Alisson Bukley é uma aspirante a artista que encontrou, na ida ao centro da cidade, a motivação de todos os tipos de declarações de amor que já havia feito. Condenada a paixão que sentia por Jenna Ortega, que fez com que ambas se tornassem amigas ou...
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Me acomodei em um dos bancos no interior do ônibus que acabei de embarcar, sentei-me ao lado da janela. Comigo trazia a mesma bolsa de tecido, com as coisas que mais considero importantes para mim. No ato de estar solo, comecei a fitar a paisagem da janela enquanto a brisa fresca batia contra os meus cabelos. Estava feliz, muito contente por estar indo me encontrar com Jenna na próxima parada para irmos ao centro.
Fiquei presa vendo a pista correr junto ao transporte, as pessoas passando, eu adorava isso.
─ com licença, moça. Tem alguém aqui com você? ─ a voz soava familiar, me virei em sua direção e ao notar quem falava comigo, sorri.
─ Jenna, ─ digo, sorrindo mais ainda com o meu olhar inspecionando-a. ─ você ta linda. Como sempre.
─ não é pra tanto. ─ respondeu com modéstia.
Peguei de volta a bolsa do assento para que Jenna se acomodasse ao meu lado, ela centrou o seu olhar ao meu por alguns instantes até que, direcionou a sua atenção para sua própria bolsa. A morena retirou duas coisas com embalagens quadradas, entregando-me uma e abrindo a outra.
─ é brownie, fiz hoje mais cedo e consegui trazer pra gente.
─ quer dizer que além de linda, você cozinha? ─ falei, Jenna ficou sem graça e tentou esconder isso virando de lado, pondo o brownie da boca.
Sendo cuidadosa, fui abrindo vagamente a embalagem do brownie. Sou uma pessoa desastrada e não queria deixá-lo cair, então, Jenna permaneceu concentrada em algo dentro do ônibus, que não consegui avistar. Consegui abrir a embalagem, finalmente, sem despedaçar a espécie de bolo.
─ como que pode? ─ questionei a mim mesma enquanto mastigava o brownie. Nunca conseguiria fazê-lo tão crocante e macio.
─ como que pode? ─ ela repete.
─ seu brownie é gostoso, eu nunca chegaria nesse ponto.
─ é que você tem que bater muito o ovo e o açúcar, essa parte é que dá crocancia. ─ explicou, sorrindo de canto ao me observar mordiscando o brownie.
─ vou até anotar. ─ pus a mão dentro da bolsa sobre o meu colo, com o aparelho em mãos, abri o bloco de notas e anotei a dica de Jenna.
Notei que a minha companhia aparentava estar quieta demais, ao contrário de mim, que parecia esconder toda a agitação.
─ você tem fone? De fio. ─ pergunto e a morena assente.
─ toma. ─ ela o tira de sua bolsa, percebendo que o fiu estava embolado, Jenna lança um olhar duvidoso para mim. ─ espera um instante.
─ se quiser eu desembaraço.
─ não precisa, escolhe uma música pra gente ouvir.
fiz o que Jenna pediu, procurando por uma música no Spotify enquanto a mesma terminava de ajeitar o fone. Ela inseriu um lado no ouvido e me entregou o outro, fiz o mesmo ato que teria feito. Yes to Heaven da Lana Del Rey começou a reproduzir em formato de podcast, ficamos em silêncio absoluto e o ônibus continuava a se movimentar pelas ruas. Me encantei pelo momento, olhando a paisagem da janela novamente. Seus dedos se entrelaçam com os meus, a sua cabeça deitada em meu ombro. Com o ato simples de Jenna, soou afetuoso e por Deus, fez parecer que estou inconsciente.
Eu retribui o afeto do jeito que sei. Fitando ela. Segurando firme a sua mão e torcendo para que não se solte. E quando a música terminou, Jenna olhou para mim e pediu para escolher a próxima.
─ você tem uma playlist, chamada Jenna? ─ eu olhei para ela supresa, nossas mãos se soltaram.
─ sim. Eu tenho sim. ─ o castanho de seu olhar centrou ao meu, havia seriedade em seu rosto, sua expressão era neutra e eu não poderia saber se teria gostado ou não. ─ a gente ta quase chegando, podemos falar sobre isso quando desembarcar?
Jenna concordou, não tocamos sequer alguma palavra. Fiquei reclusa, nervosa à ponto de estalar os dedos e a morena, ela se manteve quieta.
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Desembarcamos, Jenna me seguiu até a bilheteria, onde compramos dois ingressos para um passeio sem guia.
─ preciso te mostrar uma coisa. ─ segurei a sua mão, a superfície da sua palma estava fria então, a olhei mais uma vez e estava avermelhada, eu não sabia ao certo o porquê, preferi não questionar pois realmente preciso levar Jenna ao melhor lugar de todo o museu.
Eu a puxei trazendo-a até o canto escurecido e tendo acesso ao projetor que dava a imagem de obras de Van Gogh nas paredes e placas de todo o ambiete, Jenna ficou boquiaberta, parecia fascinada com o lugar que realmente, era incrível.
─ isso é tão... mágico. ─ indagou.
─ eu adoro esse lugar, sempre quis trazer alguém aqui. Alguém importante, sabe? ─ Jenna enfim, soltou a minha mão e se colocou em minha frente com seus braços cruzados.
─ eu sou alguém importante pra você? Por isso você fez a playlist? ─ fiz que sim com a cabeça, então Jenna evitou o meu olhar, nervosa olhando para o chão. ─ eu não sou importante, Alisson, e nem deveria ser.
─ porquê? Não diz isso, você é incrível Jenna. ─ me aproximei segurando seus ombros mas seu corpo se desvia ao virar para mim.
─ eu sei, ─ ergueu a cabeça em minha direção. ─ eu sei que você gosta de mim e eu não sei o que sinto pois eu conheço uma outra pessoa.
─ outra pessoa? ─ repito em tom de pergunta, tentando apenas assimilar o que acontecia.
─ eu tenho um quase-namorado, Alisson, eu me sinto uma hipócrita em dizer isso, porquê eu realmente não sei o que eu sinto. Me desculpa, mas eu não sei.
─ não, tudo bem, ─ digo, forçando um sorriso torto nas rachaduras de meus lábios. E mais uma vez, a pontada no peito ressurge, agora em um tom melancólico. ─ eu não sou uma responsável sua pra você me pedir desculpa por namorar alguém. Na verdade, a culpa é minha. Eu criei expectativas em uma coisa que não existe.
Jenna me olha de cima para baixo, percebo que está procurando palavras e que seus olhos estão avermelhados. Ela conteve suas lágrimas.
─ acho que eu preciso ir. ─ anunciou de costas para mim e eu não conseguia vê-la, não conseguia tirar os olhos do espaço vazio.
─ é, você deve ir. ─ respondi por fim.
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autora: eu juro que queria ter feito o primeiro beijo acontecer, mas foi inevitável fazer algo dramático. Me perdoem e obrigada pela leitura :(