XX- Tramacetanol

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Cas se viu sozinho na sala, com passos lentos, foi se direcionando ao quarto de Dean, e deu leves batidas na porta aberta.

O caçador estava deitado de barriga para cima, com os pés virados para a cabeceira da cama.

- Hey, Cas. - disse, virando sua cabeça para a porta.

- Olá, Dean. - cumprimentou, entrando no quarto de seu protegido, sentando na poltrona próxima a sua cama.

- Como foi a semana, amigão? Algum sinal de Mammon? - perguntou o loiro, permanecendo imóvel.

- Minha semana foi boa, Dean, obrigado por perguntar. E não há nada sobre Mammon. -

O caçador se endireitou na cama, sentando-se para encarar o amigo.

- Nem na rádio dos anjos? -

Castiel ficou em silêncio, como se estivesse conferindo antes de responder.

- Nada. - disse por fim.

Eles ficaram calados, os olhos do anjo repousaram nos de Dean, a quanto tempo ele não fazia aquilo, sentia falta do caçador, da troca de olhares, a voz dele, e dos pequenos toques que trocavam.

- Senti sua falta. - falou, percebendo a cara de surpreso do loiro.

Dean, por mas que achasse esse papo de mulherzinha, também sentia falta do anjo. Agora ele queria levantar e abraça-lo, dizendo o quanto precisava dele em sua vida.

- Eu também senti a sua. - respondeu.

O anjo não pode deixar de sorrir bobo para o protegido, que havia achado aquela a cena mais linda do mundo.

- Agora chega desse papo sentimentalista, tamo parecendo duas maricas. - terminou, após perceber seus pensamentos.

Já não era a primeira vez que pensava de forma diferente sobre Castiel, até havia cogitado a ideia de estar gostando do amigo, mas ele logo a tirou da cabeça, "Eu gosto de mulheres." Era o que dizia a si mesmo "Deve ser só uma fase, logo, logo passa." Porém já se passaram dias e seus conceitos sobre o anjo não mudaram.

- Cas. - chamou, queria tirar uma dúvida que insistia em permanecer em sua mente - Você é homem ou mulher? -

O anjo tombou a cabeça para o lado.

- Não estou entendendo, Dean. -

O caçador respirou fundo, se sentia estupido por perguntar isso ao amigo, independente se Castiel fosse homem ou mulher, sua casca era masculina, e ele não sentia atração por homens.

- Você! Anjo, é homem ou mulher? -

Cas parecia ter entendido a pergunta, endireitou sua cabeça, fixando os olhos no protegido.

- Eu não tenho gênero biológico, Dean, sou apenas um ser de luz. - respondeu.

A situação do caçador não havia melhorado nada, sentia-se atraído pelo amigo que não era homem e nem mulher mas tinha a casca masculina? Ou melhor dizendo, era atraído sexualmente por um abajur andante?

Dean balançou a cabeça, tentando afastar seus pensamentos.

Antes mesmo de conseguir responder o anjo, começou a tossir. Tosses tensas, que custaram a cessar.

- Sam me contou que está doente. - disse, se recordando da conversa que tivera com o Winchester mais novo.

- É, talvez eu esteja. - respondeu, sentindo um arrepio por todo seu corpo, seguido por uma sensação de frio.

- Bem que você podia usar seus dedinhos angelicais pra me curar, né.- deu ideia, enquanto pegava seu casaco.

- Sam me disse que eu não devia fazer isso. - respondeu, seus olhos estavam grudados no corpo do caçador, admirava o quanto seu protegido era magnífico.

Dean o olhou incrédulo - Sam te disse para não me curar? - perguntou, continuando a falar depois que viu o anjo concordar com a cabeça - Por que? - indagou, não conseguindo segurar o espirro.

- Ele disse que é porque você tinha que entender que a vida não é só cerveja e comidas gordurosas, e ele também falou que sabia que isso ia acontecer, já que você tem falta de todos os tipos de vitaminas. - respondeu, com serenidade.

- Baboseira. - respondeu, voltando a tossir logo em seguida.

- Não acho. - disse, se levantando e indo em direção ao caçador - Você não parece estar bem. -

Castiel se sentou na beirada da cama, com uma mão ele segurava o rosto do Winchester, e a outro ele a colocava sobre sua testa, sentindo um calor a esquentar.

- Me deixe medir sua temperatura. - disse, apontando o indicador para a boca do caçador, que tirou sua mão dali.

- Sai com esse dedo pra lá. - falou, com um pouco de dificuldade, já que suas bochechas eram apertadas pelo anjo.

- Eu acho que você pode estar com febre, Dean. - insistiu, tentando por o dedo na boca dele novamente.

O loiro pegou ambas das mãos do anjo e as repousou em seu colo, segurando elas ali.

- Eu vou te ensinar como se mede uma temperatura de forma descente, Cas! - disse, se levantando e indo a cozinha, sentido arrepios de frio por todo seu corpo.

Dean foi até os armários, puxou a caixinha de remédios, e tirou um objeto branco dali de dentro.

- O nome disso é termômetro, Cas. - disse, mostrando para o anjo - Você aperta nesse botão e espera zera. - demonstrava como fazer enquanto dizia - Aí você puxa a blusa, e põem o termômetro no suvaco, e espera apitar. Não se coloca dedo na boca de ninguém, Castiel. -

O anjo estava atento a explicação do caçador, fixando os olhos num pedacinho da tatuagem anti-pocessão do loiro.

- Eu entendi. -

Eles ficaram em silêncio, até ele ser preenchido com o barulho do termômetro apitando.

- 27.8 - disse, olhando para a telinha e mostrando para o anjo - Como eu disse, eu tô bem! Se estivesse com 28.0  eu estaria com febre. - terminou, guardando o termômetro.

- Creio que a tendência seja aumentar, é melhor tomar um Tramacetanol. - disse, fazendo o caçador rir enquanto guardava a caixinha de remédio.

- É Paracetamol, Cas. - corrigiu, se escorando na pia, sentindo uma forte pontada na cabeça.

- Não importa, é melhor tomar o remédio. - o anjo encarava Dean com seriedade.

O caçador o olhava boquiaberto.

- Castiel você tem que parar de dar uma de mãe. -  deu ideia, fazendo o anjo revirar os olhos e caminhar até si. Sem esperar que o caçador saísse dali, ele aproximou seu corpo do amigo e abriu o armário, pegando uma pílula de paracetamol e estendendo para Dean.

Castiel não havia percebido mas estava muito próximo do caçador, Dean sentia a respiração do anjo em seu rosto, seu corpo estava totalmente colado no seu.

O ar começou a falhar, o Winchester sentia vontade de agarrar o amigo e beijar todo seu corpo, realizar todos seus desejos impuros com ele.

Dean puxou seu protetor pela cintura, trazendo o mais para perto, se é que isso era possível, avançou em seus lábios, invadindo a boca do anjo, que o correspondeu instantâneamente.

Ele desceu os beijos para o pescoço do moreno, que gemia seu nome.

- Dean. - ouviu o anjo chamar, saindo de seus devaneios - Você tá branco! - ele pegou a mão do protegido e depositou o remédio ali, se descolando do amigo.

- Mas que porra! - sussurrou o caçador, a ficha caiu, tinha imaginado preliminares com seu anjo na cozinha. Sentia seu ventre formigar e a calça ficar apertada.

Dean encarou Castiel, pegou o copo de suas mãos, tomando o remédio num único gole.

- Cas. - chamou, enquanto colocava o copo na pia - Eu vou dormir, boa noite! - e saiu, sem nem esperar o amigo responder.

Intercourse - DestielHistórias para pegar e não largar. Descubra agora