Capítulo 2

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Quando cheguei ao lado de fora da boate senti o ar frio da madrugada e respirei fundo. Ainda não acreditava que tinha flertado na cara dura com um homem lindo como aquele e sido correspondida. Esperei pacientemente o bartender passar pela porta da boate e quando os 20 minutos que ele disse já haviam passado, me peguei pensando que ele não iria querer ficar comigo. Me senti decepcionada, mas me lembrei do que tinha conseguido fazer aquela noite e mais uma vez um leve orgulho surgiu. Eu não era uma careta, eu conseguia sair da rotina quando quisesse.

Estava levando à mão a bolsa, já pronta para pegar o celular e chamar um carro por aplicativo quando nossos olhares se encontraram. O frio que eu sentia na barriga só aumentou enquanto ele caminhava na minha direção.

— Desculpa a demora eu precisei...

Ele não conseguiu terminar de falar porque segurei seu rosto entre minhas mãos e o beijei. Não podia mais esperar por aquilo. Senti ele sorrir contra minha boca antes de levar as mãos a minha cintura e retribuir o beijo.

Se eu tinha achado os outros beijos que tinha dado essa noite bons, o que eu dava agora podia ser descrito como de tirar o fôlego. Quando ele se afastou ainda prendeu meu lábio inferior entre os dentes e ao abrir meus olhos encontrei os seus me encarando, as íris verdes sendo apenas uma linha fina contra as pupilas dilatas.

Quando nos afastamos em busca de ar eu sorri ao perceber que ele continuava com as mãos em mim.

— Eu não sei seu nome. — Ele falou sorrindo e só então eu percebi que também não sabia o dele.

— É Melissa. E o seu?

— Nicolas.

— E então Nicolas, pra onde nós vamos? — Recebi um sorriso malicioso como resposta e o frio em minha na barriga, que aparentemente havia se tornado uma constante sempre que eu estava na companhia dele, aumentou.

Pra minha surpresa nós caminhamos até uma moto. Ela era diferente de todas que eu já tinha visto, era um pouco rebaixada e tinha dois escapamentos em vez de apenas um como era comum ver nas outras. Eu não entendia nada de motos, mas aquela era bonita. Enquanto eu observava o veículo, Nicolas voltou a entrar na boate agora somente com os funcionários e voltou trazendo dois capacetes.

Ele colocou um em mim e quando viu o olhar assustado que eu lhe dava enquanto ele manobrava a moto, sorriu.

— Relaxa. Eu prometo que vou devagar.

Quando percebi que ele estava apenas me esperando, respirei fundo e subi na garupa. Nunca tinha andado de moto antes... Já estava perdendo a conta de quantas primeiras vezes estava tendo aquela noite.

— Pode se segurar em mim. — Nicolas disse ao virar o rosto de lado e eu concordei com um aceno de cabeça e passei os braços ao redor do seu tronco.

Ele então deu partida e seguiu deslizando pelas ruas da cidade. Quando chegamos a uma avenida ele começou a correr mais e eu instintivamente o apertei com toda força que tinha e senti seu corpo vibrar com a gargalhada que ele dava.

— Melissa, abre os olhos. Tenho certeza que você vai gostar. — O ouvi falar com a voz um pouco abafada pelo capacete e aos poucos levantei a cabeça que tinha escondido contra seu ombro.

Depois que o medo passou, a sensação se tornou realmente incrível. O vento bagunçava meu cabelo que escapava pelo capacete e deixava fria a pele exposta das minhas pernas e costas. A habilidade que Nicolas demonstrava ao passar por entre os carros deixava tudo ainda mais emocionante e me fez pensar que ele devia fazer aquilo há anos.

Quando paramos no estacionamento de um motel ele tirou meu capacete e sorriu ao ver que eu tinha um sorriso ainda maior no rosto.

— Eu amei! — Falei com uma alegria excessiva provavelmente causada pelo álcool e ele riu.

De Repente AmoraOnde histórias criam vida. Descubra agora