Capítulo 6

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— Melissa? — Ouvi uma voz masculina me chamar e quando abri os olhos vi um homem negro de cabelo curto e cacheado me observando. Seus olhos eram castanhos e ele possuía uma barba bem aparada.

— O que aconteceu? — Olhei ao redor e percebi que não estava mais no bar — onde eu tô? Quem é você? — Fiz uma pergunta atrás da outra começando a ficar nervosa por não me lembrar de nada.

— Fica calma. Meu nome é Gilberto e eu sou médico. Você está num hospital. Você consegue se lembrar que desmaiou? — Ele falava com cautela e me observava com atenção.

Aos poucos fui me lembrando que depois que levantei no bar para pegar uma bebida dei alguns passos e tudo escureceu. Só então percebi que ele usava um jaleco branco. Depois que concordei com um aceno de cabeça ele voltou a falar.

— Eu te examinei e está tudo bem. Mas, levando em consideração o que aconteceu e que os outros exames não apontaram nada, eu suspeito que o desmaio possa ter sido um sintoma de gravidez — o médico disse devagar para que eu conseguisse assimilar e deu uma pausa esperando minha reação. Como não tive nenhuma ele continuou — nós fizemos um exame de sangue para ter certeza e eu vou buscar o resultado agora, ok?

Mais uma vez concordei sem dizer nada.

— Tem alguns amigos seus na recepção. Você quer que eu chame alguém?

— Micaela. — Foi tudo que eu disse.

O médico então chamou uma enfermeira e lhe pediu que chamasse minha amiga. A mulher sumiu pela porta do quarto e eu me recostei na cama percebendo, pela primeira vez, um cateter no dorso da minha mão esquerda.

— Mel! — Ouvi Micaela dizer com alívio assim que passou pela porta e me viu. Ela então praticamente correu até mim. — Nós ficamos tão preocupados. Como você tá?

— Eu tô bem. Quem mais tá aí?

— A Taty e o Pedro.

— Por favor, inventa uma desculpa e diz que eles podem ir pra casa. Fala que eu vou ter que passar a noite toda aqui em observação, ou sei lá.

— Por quê? — Minha amiga me olhou confusa.

— Faz isso pra mim que eu te explico tudo. Por favor. — Pedi suplicante e Micaela apenas confirmou e saiu do quarto.

Acredito que alguns minutos se passaram até eu perceber que minha amiga já estava de volta. Desde o momento que ela saiu fiquei encarando a parede a minha frente sem necessariamente pensar em algo. Apenas deixei meu olhar se perder na imensidão branca que me encarava de volta.

— Pronto eles já foram — Mica disse assim que se sentou aos meus pés na cama do hospital — agora você pode, por favor, me explicar o porquê disso?

— Eu sei o motivo do desmaio e não quero que eles saibam agora. — Falei baixo enquanto encarava minhas mãos.

— Amiga você tá me deixando preocupada...

— Eu fiz o que você disse Mica — falei olhando para Micaela e a vi franzir o cenho sem entender.

— O que eu disse...?

— Eu comprei os testes de gravidez. — Falei já sentindo minha voz ficar embargada.

Micaela levou as mãos à boca e arregalou os olhos.

— Meu Deus Mel você tá...

Não consegui mais segurar a vontade de chorar e praticamente desabei em lágrimas. Cobri meu rosto com as mãos e senti os braços de Micaela ao meu redor.

— Vai ficar tudo bem. Eu tô aqui com você e vou te ajudar no que for preciso. — Ela falava baixo enquanto acariciava minhas costas delicadamente — você sabe que eu te amo não sabe?

De Repente AmoraOnde histórias criam vida. Descubra agora