Emboscada inesperada

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Miles Upshur

O homem não conseguia escapar da presença opressiva de Chris Walker, um colosso deformado que vagava pelos corredores do Asilo Mount Massive com uma obsessão sádica por arrancar cabeças. Seus passos pesados ecoavam como trovões, e sua voz rouca resmungava frases desconexas sobre "protocolo de segurança" e "contenção".

Enquanto se escondia nas sombras de uma cela abandonada, Miles sentiu um calafrio percorrer sua espinha. E se Walker não fosse apenas um monstro? E se, em sua mente fragmentada, ele acreditasse estar corrigindo algo terrível? A dúvida corroía Miles, mas o instinto de sobrevivência gritava mais alto. Ele precisava continuar.

Após encontrar o corpo de um guarda, Miles avistou algo que brilhou entre os restos ensanguentados: um cartão de acesso. Seus dedos trêmulos o seguraram com força, como se fosse a chave para sua salvação. O asilo, com suas paredes manchadas e o ar saturado de podridão, parecia zombar de sua esperança.

Ele retornou ao bloco prisional, cada passo calculado para evitar os olhos vigilantes dos pacientes enlouquecidos. Ao inserir o cartão, a porta dos chuveiros rangeu, liberando um chiado metálico que cortou o silêncio. Miles avançou, o coração disparado, guiado por relâmpagos que rasgavam o céu e lançavam clarões fantasmagóricos pelo corredor.

O caminho era estreito, as paredes úmidas exalando um fedor de mofo e morte. Ele caminhava com cautela, os tênis respingando em poças de água fétida. De repente, um movimento nas sombras o fez congelar. Os gêmeos variantes, figuras esguias e sinistras, surgiram como predadores, seus olhos vazios fixos nele.

Miles não pensou duas vezes. Com um impulso de adrenalina, escalou uma janela quebrada, as bordas de vidro arranhando suas mãos. Pendurou-se no parapeito externo, o vento gelado da tempestade açoitando seu rosto. Com os músculos ardendo, alcançou outra abertura e deslizou para dentro, escapando por pouco dos perseguidores. Ofegante, ele se permitiu um instante de alívio, mas sabia que o asilo não oferecia tréguas.

O corredor seguinte o levou a uma sala claustrofóbica, onde o ar parecia mais denso, carregado de desespero. Duas celas enferrujadas flanqueavam o espaço, uma delas com uma cadeira coberta de manchas escuras e retorcida como se tivesse testemunhado horrores indizíveis. Sobre uma mesa empoeirada, Miles encontrou um documento que fez sua pele arrepiar:

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Certidão de Óbito de Rudolf G. Wernicke

Estado do Colorado, Condado de Mount Massive Preserve
Nome: Rudolf Gustav Wernicke
Data de Nascimento: 20 de outubro de 1918
Local de Nascimento: Alemanha
Data de Falecimento: 28 de fevereiro de 2009
Causa da Morte: Insuficiência cardíaca por idade avançada
Certifico que acompanhei o falecido de 2003 até 27 de fevereiro de 2009, e que o óbito ocorreu às 4h11 do dia indicado.
Arquivo 8732, Corporação Murkoff

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Miles franziu a testa. Wernicke, um nome que ecoava nos murmúrios dos pacientes e nos registros espalhados pelo asilo. Um homem morto há anos, mas cuja sombra ainda pairava sobre aquele inferno. Ele guardou o documento na mochila, determinado a decifrar seu significado. Cada fragmento de informação era uma peça de um quebra-cabeça macabro, e Miles sentia que a verdade estava próxima — tão próxima quanto o perigo que o espreitava.

Retornando à sala de segurança, ele encontrou o painel que controlava a câmara de descontaminação. Seus dedos hesitaram sobre o botão, o peso da decisão pressionando seu peito. Ao ativá-lo, um rugido gutural explodiu atrás do vidro reforçado. Chris Walker surgiu, os olhos injetados de fúria, esmurrando a barreira com punhos que pareciam martelos.

Outlast - Another StoryOnde histórias criam vida. Descubra agora