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Jenna se desculpou por ter segurado a minha mão, ela teria se guardado, ficando tímida

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Jenna se desculpou por ter segurado a minha mão, ela teria se guardado, ficando tímida. Mesmo assim, antes de se ausentar para se juntar aos amigos, ela me pediu o meu número. Arranquei uma página do meu sketchbook com o meu número anotado, como quem dá um doce à uma criança e isso foi prazeroso. Em quinze minutos chegou uma mensagem de texto sua. Após, conversamos um pouco. E foi assim em quase todos os dias depois daquele, eu tenho contado por um motivo que nem ao menos sei, mas estamos trocando mensagens à uma semana e quatro dias.

A semana de aulas estava com turbulência, a agitação por causa do feriado e com a chegada das provas fazia o prédio estremecer. Talvez seja pelos alunos mesmo, estamos todos estressados.
Minhas amigas marcaram de adoecer no mesmo dia, logo quando o meu celular amanheceu descarregado. E então, cá estou eu, com a mochila nas costas procurando a carteira mais vaga que tenha na fila da frente. Era aula de física e confesso que a professora consegue ser mais chata que a própria matéria que ensina. Sinto o meu celular vibrando no bolso da minha calça e o pego para checar, ainda na tela de bloqueio consigo ver que é uma mensagem de Jenna. Ela parecia estar escrevendo, enquanto a mais velha surge e adentra a sala, eram cinco notificações suas. Acontece que eu não estou indo bem em física e ficar no celular falando com Jenna, por mais que fosse a minha vontade, não me ajudaria.

A professora deixou uma pasta encima da sua mesa, com o apagador em mãos, se dirigiu ao quadro para apagar os cálculos de uma aula passada. Escreveu o nome "tipos de ondas" com um piloto azul no quadro branco, virou-se para frente.

─ bom dia, hoje a gente vai começar a estudar os tipos de ondas e eu gostaria de saber se vocês sabem que tipos existem. ─ ela disse mantendo a posse de simpática, os alunos a respondiam, mas eu parei de prestar atenção no que tanto dizia.

Eu estava ocupada demais pensando em Jenna, na mensagem que tenha me enviado, no que eu deveria responder, se deveria usar emoji, se deveria interpretar outra pessoa ou ser eu mesma. Essa sensação eu não conhecia, nunca dei importância assim para ter que responder uma mensagem.

[open Jenna's chat]

jenna: oi aly, bom dia :)
como você ta?
queria saber se você tem tempo livre
a gente podia assistir um filme no cinema
vi que tem filme da marvel em cartaz

me: Oi Jenna, Bom dia! Eu tô bem e você?
Obrigada por pensar em mim, mas infelizmente tenho que me dedicar às provas senão fico de recuperação. :(

jenna: ah, então tudo bem, eu entendo
quando estiver livre me avisa
eu também tô em semana de provas

me: se você quiser, a gente pode estudar juntas
vem pra minha casa, eu te mando o endereço.

jenna: obrigada, é claro que eu vou <3

O maior inimigo de alguém é a própria ansiedade

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O maior inimigo de alguém é a própria ansiedade. Acontece que em véspera de provas eu não me concentrei em nenhuma das aulas daquele bendito dia. Espero que eu consiga me concentrar, senão posso ficar de recuperação final e terei de vir à escola durante as férias. Acredito eu que possa haver um risco, mas espero que este seja minúsculo, a possibilidade de repetir o segundo ano me dá dor de cabeça.

A escola liberou cedo os alunos de inglês avançado, a minha professora favorita faltou e assim mesmo, não foi uma só turma a ser liberada. Uma legião de alunos estava voltando para casa, saindo para fazer sabe-sei-lá-o-quê. Estava solo no lado de fora, esperando algum parente surgir para me buscar na porta do lugar. Eu precisava estar em casa, e muito, Jenna e eu vamos estudar juntas. Tenho que organizar o meu quarto, preparar um lanche e sobretudo, tenho que arrumar a mim mesma.

Visto que o quarto permaneceu arrumado, busquei por uma toalha no guarda-roupa e me direcionei ao banheiro. Com o nervosismo, acabei tomando um banho de gato, mal lavei o cabelo.
Voltei ao quarto, para me vestir, deixando de lado que uso roupas que me fazem parecer o Adam Sandler em Gente Grande, pus um vestido de estampa florida e com o caimento romântico, acendi velas perfumadas aos arredores do quarto. O relógio do celular indicava seis horas e nada da chegada de Jenna. Não queria ligar, mas estava aflita e também pensava que teria mudado de ideia sobre estudarmos juntas. Ela se esqueceu de me avisar que não viria, talvez ela realmente esteja a caminho.

─ só um instante. ─ minha mãe fala com alguém antes de entrar e fechar a porta, estávamos nós duas no cômodo. ─ por que não me contou que chamou uma amiga?

─ desculpa, eu fiquei ocupada o dia todo e esqueci de avisar.

─ hum. ─ ela dá de ombros. Minha mãe e eu não nos damos tão bem como antes, por mais que seja duro dizer, tenho me acostumado com isso.

A mais velha sai, a porta se abre e posso ver Jenna bem ali à espera. É difícil demais conter um sorriso, Jenna conseguia ser tão incrivelmente linda que parecia ser uma miragem de quem está com sede a muito tempo. Fiquei fascinada ao vê-la retribuir o sorriso. Não me levantei, mas abanei as mãos fazendo um sinal para que entrasse e ela o fez. Me levantei da cadeira para que ela se sentasse e puxei um banquinho para mim, lado a lado, em frente ao computador desligado.

─ você demorou tanto, pensei que tivesse desistido. ─ falei, abraçando-a. O cheiro de seu cabelo era tão cheiroso que eu não queria ter que me desprender dela.

─ quase não encontrei a sua casa. O motorista do aplicativo veio por um caminho esquisito. ─ explicou-se ao desfazer o ato afetuoso.

─ entendi. Então... sobre o quê você ta estudando? ─ pergunto.

─ história, acho que é... ─ a morena indagou, isso a fez a retirar o caderno da própria mochila para procurar o assunto qual estudava. Antes mesmo que encontrar a página certa, ela me olha de imediato ─ é revolução francesa.

─ eu tô estudando o mesmo, deixa eu ligar o computador pra gente assistir vídeo-aula. ─ inclinei o meu corpo mais à frente e liguei a tela, com poucos segundos, o sistema estava pedindo a senha de acesso.

inseri a senha, escrevi rápido para que Jenna não visse que a minha senha é ressuscitanatasha, uma personagem da marvel que todos já devem estar sabendo o seu final. Enfim, a luz acendeu estendendo-se uma visão ampla de tudo, inclusive da foto de tela inicial e isso foi uma catástrofe. Como eu me esqueci disso?

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autora: obrigada à quem comentou no último capítulo, me motivou a continuar a escrever e espero que o decorrer da história agrade vocês. <3
E eu tô aceitando críticas construtivas!

MEELTING - Jenna OrtegaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora