Gilbert Walter
O jovem paciente perdido no caos do manicômio Monte Massive, retorna silenciosamente ao Bloco B da prisão, hesitante e cheio de medo. O pátio exterior ainda parecia uma ameaça maior do que os horrores que enfrentava ali dentro. A vastidão daquele setor fazia ecoar o som de seus próprios passos, um lembrete cruel de sua solidão.
Ele caminhava pelos corredores cercados por celas vazias e escuras, cada uma guardando o silêncio aterrador de histórias interrompidas. Em seu peito, o medo pulsava como um tambor. Ao fundo, podia-se ouvir gritos de socorro — distantes, abafados, desesperadores. Era impossível distinguir se vinham de vítimas ou algo muito pior.
De repente, uma dor aguda atravessa sua mente. Os estáticos provocados pelo motor morfogênico invadem seu cérebro como agulhas invisíveis sendo cravadas sem piedade. Gilbert pressiona a testa contra a parede fria e suja, tentando resistir ao tormento mental. Após alguns minutos, a dor cessa, e ele continua sua jornada, cambaleando.
Sem aviso, um variante armado com uma faca enorme surge no fim do corredor, correndo em sua direção. O instinto fala mais alto. Gilbert corre com todas as forças, como se a própria morte o perseguisse. Ao encontrar uma porta destrancada, entra e rapidamente a tranca atrás de si. Era a área dos chuveiros — úmida, sombria e tomada pelo cheiro de mofo.
O som de batidas violentas ressoa pela porta enquanto o agressor tenta forçar a entrada. Com o coração acelerado, Gilbert encontra um armário enferrujado e se esconde. Pelas frestas, observa o insano invadir a sala e vasculhar o local. O silêncio pesa. Para sua sorte, o homem sobe as escadas em direção ao andar superior, permitindo que Gilbert escape pelo corredor oposto.
No entanto, uma explosão repentina no andar de cima sacode a estrutura. Estilhaços de concreto caem do teto, e o jovem se encolhe. O barulho o assusta tanto que ele hesita, volta atrás e decide subir as escadas.
Ao chegar ao segundo andar do Bloco B, Gilbert presencia um guarda tentando se defender de um variante armado. Em um ato impulsivo e corajoso, o garoto agarra uma pedra solta de uma parede quebrada e a arremessa na cabeça do agressor. O impacto é certeiro; o variante desmaia.
— Por que você fez isso?! — grita o guarda, recuando contra a parede amarela, em choque.
— Eu não sou como eles! Por mais que você não acredite... Por favor, me diga onde é a saída! — responde Gilbert, ofegante e com a voz trêmula.
— Não se aproxime! — alerta o guarda, ainda na defensiva.
Nesse momento, outro guarda aparece correndo, ferido e ofegante. Gilbert o reconhece — ele era o homem que havia ajudado em outro bloco.
— Você ainda está vivo, moleque? — disse o segundo guarda, surpreso.
— Podemos sair vivos daqui, se trabalharmos juntos! — insistiu Gilbert.
— Você conhece esse paciente, Jenkins? — perguntou o primeiro guarda, de olhos castanhos.
— Sim, David! Ele me salvou quando fui atacado por um variante no Bloco C — respondeu o segundo, aliviado.
— Eu... eu não sei o que está acontecendo aqui. Nem sei meu próprio nome. Só quero sair daqui — desabafou Gilbert, quase em lágrimas.
Mas a conversa é brutalmente interrompida. Um som pesado ecoa no corredor. Chris Walker aparece, imponente, com olhos cheios de fúria. O monstro avança sem hesitar. Os três correm para um corredor parcialmente destruído, subindo as escadas rapidamente até alcançarem uma sala de descontaminação. Lá, conseguem acessar uma área restrita do Bloco A, que levava ao setor administrativo.
Ao chegarem à porta que dava acesso ao novo setor, Jenkins usa seu cartão de segurança, mas antes que a porta se feche, Walker a alcança e agarra Jenkins pelo pescoço, levantando-o como se não pesasse nada.
— CORRE! — grita David, enquanto foge desesperado.
Gilbert, tomado pela adrenalina, ataca Chris Walker jogando uma cadeira de metal contra ele. A cadeira atinge as costas do gigante, fazendo-o largar Jenkins, que é lançado contra a parede e desmaia. O garoto se esconde rapidamente atrás de uma mesa virada.
Walker persegue David corredor adentro, deixando o local. Gilbert aproveita para se aproximar de Jenkins, mas felizmente ele encontrou sinais de vida. O corredor está vazio. O tique-taque de um relógio de parede é o único som que ressoa. Gilbert observa o mostrador: meia-noite e dezessete.
Curiosamente, o sono e o cansaço não o vencem, mesmo após tudo. Havia algo dentro dele que o fazia continuar, um instinto de sobrevivência ou talvez o efeito dos experimentos realizados naquele lugar.
Com coragem renovada e medo ainda pulsando, o garoto segue o caminho por onde Walker havia ido, na esperança de encontrar uma saída. Mas a esperança se esvai ao virar um corredor e encontrar o corpo decapitado de David. Sua cabeça jazia ao lado do corpo, os olhos ainda abertos. Gilbert paralisa. Uma lágrima escorre por seu rosto, e com mãos trêmulas, verifica o nome no uniforme. David. Jenkins estava vivo — por enquanto.
Sem escolha, Gilbert continua, seguindo pelos corredores que o levam até o Bloco D. Ali, pacientes em estado lastimável murmuravam ou riam sozinhos. Cada passo era acompanhado do som de ossos estalando, gemidos de dor e sussurros paranoicos.
O chão e as paredes estavam pintados com sangue. Pés descalços de Gilbert afundavam em poças viscosas formadas por fluidos corporais. Era como caminhar em um pesadelo vivo. Cada cela parecia conter horrores novos: um paciente com as unhas arrancadas, outro se alimentando de carne crua, outro apenas balançando o corpo para frente e para trás, murmurando palavras sem sentido.
O garoto vasculha algumas salas em busca de uma saída — uma era uma sala de segurança abandonada, outra, uma cozinha onde variantes se alimentavam de restos humanos. O cheiro de carne queimada misturado ao de sangue enchia o ambiente.
Depois de muitas portas trancadas e salas desertas, finalmente, um portão destrancado chama sua atenção. Um sorriso involuntário escapa de seu rosto — talvez, só talvez, aquilo fosse uma saída.
Mas a esperança morre assim que ele entra. Ali dentro, ele se depara com o variante canibal: Frank Manera, que devorava o corpo de um paciente. A visão foi grotesca. Sangue escorria pelo queixo do canibal, que lentamente ergue os olhos e os fixa em Gilbert.
Desesperado, o garoto tenta fugir pela mesma entrada, mas o portão se fecha — ele estava preso com o canibal. O medo percorre suas veias como veneno.
Gilbert recua, cambaleando, até encontrar uma porta lateral. Ela levava a uma pequena escada, que ele desce rapidamente, tropeçando nos degraus. Ao final, encontra uma porta azul metálica. Com as mãos suadas, a empurra e, ao abrir, descobre uma nova área — o sistema de esgoto alternativo do asilo.
E agora, leitor(a)...
Gilbert encontrará a tão sonhada saída?
Ou o inferno do Monte Massive apenas começou para ele?
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Outlast - Another Story
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