ℂ𝕒𝕡í𝕥𝕦𝕝𝕠 𝟚𝟙

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[Leve gatilho.]

Cordélia estava furiosa com Draco.

Ela acordou e fez sua rotina matinal com Carmella, e quando eles foram à loja, ela esperava que seu cartão fosse recusado quando ela estava comprando mantimentos, e ainda assim, isso não aconteceu.

Então aqui estava ela, invadindo o trabalho de Draco, Carmella em seu quadril. Ela descobriu que Draco conseguiu um emprego aqui, quase imediatamente depois que ela permitiu que ele ficasse em seu apartamento, e isso a assustou o quão rápido ele poderia arrumar sua vida em duas semanas.

— Com licença? — a senhora na recepção fez um sinal para Cordélia. — Posso perguntar por que você está aqui? Crianças não são permitidas–

— Ah, cai fora — ela murmurou, subindo as escadas. Ela tinha certeza de que encontraria o escritório dele eventualmente, e mesmo assim, ela andaria por todo este prédio se ela também.

No momento em que ela fez todo o caminho, ela estava sem fôlego e teve que segurar o estômago com a outra mão. Carmella estava brincando com a trança de Cordélia, sem prestar atenção ao mundo ao seu redor.

Cordelia virou por vários corredores, até que viu uma placa ao lado de uma porta que dizia 'Malfoy 203' e suspirou de alívio. Sua mão torceu a maçaneta da porta, parando logo quando percebeu que uma mulher estava parada ali, na frente da mesa de Draco.

Seus braços estavam sendo jogados para cima, e assim que a porta se abriu, as mulheres se viraram, sua camisa claramente visível e seu decote à mostra para todos também. Bem, especificamente o homem na frente dela. Draco Malfoy.

— Cordélia? — Draco estava de pé em um instante, observando a forma como Cordélia cerrava os punhos.

— Sr. Malfoy, estamos tendo uma conversa. Você pode gentilmente dizer a ela para sair–

— Saia você.

Não foram as palavras de Draco, foram as de Cordélia. Ciúme crivado dentro dela, e ela odiava isso, mas ver que as mulheres claramente tentando chamar sua atenção, a deixou louca.

Draco fez sinal para ela sair, e ela bufou enquanto saía, arrumando sua saia. Ele foi dizer alguma coisa, mas quando Cordélia bateu a porta do escritório, ele se sentou novamente.

— Pode explicar por que há cinquenta mil na minha conta? — ela sentou Carmella no banco, ainda respirando pesadamente, e Draco percebeu.

Ele se levantou. — Você não deveria estar subindo tantas escadas assim. Da próxima vez, pegue os elevadores.

Ela zombou, cruzando os braços em seu suéter. — Não mude de assunto–

— Eu não estou–

— Você está — ela retrucou, observando a maneira como ele apertava a mandíbula. — Eu quero saber como você conseguiu acesso à minha conta bancária. Você acha que só porque você tem dinheiro e porque você age todo grande e mal que você – que você pode fazer o que quiser–

— Cordélia — ele disse o nome dela tão baixo que ela fechou a boca em um instante. Ele lhe entregou uma garrafa de água e a fez sentar, puxando uma cadeira para sentar na frente dela. — Pegue o elevador. Nunca mais suba essas escadas novamente.

Ela tentou se acalmar, tentou engolir a água e tentou ignorar a forma como ele a observava. Ela pousou a garrafa de água gentilmente e murmurou um — Ok.

Ele suspirou. — Você estava quebrada. Você realmente acha que eu deixaria isso acontecer?

Ela trouxe os joelhos ao peito, ficando agitada com o fato de que sua barriga só deixava os joelhos subirem até certo ponto. Frustrada, ela colocou os pés sobre os joelhos de Draco e tentou esconder seu constrangimento.

— Eu pago amanhã — ela olhou para Carmella. — Nós teríamos ficado bem.

— Você precisa entender que estou aqui agora — ele segurou em seus tornozelos, não permitindo que eles escorregassem de seus joelhos. — Você nunca terá que se esforçar novamente.

Cordélia passou a mão pelo cabelo. — Nós não estávamos nos esforçando.

Ele rolou a língua na parte de dentro da bochecha. — É? E o que iria acontecer quando você estivesse prestes a entrar em trabalho de parto, Cordélia? Você não pode esperar criar um recém-nascido e uma criança de dois anos com quase três, sem renda por seis semanas. Você não pode trabalhar até entrar em trabalho de parto.

Ela fechou os olhos com força, enterrando o rosto nas mãos. — Eu teria conseguido. Eu sempre consigo.

Ele tinha ouvido como a voz dela estava trêmula, e seu rosto suavizou, levando-a em seu colo. Ela soltou um soluço baixinho, as mãos de Draco esfregando suas costas confortavelmente.

Ele deixava pequenos beijos na cabeça dela de vez em quando, e fazia questão de trancar a porta com a varinha menos mágica que ele conhecia. — Você está bem, amor.

— É difícil — ela disse a ele, enrolando-se em seu corpo, a familiaridade a acalmando. — Eu não quero depender de você, Draco. Eu não quero pegar seu dinheiro porque eu gostaria – gostaria de poder me sustentar e não posso. — Ela chorou novamente, segurando suavemente sua camisa. — Eu não posso fazer isso sozinha e gostaria de poder porque ainda estou tão, tão brava com você.

Ele apenas a abraçou mais forte. — Eu sei. Estou tentando fazer as pazes com você.

Ela se deslocou para o colo dele, montando nele, e então o abraçou, com a cabeça deitada em seu peito. — Senti a sua falta.


Ele a ouviu, e seus punhos se fecharam no cobertor do sofá.

Ele entrou no quarto dela? Ou ele a deixou sozinha, sabendo que ela está passando por isso sem ele por três meses? Mas seu coração estava quebrando quanto mais ele a ouvia choramingar e chorar, soando abafado em seus lençóis.

Um pequeno braço puxou seu bíceps, ele não estava vestindo uma camisa. Ele olhou para Carmella, que estava segurando seu ursinho de pelúcia e esfregando o sono dos olhos. — Mamãe tendo pes–sadelos de novo — ela sussurrou, puxando-o novamente.

Ele esfregou os olhos também, agarrando Carmella e se levantando. Ela era tão pequena em seus braços, e por um momento seu coração parou quando ela deitou a cabeça em seu ombro.

Ele a deitou e puxou as cobertas sobre ela, dando-lhe a chupeta na mesa de cabeceira. Então, seus olhos deslizaram para Cordélia, e como ela estava de lado, enrolada em seu cobertor. Seu coração despencou para o estômago.

Ele a puxou, sem perder a forma como os olhos dela reviraram, e quando sua mão se moveu para o coração dela, ele engasgou por seu próprio ar e a puxou para cima, sentando-se em sua banheira, uma expressão de dor no rosto.

Ela entrou em pânico tanto que parou de respirar.

Ele virou a água fria, derramando-a sobre o rosto dela, e ele também começou a entrar em pânico. Seus olhos se encheram de lágrimas, movendo o rosto dela e segurando-a em seu colo enquanto a água caía sobre ambos.

— Cordélia — sua voz estava trêmula. — Acorde. Vamos, não faça isso comigo.

Tudo dentro dele parecia pesado. Parecia que seu mundo havia parado de girar, e o eixo se inclinou até virar completamente. Sua visão estava ficando embaçada e não era por causa da água do chuveiro.

Suas mãos se fecharam e ela se sentou, tossindo água, tremendo. Draco soltou um grito de alívio, desligando a água, os dois ofegantes.

Ela tossiu um pouco mais, olhando ao redor, os olhos arregalados e cansados. — O que aconteceu?

Draco não podia contar a ela. Tudo o que ele podia fazer era olhar para ela, com lágrimas nos olhos, ameaçando transbordar enquanto ela ficava confusa.

Ele poderia tê-la perdido.

Então tudo o que ele podia fazer era soluçar levemente em suas mãos enquanto ela se aproximava e se sentava em seu colo, enxugando suas lágrimas de confusão.

𝑫𝒂𝒅𝒅𝒚 | 𝑫𝒓𝒂𝒄𝒐 𝑴𝒂𝒍𝒇𝒐𝒚 +18Onde histórias criam vida. Descubra agora