A última provação

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A tempestade que rugia sobre o Monte Massive finalmente cessara. Um silêncio estranho pairava no ar, rompido apenas pelo suave sussurrar do vento entre os pinheiros. O céu cinzento começava a se abrir, revelando as primeiras pinceladas de um tímido amanhecer de outono. Eram os primeiros momentos do dia 18 de setembro.

Em uma sala esquecida no bloco administrativo do manicômio, um garoto de cabelos castanhos e olhos escuros despertava lentamente sobre uma cama improvisada. A dor latejante na cabeça o fez levar a mão ao supercílio ferido - lembrança de um golpe violento desferido por um dos gêmeos. A lembrança era difusa, mas o resgate feito pelo Padre Martin ainda ecoava em sua mente como um sonho à beira do pesadelo.

Desorientado, Gilbert se levantou com esforço. Cada passo era guiado apenas pelo instinto. Ele percorreu os corredores frios, descendo o primeiro desnível do manicômio, até que avistou, entre os escombros e a decadência, o bloco administrativo. Um sopro de esperança acendeu-se dentro de si - talvez, enfim, houvesse uma saída.

Mas a sensação não durou.

- Olha só quem eu encontrei! - disse uma voz carregada de sarcasmo e fúria.

Gilbert congelou. À sua frente, surgia um homem de terno escuro e olhos azuis intensos. Jeremy Blaire, CEO da Murkoff Corporation, caminhava em sua direção como um predador prestes a atacar.

- Quem é você? - perguntou Gilbert, recuando instintivamente.

- Isso não importa. Sabe por quê? - Jeremy avançava, devagar, ameaçador.

- Eu... eu não sei o que está acontecendo. Só quero ir embora. Se puder me aju-

- Ninguém vai te ajudar! - rosnou o executivo, revelando uma faca que empunhava com força. - Nem você... nem nenhuma maldita alma vai sair daqui. Ninguém vai saber de nada!

O olhar de Gilbert saltou para o portão às suas costas. Sem pensar, abriu-o e disparou pelas escadas. Mas Jeremy era mais rápido do que aparentava. Em segundos, o empresário o alcançou e o puxou pelos cabelos.

- Agh-! - gemeu Gilbert, sentindo a lâmina fria encostar-se ao seu pescoço.

No instante seguinte, uma voz ecoou no corredor:

- HEY!

Era Josh.

A distração foi suficiente. Gilbert pisou com força no pé de Jeremy e se desvencilhou, correndo em direção ao variante que avançava com brutalidade. Jeremy tentou reagir, girando a faca, mas Josh foi mais rápido. Tomou-lhe a arma com facilidade e a cravou em seu abdômen. Em seguida, desferiu um soco poderoso, lançando o executivo contra as portas principais como um boneco de pano.

Jeremy caiu, inerte.

Josh virou-se para Gilbert, que tremia, o corpo rígido pela descarga de adrenalina.

- Está tudo bem... aparentemente. Ninguém vai te machucar agora.

- E-eu só quero sair daqui. Você sabe onde fica a saída?

Josh hesitou por um instante, coçando o cenho.

- Existe apenas um lugar...

Outlast - Another StoryHistórias para pegar e não largar. Descubra agora