Capítulo 9

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Depois que ouvi que agora o Rodrigo já sabia da minha gravidez fiquei sem reação e tive que usar toda a força que tinha para fingir na frente de Pedro e Taty que tudo estava bem. Quando finalmente chegamos ao restaurante eu disse a eles que precisava ir ao banheiro e liguei para Micaela assim que fiquei sozinha. Minha amiga tentou me tranquilizar dizendo que não era o que eu queria que tivesse acontecido, mas que uma hora ou outra ele ficaria sabendo.

Eu continuei lhe dizendo que aquilo não podia estar acontecendo e ela pediu que eu tentasse manter a calma e afirmou que iria a minha casa a noite para conversarmos. Agora, depois de passar a tarde toda tentando focar minha atenção no trabalho, eu finalmente estava em casa. Tinha tomado banho e acabado de vestir um short e uma regata quando ouvi a campainha tocar. Não estranhei o porteiro não ter avisado porque já fazia tempo que Mica não era anunciada. O que eu não esperava era abrir a porta achando que encontraria minha amiga e na verdade dar de cara com um par de olhos escuros muito familiares.

— O que você tá fazendo aqui? — Perguntei direta enquanto observava praticamente em choque Rodrigo parado a minha porta. Ele estava do mesmo jeito que eu me lembrava, a barba ainda por fazer, o cabelo preto com o mesmo corte. Parecia que nada nele tinha mudado, mas ao mesmo tempo era como observar um estranho.

Percebi que ele também me observou por alguns instantes, talvez conferindo se eu ainda estava do mesmo jeito? Acho que nunca vou saber.

— Eu... Deixei algumas camisas aqui. — Ele falou e a familiaridade que senti ao ouvir sua voz me irritou.

— O quê? — Franzi o cenho — você tá me dizendo que só depois de dois meses sentiu falta de algumas camisas?

— Eu fiz uma viagem atrás da outra nos últimos tempos. Então... Sim, só percebi agora que se elas não estavam na minha casa é porque devem estar aqui. — Ele se explicou e eu o olhei sem acreditar.

Depois de alguns instantes bufei.

— Você pelo menos se lembra onde elas estão? — Perguntei decidida a terminar logo com isso.

— Acho que ficaram na última gaveta...

Comecei a me virar para ir procurar quando ouvi sua voz novamente.

— Eu posso entrar?

Dei uma risada sem humor para que ele percebesse quão absurdo era o que tinha pedido.

— Ah... Não?! Espera aí que vou procurar.

Fechei a porta em sua cara e corri para procurar as malditas camisas. O quanto antes eu as encontrasse mais rápido ele iria embora. Quando abri o guarda-roupa às encontrei exatamente na gaveta que ele tinha dito. Eram camisas polo. A cara do Rodrigo. Uma cinza, uma preta e uma branca, agora eu me lembrava que eu estava junto quando ele as comprou em uma promoção. Depois eu que era a careta.

Catei uma sacola qualquer e enfiei as roupas lá dentro torcendo para que ficassem amarrotadas. Só saí do meu quarto depois de dar uma boa olhada entre todas as minhas roupas para ter certeza que mais nada dele ainda estava ali e voltei à porta. Quando a abri ele continuava de pé no mesmo lugar, eu então lhe entreguei e ele agradeceu.

— Mais alguma coisa? — Perguntei quando ele continuou parado olhando para mim e o clima começou a ficar constrangedor.

— Eu... Vi sua mãe hoje.

Isso não podia estar acontecendo... Continuei calada e ele infelizmente voltou a falar.

— Você está mesmo grávida? — Rodrigo perguntou e cruzei os braços embaixo dos seios me sentindo completamente desconfortável.

De Repente AmoraOnde histórias criam vida. Descubra agora