Esperando receber flores e chocolates de presente no dia dos namorados, Melissa fica sem chão quando a única coisa que recebe do homem que acreditava que a amava é um pé na bunda. Magoada com o término inesperado e revoltada pelos absurdos que ouviu...
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O som do despertador me fez tatear a mesinha de cabeceira ao lado da cama até encontrar meu celular. Com os olhos ainda nublados de sono bati na tela até o som cessar. Respirei fundo e me forcei a sair da cama e me arrastar até o banheiro. Estava quase chegando ao meu objetivo quando tropecei nas sandálias de salto que deixei jogadas pelo chão e precisei segurar na parede para me equilibrar. Eu as tinha tirado assim que cheguei em casa na noite anterior, estava com os pés inchados e praticamente me matando de dor.
Quando olhei para as sandálias, involuntariamente me lembrei daquele homem gritando com Pedro e Hugo. O ódio que senti ao ver o medo no rosto do meu amigo me fez ignorar o fato de que o homem tinha praticamente o dobro do meu tamanho, possivelmente o triplo da minha força e estava tão bêbado que poderia facilmente me bater e me coloquei a sua frente sem pensar duas vezes enquanto o xingava de todos os nomes que conseguia me lembrar. Só quando ele me empurrou eu percebi que não tinha sido uma boa ideia. Se Micaela não tivesse me segurado eu com certeza teria ido pro chão com tudo.
Me lembrei então de Nick surgindo e batendo no cara. A forma como ele o ameaçou, a força em sua voz... tudo naquela cena fez minha pele se arrepiar. Eu nunca imaginaria que Nicolas pudesse agir assim, me defendendo como se eu fosse sua. E percebi que gostei de descobrir esse novo lado dele. Mais tarde quando cuidei de seu machucado, ele estava tão preocupado comigo, parecia entrar em agonia apenas ao imaginar que aquele homem poderia me machucar... Quando dei por mim, já estava hipnotizada em seus olhos e bem ciente de suas mãos quentes contra minhas coxas, exatamente como há seis meses atrás. Se não tivéssemos sido interrompidos, eu teria mesmo o beijado?
Antes que concluísse o pensamento, me assustei com o toque do meu celular. Ao pegar o aparelho percebi que tinha apenas colocado no modo soneca. Depois de, realmente desligar o alarme, vi que tinha recebido algumas mensagens do Rodrigo. Eu tinha apagado seu contato, mas infelizmente ainda me lembrava do número. Com o cenho franzido desbloqueei o aparelho enquanto caminhava de volta para o banheiro e me sentava para fazer xixi.
Oi Mel.
Você ainda trabalha só até meio dia nos sábados? Se sim, podemos nos encontrar nesse sábado à tarde?
Senti meu rosto se franzir ainda mais depois de ler. Não achei que ele realmente me mandaria mensagem como disse que faria quando nos encontramos no supermercado.
Oi
Ainda tenho as tardes de sábado livres. Aconteceu alguma coisa?
Respondi cautelosa sem fazer ideia do que ele poderia querer comigo. No instante seguinte meu celular vibrou com a chegada de outra mensagem, mas dessa vez de Micaela.
Você acredita que eu sonhei com a barmaid? Acho que estou apaixonada.
Dei uma risada e revirei os olhos. Decidi terminar de usar o banheiro antes de responder. Então coloquei o celular sobre a bancada de granito ao lado da pia e peguei minha escova de dentes.