any gabrielly pov.
Eu estava mal.
Não tinha como negar. A primeira semana sem Nour e Alex no país fora
mais difícil do que pude imaginar que seria. E não era só pela saudade dos meus amigos. Quem me dera que fosse.
Na segunda-feira, meu primeiro dia de trabalho depois do mês de férias, fui recebida com status de rainha na redação. Aquilo afagou meu coração por um momento, no entanto, chorei no banheiro antes da hora do almoço. Nour me ligou ainda do aeroporto, em sua última conexão e tentei parecer firme. Aguentei bem a ligação, mas chorei assim que desliguei o telefone.
Terça-feira. Fui até a cafeteria em frente ao meu prédio e tudo ali estava cheio de memórias com as quais não podia lidar, lembranças que eu tentava a todo custo esquecer, mas que, a cada vez que piscava os olhos, coloriam minha visão. Mandei um e-mail para Julio e disse que não podia trabalhar, porque estava doente. Solucei até dormir a tarde toda.
Na quarta, Saby me ligou e me fez prometer que sairíamos no sábado. A prima dela me mandou mensagem dizendo que não tinha internet para uma chamada de vídeo, mas que já estava providenciando wi-fi. Na mesma mensagem, falou que sentia minha falta e que me amava. Respondi que também a amava e sentia falta deles. Mas de novo, não era apenas sobre ela e Alex que eu falava.
Voltei para o trabalho depois da suposta intoxicação alimentar e todo mundo me olhava como se soubessem sobre meu coração partido. Kiersten Reid, a secretária sorridente, me levou uma fatia de bolo depois do almoço, uma sobremesa para tentar me alegrar. Stephen Harper, o estagiário mais novo, se ofereceu para buscar meu café e Julio passou a maior parte do dia na minha mesa, tentando puxar papo.
Chorei no caminho para casa.
Quinta e sexta foram a mesma coisa.
Eu não conseguia. Simplesmente não conseguia.
Estava tentando a todo custo viver a vida que levava antes, mas vários espaços dela estavam cheios do vazio, alguns lugares que nem mesmo existiam antes. De repente, não queria apenas fofocar com minha amiga perto do bebedouro. Deseja beber e dançar com um homem de olhos verdes, fazer carinho em seu cabelo macio ou, então, ligar para ele quando chorava, pois aquele idiota sabia exatamente o que fazer.
Eu queria por perto quem não podia estar ali e pior: quem não queria estar.
A campainha tocou e eu sabia quem era, mas meu coração teimou em acelerar esperando quem não devia esperar. Quem estava do outro lado do oceano e nunca tinha se dignado a tentar conversar comigo. Quem eu mais queria ver. Fiz esforço para calçar os chinelos, mantive o cobertor ao redor dos ombros e imaginei que talvez meu modelito composto por um conjunto de moletom e lenços de papel irritasse tanto Saby que ela desistiria da péssima ideia de sair.
— Bom dia — cumprimentei, abrindo a porta. Minha amiga fez uma careta, mas nenhuma sombra de desaprovação passou por seu rosto.
— Você está horrível — comentou em tom gentil. Balancei a cabeça, deixando mais lágrimas aparecerem pelo meu rosto. — Ah, querida! — Sabina gemeu e jogou os braços ao redor do meu pescoço, me puxando para si.
Deixei o choro vir livre, aproveitando que alguém me abraçava e me consolava. Para minha surpresa, tê-la por perto diminuiu um pouco o buraco em meu peito.
— Entra — ofereci quando meu choro se transformou em um fungar constrangedor. Ela não esperou, clicando seus Louboutin pelo chão cuja marca mais cara que já tinha pisado nele tinha sido Nike. Ela usava calça de cintura alta e uma blusa curta, ambas justas e de um rosa pálido. Com certeza, uma roupa muito boa para apenas me ver chorar o dia todo.
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Os Padrinhos | noany
FantasíaAny Gabrielly e Noah Urrea não se suportam desde a primeira vez que se viram. Eles eram o velho clichê: Any não o tolera e Noah adora provocá-la. Ainda assim, por debaixo de toda aquela aversão, faíscas voam quando se encontram. Agora seus melho...
