FELIX
Estava lutando sem parar há mais ou menos duas horas.
Confesso, estava cansando, porém não posso parar. Meu povo depende dessa batalha.
Eu não vou perder.
De uma hora para outra uma luz extremamente branca surgiu no meio do campo de batalha.
Todos pararam para olhar.
Tapei meus olhos para proteger-me.
E, por incrível que pareça, tentei olhar.
O que vi causou um misto de surpresa, felicidade, amor, medo e angústia em meu coração.
É Laura!
Eu sei que é.
Uma mulher linda, que transpira bondade, confiança e fervor só poderia ser minha Laura.
As luzes que de seu corpo saem, de alguma forma afastam a maldade.
- Deusa! - um dos meus soldados gritou, em seguida curvou-se ante a presença poderosa que ali se encontrava.
Bernard seguiu seu exemplo, em seguida todos os guerreiros.
Nossos inimigos se foram, fugiram pela floresta talvez.
- Laura... - suspiro o nome da minha amada e, assim como os outros me curvo, com a espada na frente do corpo, olho para ela uma última vez e abaixo a cabeça.
Não acredito que ela está viva.
A perspectiva de encontrá-la novamente enche de júbilo meu ser.
Depois que re-vê-la nunca mais tirarei meus olhas dela.
Nunca mais a soltarei.
Segurarei ela como se sem ela não pudesse respirar novamente, algo que, só para constar, é real.
E, assim como chegou, se foi.
Minha Laura se foi.
De novo...Estou saindo de uma reunião de praxe pós-guerra com o conselho.
Essa foi uma boa luta, não tivemos muitas baixas e o povo acredita que a Deusa está do nosso lado na guerra que está por vir. Confesso que adoraria que assim fosse, porém duvido que seja real, era Laura, tenho a plena certeza disso.
Sou interceptado por Bernard no corredor, em frente meu quarto. Ele parece ansioso.
- Senhor, temos notícias do paradeiro de sua noiva.
Laura!
Finalmente a verei novamente.
Sei que se passou apenas um dia mas parece uma eternidade...
- Diga-me. Agora. - ordeno ríspido.
- Me acompanhe senhor. - ele diz de cabeça baixa.
Bernard me conduz para o calabouço onde encontro um elfo extremamente machucado.
Provavelmente foi torturado para nos dar respostas.
Ele me parece familiar.
Devi dizer que é realmente...medonho. Com toda a certeza não é criatura mais bela criada pela Deusa. Porém isso não vem ao caso, se ele me levar até Laura não me importo com sua aparência, muito menos sua "estadia" nas nossas terras.
- Fale. - digo em um tom frio e... ameaçador.
Sim ameaçador, pois quando se trata de Laura não medirei esforços para encontrá-la, ainda mais agora que sei que estas viva.
Ele da uma risada seca e sinistra e, com dificuldade diz:
- Morta.
Olho-o com raiva e desfiro um golpe em sua face.
- Fale. - eu com falsa calma.
- Sabe, ela era deliciosa, mesmo sob o encanto da escuridão esteve linda enquanto eu, sim eu, a possuía. Era uma bela virgem devo ressaltar. - diz com tos de desdém.
Fico em choque por alguns segundos. Agora o reconheço. Ele esteve na minha visão.
Caliorda. Infeliz.
Pego minha espada e arranco uma de suas mãos ao mesmo tempo que grito:
- Onde ela está? Me diga ou não terá o mesmo fim que seus amigos tiveram em minhas mãos hoje. Sua morte, aí contrário da deles será lenta e dolorosa. Diga!
Ele me olha nos olhos e vejo dor.
Não me importo com ele, ele machucou minha Laura. Ele a desonrou. Não merece viver.
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É possível amar?
Short StoryLaura, A Pura, é a próxima rainha do reino das fadas, algo que muitas invejam, principalmente pelo fato de que ela será a esposa de Felix, O Grande, mas tudo o que ela quer é ser livre, poder ajudar quem ela se importa, e, quem sabe, descobrir o que...