1. Encontros e Desencontros

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Maio de 1821 – Grécia – Trikala

Levantei cedo, o dia ainda não havia amanhecido e eu mal tinha conseguido pregar os olhos a noite toda. Era uma mistura de ansiedade com felicidade e raiva por Dimitri estar próximo, na fazenda dos Kouklakis, e não ter dado nenhuma notícia de que estava vivo!

Me vesti, arrumei meus cabelos, peguei minha bolsa e desci. Fui para a cozinha, e andando pelo corredor já dava para sentir o cheiro de pão fresquinho e torta assando.

Kaliméra, Glykiá (bom dia, Docinho). Já estava indo no seu quarto para acordá-la.

— Bom dia, Tata.

Ele estava com os cabelos negros soltos, a camisa com alguns botões abertos revelando seu peito forte e moreno, o cavanhaque bem feito e olhos verdes astutos. Ele se aproximou de mim e beijou minha mão, eu lhe dei um beijo no rosto, cumprimentei a todos ali na cozinha.

Nos sentamos à mesa e a Dona Despina nos serviu o café da manhã. Ninguém sabia para onde estávamos indo, a não ser, Alekos, Haras e Yannes. Tínhamos decidido que só eu e Tasos iríamos, pois um grupo maior poderia chamar atenção, e também porque eu não ficaria em casa de braços cruzados esperando por notícias.

— A Senhorita está bem? — perguntou ele me observando.

— Estou bem, porque?

— Porque você comeu toda a comida que eu coloquei em seu prato.

— Eu sou daquelas que come até as unhas quando está nervosa.

— Está nervosa por encontrar meu primo?

— E porque não estaria? E se ele não estiver lá, Tasos? O que faremos?

— Ele vai estar lá, Docinho. E se não estiver, vamos continuar procurando-o.

— Obrigada.

Tasos pegou minha mão com carinho. Sinceramente não sabia o que faria sem ele. Apesar de ele ser arrogante, desaforado, folgado e inconveniente, ele estava sendo um grande companheiro de caminhada.

Depois do café da manhã fomos para o estábulo, colocamos as selas nos cavalos e partimos rumo a fazenda dos Kouklakis.

Pelo caminho paramos algumas vezes para comer e alimentar Mávro e Zeus, e também para nos refrescarmos e descansar os cavalos.

Já estava escurecendo e o entardecer era magnífico na primavera com o céu em tons de laranja. Começou a esfriar.

Não sei se era por causa da ansiedade, mas parecia que estávamos andando por horas e não chegávamos nunca! Não via a hora de abraçar Dimitri e saber como ele estava. Eu sentia muita a sua falta... e esperava que ele não me desse uma bronca tão longa e não ficasse brigando comigo por ter ido procurá-lo. Mas a culpa era dele por não ter me dado notícias!

— Se eu não me engano, olha meu primo ali, Glykiá. — disse Tasos apontando.

Meu coração acelerou e fiquei sem reação, só observando-o. Dimitri estava usando um chapéu e escovando seu cavalo Leké. Ele estava com um braço imobilizado com uma tipoia, e estava mancando de uma perna. Senhor! Essa guerra tinha que acabar logo! Acelerei Mávro, eu tinha pressa de tê-lo junto de mim!

Vi uma mulher loira saindo de dentro da casa, ela se aproximou de Dimitri lhe entregando uma garrafa. Ele pegou e deu longos goles. Parei Mávro e fiquei vendo aquela cena. A mulher baixinha pegou um pano e começou a secar a testa dele, e depois verificou seu braço enfaixado.

— Espera aí! O que aquela vaca está fazendo aqui?

— Ela deve ter vindo com o pai dela. O senhor Albernat é um dos apoiadores da causa.

Koúkla Mou - Livro 4 - Encontros e DesencontrosOnde histórias criam vida. Descubra agora