Capítulo 12

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Bem vindos ao capítulo final de SV - Parte 1. Em breve parte 2.

Desfrutem <3
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Estacionou na frente de sua antiga casa, desceu e foi até a porta. Será que a senha do alarme continuava a mesma? Só havia um modo de descobrir. Digitou a senha e o alarme fora desativado, em seguida chegou em casa.

– Hank? Hank? – Chamou pelo cachorro.

O cão provavelmente não estava em casa, quando trabalhava geralmente Hank ficava ou com a mãe de Herrera ou em uma creche para que não se entediasse sozinho em casa. Via o cão como um filho, ela não podia negar. Cuidou bem dele também enquanto Alfonso esteve fora, e se afeiçoou muito ao cão.

Olhou para a casa e estranhou ao ver ferramentas espalhadas pela casa e algumas latas de tinta também.

Será que seu ex-marido estava preparando a casa para venda? Será que ele seria capaz de se desfazer daquela casa que escolheram com tanto carinho? Talvez ele realmente estivesse afastando Anahí da sua vida, desta vez definitivamente. Ela engoliu seco e seguiu.

Quando chegou na escada tomou uma grande surpresa, havia uma grade protetora na beira da escada, na parte de cima também havia outra. Seguiu até o quarto que anteriormente dividia com o homem que amava enquanto era seu marido e pegou as coisas que restavam, já estava tudo mais ou menos organizado.

Ao sair percebeu que em frente a porta do quarto ao lado – que era onde a mãe de Herrera ficava quando vinha para visitas – haviam algumas latas de tinta. Curiosa como uma CSI, ela largou as sacolas no chão e fora caminhando até o quarto e abriu a porta.

Ela ficou estática.

...

Herrera ao saber que Anahí ia a sua casa buscar algumas coisas, as coisas dela que ainda restavam lá, ele ficou visivelmente nervoso. Saiu no meio do turno sem nem dar explicações, entrou no carro e dirigiu até sua casa em alta velocidade, tinha que chegar antes de Anahí.

Ao chegar, percebeu que o carro de Anahí já estava estacionado na frente da casa. Ele saiu do carro e o trancou rapidamente, caminhou até a casa e a porta da frente se encontrava apenas encostada, não estava trancada a chave. Ele andou por todo o primeiro andar da casa e não a encontrou.

– Anahí... Anahí... – Ele chamou com tom de voz alto.

Ele viu que as grades de proteção da escada estavam abertas, provavelmente estava no quarto que um dia já havia dividido com ela, subiu as escadas rapidamente e encontrou ela onde menos queria encontrar. Ela estava parada, imóvel, com o pensamento longe, e seu olhar perdido dentro do quarto vazio, aquele que ocupava sua mãe quando ia visita-lo.

Ela não demorou para perceber a presença de Herrera ali, seus olhos mareados se lançaram contra os dele. Visivelmente emocionada, seus lábios tremiam buscando palavras para falar algo.

– Poncho, o que significa isso?

– Anahí, desça comigo até a sala, vamos conversar... – Ele disse rendido.

Herrera se aproximou de Anahí e envolveu seus braços nela, aconchegou-a contra seu peito e deixou que ela chorasse.

– Venha, vamos descer... – Murmurou baixo.

Anahí desceu junto com Herrera até a sala, as imagens não saiam da sua cabeça.

Quando olhou o quarto, pôde ver as paredes pintadas de um azul bem claro, contrastado nos detalhes brancos delicados, tinha um berço no canto, e algumas decorações de ursos, pôde ver ainda no canto um armário, não estava totalmente organizado, ainda haviam algumas coisas espalhadas pelo chão. O que significava aquilo?

Olhou ao fundo, e com letras maiúsculas o nome "Oscar" estava escrito ao fundo. Ela ficou estática no momento, não ouvia e não via mais nada, sua mente viajou diante de tantas possibilidades, até o momento que o homem de cabelos negros e olhos verdes interrompeu seus pensamentos e a convidou para ir até a sala.

– Herrera, o que significa aquilo lá em cima?

– Não gostou? – Perguntou em um tom de voz baixo.

– Está lindo... – Afirmou com convicção. – Eu apenas não estou entendendo nada.

– Anahí, pior do que estar do outro lado do mundo, é estar perto de você e ainda sim distante, é te ver todos os dias e ter que evitar trocar olhares, é ver todos a sua volta acompanhando o crescimento do seu filho e não poder ser o pai dele. Eu não queria que visse o quarto que havia feito agora, queria que o conhecesse já pronto, era um presente que queria dar para você e para o Oscar. Eu gostaria muito de ser...

– Poncho... – Ela negou com a cabeça com os olhos mareados. – Você nunca quis ser pai... Você nunca quis esse papel para a sua vida.

– E você também não queria até um tempo atrás, imagino que deve ter sido um choque quando recebeu o exame positivo. Além de que, eu não fui realmente sincero com você.

Anahí apenas se recostou no sofá de lado, porém de frente para ele, esperando que continuasse.

– Anahí, eu não posso ter filhos. – Falou rapidamente em um desabafo que doía muito admitir.

– Como? – Ela o encarou.

– Eu não posso conceber filhos meus, nunca pude.

– Por que você nunca me contou isso Poncho? Isso nunca seria um impedimento. Hoje em dia a ciência e os médicos ajudam muito, pode-se fazer inseminações, adotar uma criança, existem milhares de coisas. – Ela falou irritada, levantando-se do sofá. – Eu... –Ele respirou profundo. – Eu não acredito que passamos por isso durante todos esses anos somente por que você não podia ter filhos. – Ela cuspiu as palavras. – Eu nunca te cobrei isto, você poderia ter me contado e...

– Me deixe falar. – Ele a interrompeu. – Eu nunca utilizei isto como critério quando tomei decisões, e se eu não contei para você não foi por falta de confiança, somente por que eu não me sentia confortável diante dessa situação, fora difícil para mim mesmo aceitar que não teria filhos, netos, até o momento que eu me acostumei com isso, mas você não era obrigada a passar por isto. E sim, você tinha o desejo de ser mãe... Eu sempre fui sincero com você, inclusive no dia que pedi o divórcio.

– Como você pode afirmar que eu tinha esse desejo?

– Por que eu também tinha vontade de ser pai. E eu ainda tenho. – Respirou profundamente. – Me escute, por favor. Eu não vou te forçar a nada, só peço para que me escute. Eu te amo, eu te amo ao ponto de deixar para trás dos os empecilhos que eu mesmo coloquei, ao ponto de amar esse bebê como se fosse meu filho, ao ponto de me sacrificar por essa criança se for necessário. Talvez você não acredite, mas a cada dia que eu ficava no laboratório e via sua barriga crescendo eu tinha vontade de ser o pai deste menino, de fazer o quarto junto com você, ir nas consultas, nas ultrassonografias, estar por perto quando tivesse um desejo maluco, fazer uma massagem nos teus pés quando eles estivessem inchados. Eu tinha vontade de participar ativamente de todas as fases, ainda sim eu não tinha coragem, eu tinha medo, não era meu filho e isso me causava ciúme, eu não posso negar. – Ele suspirou. – Porém eu criei um afeto por ele, e me faltava coragem de sentar com você e falar tudo que estou falando agora. Eu sei que ele tem um pai, e não quero roubar o lugar dele, mas eu posso representar esse papel, amá-lo como tal, ser uma referência masculina, ensinar a jogar baseball e estar presente na reunião de pais da escola. Para mim, basta que ele seja seu filho, e será meu também. Ainda sim, se não aceitar, quero que fique com a casa, ela é espaçosa o suficiente para criar Oscar com conforto, e já está tudo preparado para ele, acredite fiz tudo com muito carinho. No entanto, eu preferiria anular esses papéis do divórcio e constituir uma família com você, Oscar e eu...

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Sim gente, eu tenho uma queda por finais em aberto. Mas pensa, tem segunda parte. E aí, o que acham que vai acontecer na segunda parte?

Si volvieras ✖ AyA {finalizada}Onde histórias criam vida. Descubra agora