Capítulo doze - Recebendo a notícia.

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LAURA

 Escolhida. O que devo fazer em relação a isso afinal? Se pudesse conversar com meu amado pai... Não sei por qual motivo, mas quando penso nisso sinto uma dor tão grande em meu peito, sinto minha velha companheira, a dor de se perder alguém. E então sinto medo. E seu meu pai...morrer?
Deusa, isso não pode acontecer. O Felix faria sem Lucan? O que seria dessa guerra? O seria de mim? Sei que são pensamentos egoístas, mas somos todos egoístas não é mesmo?

 Saio da cabana onde estou abrigada e procuro por alguém que possa me atualizar sobre as condições em que Lucan e Felix se encontram.

 Minha cabana se encontra no meio de acampamento de trols, que se encontra no centro da Floresta Proibida, que, pessoalmente, não acho que o local faz jus ao nome, pois nunca vi flores mais belas. Segundo Marcos o acampamento foi montado há uma semana, algo que me impressiona em demasia, afinal, se existir vila mais bem organizada será realmente um milagre. 

 As cabanas são todas feitas de pedra, com portas de madeira feitas sob medida, algumas tem janelas com flores lilás e azuis para dar um ar mais feminino. Há um lugar onde a cada minuto ficam prontas as mais belas e fortes armaduras, espadas, e alguns escudos também. Há outro local onde algumas mulheres preparam nossas comidas, que, para falar a verdade, são melhores que as do castelo. Tem um outro lugar, a céu aberto mesmo, onde homens e mulheres fazem roupas, que desconfio, hão de servir como disfarce em momento oportuno, pois imitam mais do que bem a arte tecelã rica dos elfos.

 Por mais incrível que isso possa parecer, há também crianças. Não muito jovens, a maioria deve ter em torno de 15 anos. São meninos e meninas de variadas espécies, há aqui crianças anãs, fadas e elfas, devo ressaltar que os pequenos elfos são os mais belos.

 O que mais me impressionou foi encontrar crianças anãs no acampamento, afinal até onde todos sabem, os anões foram extintos há muitos séculos. Porém, Serafine me explicou que esse povo se escondeu dos feiticeiros, pois eles carregam uma energia de pura beleza e força, energia essa que a Sacerdotisa da época convenceu o rei que era mais que necessária para dominar de vez o nosso mundo. Houve então a Guerra dos Mil Anos, durante esses mil anos muitos guerreiros anões morreram, então, em uma ultima medida de desespero, cerca de trezentas crianças e adolescentes foram obrigados a entrar dentro de um túnel pela rainha e suas criadas. Esse túnel era um segredo que apenas as rainhas do povo anão conhecia a existência, para onde ele levava? Para mil metros abaixo do castelo dos feiticeiros, lá haviam algumas plantações de milho e batata, e durante os últimos séculos lá floresceu e viveu um dos povos mais corajosos e inteligentes que o Sol e as Estrelas já viram andar por essas terras.

 Encontro Serafine conversando com uma guerreira anã, ela tem os cabelos negros e olhos da mesma cor, a primeira vista parece ser bem ameaçadora, porém pouco antes de chegar até elas a vejo sorrindo, quando sorri parece ser alguém fofo e amigável, tomara que seja verdade, tenhoi a impressão que Serafine precisa de mais amigas por perto.

  - Olá. - Digo com um sorriso no rosto, apesar de estar preocupada não posso evitar sorrir quando vejo o brilho no olhar das duas, um brilho que me parece esperança.

 - Laura! Não sabia que já havia levantado. Bem, essa é Miranda, a General dos anões, chegou hoje com mais quinhentos guerreiros. - Diz toda orgulhosa, mas eu sei que lá dentro ela está triste por ter que juntar um exército e provavelmente destruir seu irmão.

 Miranda apenas me dá um leve aceno com a cabeça acompanhado de um saudoso sorriso.

 - Prazer Miranda. Estou muito feliz e admirada com a sobrevivência e força do seu povo, é realmente algo a se ter orgulho. - Digo o que penso.

 - Meu povo é guerreiro, e tudo o que queremos é o nosso direito de ir vir por nossas terras como antes. E, por mais que isso possa parecer egoísta, seríamos capaz de passar por cima de qualquer um que tentar nos impedir. - Diz em tom grave, que me faz pensar que eles realmente fariam qualquer coisa para voltar à superfície.

 - Isso é com toda certeza, o que eu também faria pelo meu povo. - Digo tão séria quanto ela. - Porém, não procurei Serafine para isso, mas sim para pedir algumas informações. - Termino olhando sugestivamente para Serafine.

 De uma hora para outra toda cor de eu rosto se esvai, e no lugar de uma expressão esperançosa, aparece uma expressão aflita e tensa. Oh Deusa, não permita que minhas suspeitas estejam corretas, não sei se tenho forças para lidar com mais essa perda.

 - Vamos para um local mais calmo, sim? - Diz com falsa calma.

 Apenas aceno em concordância. Medo. Medo é o que me assola no momento. São tantas coisas sobre mim que não sei se darei conta de mais um peso, uma perda, nas minhas costas, tudo por culpada maldade e do egoísmo de alguns. Que a Deusa proteja a todas as almas boas e arrependidas.

 Serafine me leva para perto de um lago, um pouco afastado do acampamento. A água do lago é de um azul tão claro que de onde estou é possível ver o fundo, há uma grande variedade de peixinhos de água doce que colorem o fundo do lago. A relva envolta é verde e macia, nos sentamos com os pés na água e espero que ela se prepare para me dar alguma informação. E que a Deusa atenda aos meus clamores.

 - Laura, eu não sei como lhe dizer isso, mas... - respira fundo, - há informações, não confirmadas devo ressaltar, de que o Rei Lucan... - engole em seco, - De que o Rei Lucan se foi.

 Não reajo. Simplesmente não consigo acreditar que ele possa estar morto. Meu pai, ele prometeu que jamais me abandonaria, ele...não.

 Sinto apenas uma lágrima cair, logo depois sinto seus braços a me rodear, porém não choro mais. Essa sempre foi para mim uma possibilidade descartada, mas agora... Agora, não só eu como também Felix, teremos que andar com nossas próprias pernas.   

É possível amar?Onde histórias criam vida. Descubra agora