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Babi

Jogo água no meu rosto e ergo a cabeça me olhando no espelho redondo do banheiro. Pego a toalha branca e seco minha pele com meus pensamentos distantes. Já faz dois dias que estou aqui no hotel, a invasão no jacarezinho começou hoje de madrugada. Já são quatro horas da tarde e o confronto continua sem nenhuma notícia dele desde ontem a noite. O noticiário não diz nada ao certo somente o medo dos moradores, que sempre ficam apavorados em casa com medo de uma bala perdida ou algo do tipo. Tento não pensar no pior mas é quase impossível. Tive pesadelo essa noite com ele sendo preso depois de tomar um tiro e ninguém me permitiu chegar perto dele. Eu gritava seu nome, tentava me livrar das mãos do policial que era Emerson mas ele não me deixava ir até ele que sangra no peito e na boca quase desfalecendo. Sinto minha pele se arrepiar com as lembranças e busco manter a calma afastando esses pensamentos e não surtar.

Os meninos tão no andar de baixo e eu to passando a maior parte do tempo aqui no quarto abraçada com o urso que ele me deu inalando seu cheiro. Parece bobo mais isso tem feito minha ansiedade dar uma acalmada, lembrando da nossa última noite juntos. Enquanto eu fiz uma pequena mala pra vir pra cá, ele escreveu te amo no coração com marca texto preto. Fiquei tão feliz e emocionada que quase desisti de vir pra cá, mas me contive sabendo que é melhor assim. São tantas coisas ruins acontecendo que esses pequenos gestos de carinho dele tem me fortalecido. Sempre soube que viver com ele teria esses desafios, o medo e a insegurança são assustadores, mas eu me mantenho firme sabendo que apesar de tudo ele está comigo.

Minha mãe me mandou mensagem ontem achando ruim por eu não ter ido lá pra ela me dar o presente que ela comprou. Nem responde a mensagem, só fiquei lembrando dos aniversários que ela fazia pros mais chegados, mas não me lembro dela me parabenizando em nenhum deles. É estranho. Nunca vou entender o que se passa na cabeça dela mesmo depois de saber o motivo injustificado. Parece que tudo que ela fez por mim foi por obrigação, não porque me ama como uma mãe de verdade. Fazia festa, convidava as pessoas que eu gostava, sempre me presenteou mas não tinha aquele abraço de parabéns, aquele momento de dizer que era feliz por me ter em sua vida. Na maioria ela me acordou pra ajudar na arrumação da casa, e depois dos parabéns ela me entregava uma sacolinha dizendo "ta ai seu presente" e pronto. Bem diferente do meu pai que assim que me via dava aquele abraço gostoso, me enchendo de beijos, entregava o presente que eu gostava e me parabenizava dizendo que eu era seu orgulho. Agora que ela contou o motivo é impossível não sentir sua rejeição de forma clara e dolorosa. Não quero ficar me torturando com essas lembranças, mas sempre que minha mente vaga me leva justamente a esses momentos de rejeição. Parece que as coisas boas que ela fez sumiram e só esses momentos ruins fizeram parte da nossa história. Com Kevin por perto estava mais fácil distrair com suas graça, seus beijos e carinho. Sem ele ta foda controlar a tristeza por ele está lá e essas lembranças dolorosas. Preciso dar um rumo na minha vida, correr atrás das minhas coisas e esquecer tudo isso. Não vai me levar a nada, fica alimentando esse remorso além de ficar depressiva e amargurada. Não quero ser uma pessoa infeliz como ela, tenho planos pra minha vida, sonhos à conquista e não vou me deixar abalar pelas coisas ruins que ela me fez. Ao contrário dela eu sou feliz com o pouco que tenho e vou lutar pra conquistar ainda mais, sem depender dela nem de ninguém.

Tiro meu babydool azul e visto um shortinho jeans e um cropped vermelho. Passo creme na pele exposta e faço um coque frouxo antes de descer pra toma café. Pego meu celular e ignoro a dor no peito pela aflição de notícias dele quando olho na tela e não vejo nenhuma mensagem. Abro a porta e sigo pra escada ouvindo os três rindo de alguma bobeira com certeza

-bom dia_ falo asim que entro na cozinha e eles param de fala

Renan - bom dia Barbie. Ta de boa?_ faço que sim com a cabeça e abro a geladeira pegando uma caixinha de leite gelado

Amor No Jacarezinho Vol. 1 ( Morro)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora