bebê estava ocorrendo bem, e o Serkan fazer milhares de perguntas como sempre, ela finalmente toca no assunto que mais esperávamos.

-Olha só, aqui temos um bebê que não gosta de se esconder. - Diz rindo.

- Já dar para ver o sexo - Pergunto animada.

- Sim, posso falar?

- Por favor Dra. Dilek - Serkan diz.

- Parabéns vocês são pais de uma menina.

Um sorriso se abre no meu rosto e lágrimas se acumulam no canto dos meus olhos. A emoção que sentia naquele momento era indescritível.  Saber que eu carregava uma menina deixava as coisas mais reais.

- Uma menina! Eu terei uma filha. - Digo enxugando as lágrimas.

Olho para o Serkan que está atônito olhando a tela de ultrassom, mas eu consigo ver as emoções passando pelo seu rosto. Eu sabia que apesar de nossos problemas Serkan seria um bom pai e isso me deixava aliviada, pois sabia que se um dia eu faltasse ela estaria bem aparada.

Antes do fim da consulta e já recuperada da emoção inicial,  perguntei a Dra. Dilek se eu podia sair da minha dieta apenas por hoje, pois eu estava morrendo de desejo de comer hambúrguer, batata frita, refrigerante e um milkshake de morango.

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