Mount Massive Asylum, CO
5:30
O céu ainda era um véu de trevas sobre as montanhas do Colorado quando Tyler ajustou a alça do colete tático. O vento cortava como lâmina entre os pinheiros, e a respiração quente dos soldados da Murkoff Hard Line Security se condensava no ar frio da madrugada. A base avançada, montada a poucos quilômetros do Mount Massive Asylum, estava mergulhada em um silêncio inquietante — não o silêncio natural da noite, mas aquele que precede algo catastrófico.
Tyler era um homem acostumado a decisões rápidas e ordens diretas, mas naquela noite até ele sentia um peso diferente no peito. O rádio em seu ombro estalou com interferência antes de a voz velha e frágil de Rudolf Wernicke cortar o canal com clareza assustadora.
— Senhor Tyler, Miles Upshur está tentando desligar o suporte de vida de Billy Hope. Se conseguir, o Projeto Walrider colapsará... ou pior, escapará. Você e sua equipe têm ordens diretas para entrar assim que Blaire destrancar os portões.
Tyler pressionou o botão do rádio.
— Entendido. Entraremos ao primeiro sinal. O senhor espera sobreviventes?
Houve um breve silêncio. Então, Wernicke respondeu com frieza:
— Apenas testemunhas.
Tyler rangeu os dentes. A Murkoff prometia contratos generosos, equipamentos de ponta e bônus por risco — mas nunca falava sobre as coisas que se moviam nos bastidores de suas instalações. Ele olhou para os homens à sua volta: doze soldados armados com fuzis automáticos, trajes blindados e olhares endurecidos. Nenhum deles era ingênuo. Haviam lido os relatórios lacrados, visto as imagens turvas das câmeras internas antes do apagão. Sabiam que o que os aguardava ali dentro não era uma simples contenção.
— Hora de ganhar nosso pagamento — disse Tyler, chamando a atenção da equipe. — Quando Blaire abrir a entrada, entramos em formação padrão. Unidade Ômega, vocês seguem pela estrada de terra até o acesso aos túneis inferiores. O restante vem comigo para varrer os corredores principais. Atiramos para matar. Sem misericórdia.
— E se virmos Upshur? — perguntou um dos soldados, abaixando levemente a viseira.
— Executem. Ordem direta da Murkoff. Ele já sabe demais.
Um aceno geral foi a única resposta. Nenhum deles questionaria. Apenas mais um nome na lista. Apenas mais uma operação suja.
Poucos minutos depois, uma luz tênue piscou no alto da colina — um código visual. Blaire havia destrancado os portões.
— Movimentar! — ordenou Tyler.
Os motores dos transportes táticos roncaram baixo ao se aproximarem da entrada do asilo. As enormes portas de aço estavam entreabertas, e o cheiro metálico de sangue e ozônio escapava de dentro como um aviso velado. Blaire, pálido e trêmulo, aguardava sob a luz amarelada do saguão.
— O laboratório está uma zona de guerra — disse Blaire, os olhos arregalados. — A entidade... ainda está ativa. Billy está morrendo, mas não rápido o suficiente.
Tyler não perdeu tempo com palavras. Assentiu e sinalizou para as unidades.
— Ômega, estrada de terra. Os outros, comigo. Rastreamento total. Nada se move sem ser notado.
A Unidade Ômega se separou, descendo pelo terreno úmido em direção ao acesso inferior do complexo. O solo estalava sob as botas pesadas, e a floresta ao redor parecia observar cada passo. Ao chegarem ao portão traseiro do asilo, o concreto do acesso ao laboratório já estava manchado de sangue — marcas de mãos, arranhões... e algo que não parecia ter forma humana.
Tyler, ainda nos corredores do piso superior, ouviu os primeiros tiros ecoarem pelos fones. Gritos abafados. Estalos secos. Interferência.
O Walrider já sabia que estavam ali.
E Mount Massive, aquela monstruosidade adormecida na escuridão, acabava de acordar.
***
A Unidade Ômega já havia perdido contato com dois soldados quando avançavam pelos corredores manchados de sangue rumo ao coração do laboratório subterrâneo. O fedor de carne queimada e fluidos químicos impregnava o ar, enquanto luzes de emergência piscavam de forma irregular, projetando sombras que se arrastavam como entidades vivas pelas paredes.
— Contato visual com a sala de controle — disse o cabo Jones pelo rádio, a voz firme apesar da tensão. — Porta entreaberta. Temos movimento interno.
Tyler, que avançava com sua equipe pelos andares superiores, respondeu de imediato:
— Entrem com cautela. Relatem qualquer coisa.
Os dois soldados empurraram a porta devagar, fuzis apontados. A luz fraca do painel iluminava a figura de um homem muito velho, sentado em uma cadeira de rodas. Seus olhos pálidos brilharam ao encará-los, sem medo — apenas uma aceitação pesada, quase resignada.
— Rudolf Wernicke? — perguntou um dos soldados, com a mira do rifle firme.
— Sim — respondeu o velho cientista, com a voz enfraquecida, mas clara. — Não precisam apontar. Já estou morto há muito tempo... só o corpo insiste em continuar.
Os soldados trocaram olhares rápidos, confusos, mas mantiveram a postura. Wernicke virou a cadeira lentamente e apontou para o grande painel de monitores à sua frente. A tela principal mostrava a sala de contenção. O suporte de vida de Billy Hope piscava em vermelho. Ao lado do tubo onde o jovem estava suspenso em líquido, Miles Upshur avançava — suado, ferido e determinado.
— É ele — murmurou Jones, aproximando-se do monitor. — O jornalista.
Wernicke permaneceu em silêncio por um instante, observando a cena como se revivesse um antigo pesadelo.
— Upshur descobriu demais... e teve coragem de fazer o que nem eu fui capaz. Ele vai desligá-lo. E com isso... — respirou fundo — ...libertar o Walrider.
O outro soldado engoliu em seco.
— O que acontece se ele conseguir?
— Vocês verão. A entidade perderá seu hospedeiro. Mas não desaparecerá. O Walrider é como um parasita — vai procurar um novo corpo. — Os olhos de Wernicke se estreitaram. — E tenho quase certeza de que ele já escolheu o próximo.
Jones observou fixamente o monitor. Miles Upshur removia os cabos com brutalidade, lutando para manter o equilíbrio. Alarmes começaram a soar. As leituras vitais de Billy despencavam rapidamente.
— Senhor, devemos detê-lo? — perguntou o soldado, já recuando em direção à porta.
Wernicke apenas balançou a cabeça.
— Não há mais contenção. Não há mais protocolo. Apenas sobrevivência. Se forem espertos, não irão fugir.
Naquele instante, os monitores começaram a falhar — uma a uma, as câmeras internas escureciam, como se algo passasse por elas, corrompendo sinais, quebrando luz, sufocando o sistema com pura presença.
O Walrider estava se movendo.
E a caça acabava de começar.
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Outlast - Another Story
Fanfiction🥉Vencedor no concurso Clube de Leitura LER em terceiro lugar. 🥇Vencedor no concurso Clube do Terror LER em primeiro lugar. 🥉Vencedor no concurso Deuses Gregos em terceiro lugar Nas geladas montanhas do Colorado, o destemido jornalista investigat...
